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Ludibriando o Cérebro

Postado por Henrique Kopke Em 3 de January de 2011

 Os anos 20 do século XIX se tornaram decisivos no processo de produção e percepção das imagens. No campo da produção, os experimentos de Joseph Niépce (1765-1833) e seu sócio Luis Daguerre (1787-1851) criaram as condições para a invenção da fotografia, elemento fundamental para as pesquisas de movimento com sequências de imagens.

Thaûma + Torpor 

Muito antes destes processos complexos, alguns cientistas se preocupavam com o funcionamento  da percepção humana acerca do movimento. Em 1824, Peter Mark Roget apresentou um artigo à  Royal Society de Londres (pdf original: The_Persistence_of_Vision_with_Regard_to_Moving_Objects_by_ Peter_Mark_Roget_1824), onde discutia a sensação ilusória de se enxergar uma roda de carruagem rodar ao contrário durante seu movimento normal de rotação. A teoria da Persistência Retiniana comandou por muitos anos o campo da neurofisiologia e neurologia acerca do processo de percepção das imagens. Hoje em dia, essa teoria é completamente errônea, são os efeitos phi (Φ) e beta (β) os mecanismos responsáveis pelo processo de formação das imagens em movimento.

 

Ainda em 1824, o físico inglês John Ayrton Paris (1785-1856) fez uma demonstração do funcionamento da Persistência Retiniana ao Royal College of Physicians utilizando o Taumatrópio. Historicamente, há uma divergência da real patente deste brinquedo ótico. Alguns relacionam o invento à Peter Mark Roget que o apresentou na mesma data da publicação de seu artigo. De fato, qualquer um dos possíveis inventores, se baseou nas idéias do astrônomo John Herschel (1792-1871).

 

Taumatrópio significa o que se transforma em algo maravilhoso, formado pela junção das palavras gregas thaûma (maravilha) + tropos (girar, transformar). Trata-se de dois discos com desenhos diferentes unidos por um cordão, elástico ou barbante. Ao girarmos o taumatrópio, as imagens aparentemente se unem, formando uma única imagem perceptível.

 

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Não demorou muito tempo para que, a respeito das lanternas mágicas, os taumatrópios se tornassem brinquedos. Até o início do século XX, muitos eram vendidos em lojas e feiras.  Na Inlgaterra, na Era Vitoriana, o Taumatrópio era o brinquedo mais popular, instigando interesses comerciais e científicos.

 

Jogo do Taumatrópio, publicado por Mauchair Dacier. Paris 1891 www.dickbalzer.com
Para reforçar o efeito ilusório, um lado preto&branco…
… do outro lado, litografias coloridas.
Taumatrópio em ação

E agora, que tal fazer o seu?

Fantasmas Imagens ou Imagens Fantasmas?

Postado por Henrique Kopke Em 28 de September de 2010
fantasmas-imagens-ou-imagens-fantasmas

Por Henrique Köpke

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Quando o homem entendeu que a câmara obscura precisava ser escura para captar a imagem do ambiente, não demorou muito para criarem um ambiente escuro para captar a imagem proveniente de uma câmara.

 

Este aparelho, amplamente utilizado pela astronomia desde o século XIII, sofreu poucas modificações até o século XVII. Athanasius Kircher, um matemático alemão de formação jesuíta publicou em 1646 o texto Ars Magna Lucis et Umbrae (A Grande Arte da Luz e Sombra)[ leia o texto original]onde citava a Lanterna Mágica, uma simples caixa com uma fonte de luz interna e um espelho curvo que refletia a luz através de lâminas de vidro pintadas. Kircher era colecionador de plantas exóticas, e se inspirou na coleção de Giovanni Bapttista Della Porta (1540-1615), um físico italiano que, além das plantas, admirava o campo da Ótica.

 

Giovanni teve a idéia de fazer da Câmara Obscura uma atração popular. Kircher percebeu que seria mais fácil controlar a luz dentro de uma câmara, ao invés de ficar atado às condições da natureza, como era o caso da câmara obscura. Seu feito foi tão surpreendente que o sujeito foi acusado de bruxaria, só por projetar imagens. Não é de se espantar que o interesse popular tenha sido imediato.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 Os pequenos consumidores, ávidos por brincadeiras caras!

 

Lanterna mágica fabricada atualmente

 

Em seu livro Arte da Animação – técnica e estética através da História, Alberto Lucena Júnior comenta: "O artista é um ilusionista e, como tal, deve buscar transcender a matéria ou a técnica com a qual lida, ludibriando o espectador. O cientista deve atuar exatamente ao contrário, lidando com regras claras e mantendo-se firmemente ligado à natureza das coisas".

Em 1794, o fantoscópio foi inventado. Nada mais era do uma adaptação da lanterna mágica com algumas melhorias, como um projetor duplo, por exemplo. Etiene Gaspar Robert desenvolveu esse novo aparelho que criava as ilusões em seu espetáculo Fantasmagoria, projetando imagens de fantasmas e esqueletos aterrorizando e encantando multidões, mesclando arte e ciência com maestria.

fantoscópio

 

Cartaz

 

Franz von Uchatius, um austríaco que em 1850 fez melhorias na Lanterna Mágica, criou um sistema de projeção, combinando duas placas de vidro pintadas, uma dela inclusive, funcionava como um obturador, criando verdadeiramente uma ilusão animada.

 

Mas no final de tudo isso, podemos apontar vários pseudo inventores da Lanterna Mágica, mas quem a difundiu, fabricou, vendeu e, enfim, transformou-a em um produto foi Cristiaan Huygens (1629-1695). Veja o google book de Laurent Manonni "A Grande Arte da Luz e Sombra: Arqueologia do Cinema"

 

Um Sorriso Amarelo como um Sol

Postado por Henrique Kopke Em 21 de September de 2010
um-sorriso-amarelo-como-um-sol

Por Henrique Köpke

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Naquele período curto na história da humanidade, chamado Era Medieval, pouco se fez em relação à representação do movimento. Os anjos de Giotto pintados em posições diferentes, sugerem ação em sua obra. De maneira semelhante, em pleno Renascimento, o Homem Vitruviano de Leonardo da Vinci nos apresenta duas posições diferentes do mesmo homem. Forçando a imaginação podemos vê-lo fazendo polichinelo bem tosco. 

 

Ciência e arte, um caminho certo até o cinema

 

A maior contribuição de da Vinci ao cinema se deu na introdução de uma lente para melhor captar a imagem formada pela câmara obscura. A utilização de um equipamento científico como este, fez com que novas perguntas fossem formuladas, possibilitando o desenvolvimento de aparelhos óticos até o advento da fotografia.

 

 

A Lamentação, de Giotto, 1305 (Arena Chapel, Padua)

 

 

Exemplo de como os artistas utilizavam a Câmara Obscura

 

Matt Gatton recentemente evidenciou o uso da câmara obscura desde o período Paleolítico, quando comparou a pintura Up Side Down Horse feita há 28000 anos a. C. na gruta de Lascaux com o efeito da projeção invertida da câmara obscura. Para saber mais detalhes clique neste LINK

 

Up Side Down Horse

 

Temos que tirar o chapéu para um físico e matemático árabe chamado Alhazen (965-1040 d.C.). Historicamente, ele é reconhecido como o recriador da Câmara Obscura e, além disso, Alhazen contestou todas as teorias grecorromas acerca do processo de formação da imagem através da visão.

Para Platão (428-348 a.C.), haveria dentro de nós o chamado fogo divino, que  sai dos nossos olhos até detectar um objeto. Assim, tal fogo divino sai dos olhos e encontra a luz emitida pelo objeto. A união entre essas duas luzes formaria a visão. Vários pensadores desde Zenão, Ptolemeu até Galeno, defenderam a proposta de Platão confirmando a emissão de raios pelos olhos. Apenas Epícuro (341-280 a.C.) contestava essa idéia! O mais interessante é que as bases matemáticas criadas, possibiltaram a formulação da Ótica de Euclides, Arquimedes,  Apolonio.

Alhazen criou uma série de tratados sobre Ótica, abordava temas como direção da luz, corpo emissor de luz, e processos reflexivos. Foi para estudar um eclipse lunar que ele utilizava a câmara obscura.

Selo com ilustração de Alhazen

 

 

Fisiologia do Olho Humana por Alhazen

 

Passado séculos após o Renascimento, as câmaras obscuras se tornaram ambientes altamente lucrativos. No século XIX, elas se multiplicaram nos parques dos Estados Unidos. Central Park abrigava uma câmara obscura, e cobrava entrada do público oferecendo a mais bela ilusão de ótica. A fotografia e os brinquedos óticos já existiam, mas talvez o acesso ao público fosse bem mais restrito do que imaginamos. Por outro lado, a construção de uma câmara obscura representava um pequeno investimento, haja vista o volume de espectadores que se amontoavam dispostos a pagar ingresso.

 

Câmara obscura popular. Lugares abertos e bem iluminados.

 

 

Cartão de visita que na verdade era uma propaganda da câmara obscura do Central Park, N.Y.

 

 

Cartaz propaganda

 

 

Cartão de visita

 

 

Diversos modelos de Câmara obscura

 

De certo modo, as câmaras obscuras tornaram-se as salas de cinema primitivas que, anos depois, dariam espaço ao Teatro Ótico de Émile Reynaud e finalmente, as exibições cinematográficas. A indústria que fabricava máquinas, enxergou o poder lucrativo do entretenimento. O teatro já possuía sólida presença na cultura popular, mas arte e entretenimento através de uma máquina? A realidade do espetáculo, presenciada pelo espectador de teatro, seria transformada pelo cinema, em uma experiencia virtual, parte de um processo psicológico e ilusório.

O Fascínio pelo Movimento

Postado por Henrique Kopke Em 27 de August de 2010
o-fascinio-pelo-movimento

Nossa visão, além de nos proporcionar a visão,  nos permite também, a larga percepção dos movimentos . Outrora caçando, se protegendo, ou mesmo observando, o homem treinou o seu olhar para captar toda ação possível. Muito conhecimento precisava ser passado às futuras gerações, essa necessidade de registrar, fez com que as paredes se tornassem as primeiras telas da humanidade, e através delas muitas comunidades difundiram seus ensinamentos, suas culturas, lendas, religiões, leis e história.

O exemplo mais clássico dessa narrativa ligada a representação do movimento, é a luta wrestling egípcia pintada na parede há  5 mil anos.

 

Detalhe

 

 

Templo Khafaji no Iraque

 

 

Reprodução

 

Nitidamente, podemos ver uma sequência de movimento no mais completo estilo Muybridge,  além de sua narrativa peculiar. Os egípcios utilizavam as pinturas e seus hieróglifos como código social, justificando, por exemplo, o poder divino de seus faraós.

Os gregos conseguiram expressar o movimento em outros suportes além da parede. É o caso dos vasos gregos que ilustravam sequências de imagens de seus esportistas olímpicos. Na imagem a seguir, a sugestão ao movimento relembra a pintura na caverna em Altamira, do Javali de oito patas.

 

Vaso Grego

 

 

As esculturas gregas ganharam movimento na transição do período arcaico para o clássico, no chamado períodosevero entre 500 e 450 a.C. O contraposto sugerido por Efebos de Kritios abre o caminho para que, já no período clássico, Míron possa criar seu Discóbolo.

 

Efebos de Kritios, 480 a. C. Museu da Acrópole de Atenas

 

 

Discóbolo de Míron, 455 a. C. Gliptoteca de Munique

 

 

Até onde Sabemos, este é o Início

Postado por Henrique Kopke Em 21 de August de 2010
ate-onde-sabemos-este-e-o-inicio

Por Henrique Köpke

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O cinematógrafo foi inventado por Léon Bouly em 1895, que perdeu a patente para os Irmãos Lumière. Assim, os irmãos ficaram reconhecidos por serem os inventores do cinema, mas de certo não o inventaram. O cinematógrafo, é um dispositivo fotográfico que imprimia uma sequência de imagens em película fotossensível. Só fazer um google que essas informações se replicam. 

 

Deuses não disseram: Faça-se a luz

De fato, o cinematógrafo foi um marco na história do cinema. Fez o que o cinematoscópio de Thomas Edison não conseguiu. A projeção era o seu diferencial. Tal poder de exibição para grandes platéias foi o que consagrou este aparelho como um dispositivo altamente rentável. Mas não foi esse o início de tudo.

 

Vamos retirar desse assunto os dispositivos óticos, a arte, e a economia. O cinema dos Irmãos Lumière não apenas é uma evolução tecnológica, mas também consiste em um processo evolutivo de contar histórias. São as histórias que nos levam ao cinema e não as câmeras e os projetores. O homem é um ser comunicativo por essência, e sua vontade de contar histórias remontam nossos tempos mais arcaicos.

 

Nas cavernas de Altamira, na Espanha, muitas pinturas rupestres retratam animais. Tudo era feito com pigmentos, sangue, de forma bem rudimentar, ilustrando a vida que existia fora da escuridão da caverna. Procure por pinturas rupestres na internet e encontrará boas imagens que retratam o que acabei de escrever.

 

Mas quero apontar uma pintura especificamente. Veja essa imagem a seguir:

 

Pintura rupestre de um Javali

 

Incrível como há 30 mil anos, o homem conseguiu reprooduzir este animal, não concorda? Mas essa é uma imagem alterada com photoshop. A seguir a imagem verdadeira.

 

Javali de 8 patas pintado nas cavernas de Altamira, Espanha.

 

O que poderia representar essa pintura? Sei lá, vai que o sujeito realmente queria pintar um javali mutante, e a gente fica aqui viajando. Mais aceitável, é a conclusão de que essa pintura tenta retratar o movimento do animal. Utilizando o computador, somos capazes de criar uma animação bem rudimentar com este desenho. Se o autor dessa pintura quis demonstrar o movimento de seu javali, vamos dar uma forcinha clique na imagem abaixo (pode crer, não é vírus)

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Rafael Cruz vive em Maricá-RJ, é cineasta, investidor, profissional de marketing, escritor, torce pro Fluminense, adora xadrez e uma boa partida de tênis.

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