A era dos cinemas e projeções em 3D está trazendo uma gama de experiências sensoriais nunca antes vista na história da 7º arte. Mesmo sabendo disso, jamais previ que um dia assistiria a uma ópera com tamanho realismo. É isso mesmo que você leu: ópera no cinema. O clássico Carmen, de Georges Bizet, gravado direto do Royal Opera House, em Londres. E em 3D!
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Se você não sabe do que eu estou falando, então pare por aqui e leia AGORA este artigo: Rede Cinemark traz com exclusividade para o Brasil a ópera Carmen em 3D.
É claro, caro leitor, que nada substitui a experiência do ao vivo, de assistir a uma peça de teatro, ou uma ópera e sentir os atores à sua frente e toda a química produzida entre espectadores e as ações no palco. Sim, isso (por enquanto) é impossível. Mas as atuais tecnologias estão permitindo que consigamos alcançar uma experiência cada vez mais próxima do real, do ao vivo. Ao mesmo tempo que ela se aproxima do real, também define uma percepção ao que é (ou poderia ser) real. E foi exatamente isso que constatei ao assistir pela primeira vez a uma ópera em 3D, à convite da rede Cinemark. Um evento inédito em terras tupiniquins.
Neste sentido, gostaria de fazer uma breve análise para vocês do que foi esta experiência, como o filme se comporta em relação aos espectadores etc.
Para início de conversa, lembre-se que estamos falando de ópera. E este tipo de espetáculo não é tão popular no Brasil, o que de cara poderia causar estranheza. No entanto, a experiência proporcionada pelo filme é capaz de causar deleite tanto aos admiradores da ópera quanto aos que a desconhecem.
Carmen tem 3 horas e foi rodado no famoso Royal Opera House, em Londres. No entanto está em francês. Mas não se preocupe, a cópia chegou ao Brasil legendada em Português (de Portugal e com alguns raros erros de digitação…).
O filme começa um pouco antes do início do espetáculo, onde vemos os atores se preparando nos bastidores. Mas é tudo muito rápido. É uma espécie de preparação. Depois disso eles se encaminham para o tablado, ainda com as cortinas cerradas, e a imagem passa para a orquestra, que dá início a todo o espetáculo. Falando em orquestra, lembrei do som. É preciso dizer que o áudio é maravilhoso! A orquestra tocando ao fundo, os atores cantando, os ruídos de cena, tudo é tão nítido e sensível que nos aproxima muito da realidade de estar vendo ao vivo. Nunca vi uma qualidade sonora tão perfeita e envolvente como esta. Se há um ponto alto na parte técnica do filme, certamente é o áudio.
Mas e a câmera? Como se comportou? Eis aí um fator fundamental para o sucesso ou fracasso desta nova experiência: a câmera. Ela deveria simular nossos olhos de dentro da plateia (que existe e reage às cenas mais envolventes). Achei interessante como ela se posicionou em todo o espetáculo. Não tivemos uma câmera estática, como nos filmes do início da história do cinema. Ms também não foi frenética. Ela foi suave e parecia adivinhar para onde queríamos olhar. Em boa parte do filme, ela consegue contemplar a totalidade do espaço de mise-en-scene, no entanto, na maior discrição, estávamos vendo um plano próximo de Carmen a cantar dramaticamente, um suave movimento acompanhando a movimentação dos muitos atores ou simplesmente aproximando ao nível do tablado para nos sentirmos ao lado de Carmen e Don José no último ato.
Falando em mise-en-scene, isso foi um espetáculo visual à parte. Iluminação perfeita, cenários caprichosamente bem montados e um grupo de atores que compôs cada cena de conjunto com maestria, harmonia com a música e movimentos, tudo muito bonito e gostoso de se ver.
Parece que, ao mesmo tempo onde temos a aproximação do real, sentimos uma experiência diferente, única e que não pode ser comparada à opera ao vivo. Não é pior nem melhor do que ver ao vivo. É diferente. No entanto não perde em envolvimento, emoção e euforia.
A mídia que o espetáculo é transmitido talvez não seja o mais importante. O que importa são os sentimentos que ele pode despertar em você. É essa percepção do belo que independe da mídia. Pude sentir a ópera de Carmen, como se estivesse em Londres. Não por sentir a realidade me tocar, mas por conseguir perceber toda a emoção que faz parte desta maravilhosa e inigualável obra de Georges Bizet.
Exibições de Carmem 3D
12/03 – sábado às 19h
13/03 – domingo às 17h
15/03 – terça às 20h
20/03 – domingo às 17h
Somente nos cinemas do Cinemark.
Ficha técnica
Ópera
Compositor
Georges Bizet
Libretistas
Henri Meilhac
Ludovic Halévy
Baseado na novela de
Prosper Mérimée
Maestro
Constantinos Carydis
Diretora
Francesca Zambello
Designer
Tanya McCallin
Iluminação
Paule Constable
Coreografia
Arthur Pita
Diretor da Luta
Natalie Dakin
Produção do Filme
Diretor
Julian Napier
Produtor Musical
David Groves
Editores
Julian Napier
Stroo Oloffson
Produtor de Linha
Tim Wellspring
Diretor de Fotografia
Sean MacLeod Phillips
Produtores Executivos
RealD
Royal Opera House
Produtor
Phil Streather
Elenco
Carmen: Christine Rice
Don José: Bryan Hymel
Escamillo: Aris Argiris
Micaëla: Maija Kovalevska
Moralès: Dawid Kimberg
Zuniga: Nicolas Courjal
Frasquita: Elena Xanthoudakis
Mercédès: Paula Murrihy
Le Dancaïre: Adrian Clarke
Le Remendado: Harry Nicoll
Coro de la Royal Opera House
Orquestra da Royal Opera House


Atenção leitores!





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