Foi assim. Quase cheguei atrasado à sessão do filme no Odeon. Sentei confortavelmente em uma das poltronas nada confortáveis desse cinema e esperei empolgado os trailers acabarem. Do meu lado, duas senhoras já passadas dos sessenta anos de idade. Eu, com meu preconceito juvenil, apelido essas senhoras de as “velhinhas de Copacabana”. Aquelas que escolhem o que filme vão assistir guiadas pela opinião do, sempre polêmico, bonequinho do Globo. Parte desse meu preconceito diz que se uma velhinha de Copacabana gostou do filme, é porque ele não é bom.



A proposta inicial do diretor Walter Lima Jr era de fazer um documentário sobre o carnaval. Após assistir ao material filmado e observar que 60% dele era retratada a violência incorporada aos blocos de rua, ele desiste da idéia e pensa em fazer algo diferente. Talvez essa seja uma explicação razoável para ressaltar a quase ausência de roteiro neste longa, que é marcado pelos improvisos dos atores e da própria câmera, da autenticidade dos personagens (reforçados por terem os mesmos nomes dos seus respectivos atores) e da inventividade (como prefere chamar Walter) narrativa com as marcadas passagens de tempo dedicadas a cada situação da trama. 




Smurfet











