Tecnologia e Cinema

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Entrevista com o Escritor André Luis Mansur

Postado por Rafael Cruz Em 21 de February de 2011

Prezados leitores. É com muita honra que eu publico uma entrevista muito especial. Ela já estava prometida há meses e só agora conseguiu ser finalizada. Hoje entrevistaremos o amigo e escritor André Luis Mansur, direto de Campo Grande, esse delicioso bairro do Rio de Janeiro. Aproveitem o que ele tem a dizer.

 

André Luis MansurTecnologia e Cinema (TC) – André, você é jornalista e crítico literário. Quando você teve a ideia de escrever suas próprias estórias? Como foi isso?

André Luis Mansur (ALM) – Foi nos anos 90. Já na faculdade (UFRJ) fiz alguns textos de humor que o pessoal gostou muito. Ao longo dos anos, fui procurando ler os mestres e ir escrevendo bastante, até encontrar um estilo. Os contos da ´Rebelião dos Sinais´ foram todos escritos entre 1993 e 1999.

 

Manual do SerroteTC – Seu primeiro livro, o Manual do Serrote (que é o meu favorito), é uma ode ao bom humor e ao sarcasmo. Você teve problemas com amigos ou conhecidos por acharem que você estava escrevendo sobre eles? E qual foi a reação do público a este seu primeiro livro?

ALM - Pelo contrário, quando as pessoas se identificam com o serrote é que fica engraçado. A reação é sempre muito boa, não há quem não dê umas boas risadas e o melhor, sempre indicam mais um tipo de serrote, que eu vou anotando. O livro infelizmente está esgotado* e a editora que o produziu (Bruxedo) já fechou as portas, mas tenho planos de fazer uma edição revista e ampliada, tal a quantidade de novos serrotes que já surgiram.

 

TC – Como ocorre a criação de um conto?

ALM - Eu não costumo seguir um método, mas sempre que eu acho que surge uma boa ideia, um bom argumento, eu anoto e deixo para mais tarde desenvolver. Às vezes vem o conto quase todo e eu o escrevo. As ideias podem surgir em qualquer lugar, por isso procuro sempre anotar, pois se deixar pra depois posso esquecer e aí não dá pra recuperar mais, ela vai em busca de um novo escritor.

 

O Velho Oeste CariocaTC – Em 2008 você lançou o livro “O Velho Oeste Carioca” **, que é um magnífico acervo de fatos e curiosidades históricas sobre a zona oeste do Rio de Janeiro. Como foi o trabalho de pesquisa para esta obra tão singular?

ALM - Foram cinco anos de pesquisa, feita em bibliotecas, arquivos, jornais, revistas e até um pouco pela internet. O mais difícil é que não existem muitas publicações sobre a região, espero que a situação melhore um pouco. Pelo menos tenho visto muitos estudantes de História e professores interessados na região.

 

TC – Em 2010 você lançou o seu novo livro “A Rebelião dos Sinais” que é uma coletânea de 13 excelentes contos. No entanto, boa parte desses contos você escreveu nos anos 90. Por que esperou tanto para publicá-los?

ALM - Na verdade, eu não esperei, eu o mandei para vários lugares, mas as editoras nunca me deram chance. Fiz até um artigo sobre isso para o meu blog ( www.emendasesonetos.blogspot.com ) chamado “O primeiro ´não´ a gente nunca esquece". Se tivesse conseguido publicar os contos no ano 2000, por exemplo, e conseguido uma boa receptividade, é bem provável que hoje eu já tivesse um bom número de livros de ficção.

A Rebelião dos Sinais

 

TC – Além de escritor, sei que você também é cinéfilo. Eu, que já li todos os seus livros, posso perfeitamente imaginar cada conto no formato de um curta-metragem. Já pensou em transformar alguns dos seus contos em roteiros e oferecer a um diretor para que os transformem em filmes?

ALM – Já me fizeram a proposta de transformar "O Velho Oeste Carioca" em documentário, estou aguardando novos contatos. Sobre "A Rebelião dos Sinais", a peça que dá nome ao livro pode muito bem virar um roteiro. E o Manual do Serrote, talvez surjam novidades audiovisuais em breve, mas por enquanto ainda não posso revelar.

 

TC – Falando em cinema, você administra um cineclube*** no Centro Universitário Moacyr Sreder Bastos, em Campo Grande-RJ. Como você vê a relação entre o cinema e a literatura?

ALM – São duas linguagem diferentes, que se complementam. Muitas vezes um filme adaptado de uma obra literária acaba se tornando mais interessante do que a própria obra. Posso dizer que, junto com a música, são as formas de arte que mais me emocionam.

 

TC – Quais são seus projetos futuros? Pode nos revelar?

ALM - O mais próximo é o lançamento de “O Velho Oeste Carioca – vol. II”, com mais histórias sobre a região. Já está sendo revisado pela mesma editora do primeiro, a Ibis Libris, e acredito que até maio possamos lançá-lo. No mais, tenho esboçado algumas coisas, inclusive na área de ficção, mas por enquanto não há nada certo ainda.

 

 

* O Manual do Serrote está esgotado, mas o autor publicou alguns trechos do livro no site www.manualdoserrote.blogspot.com

 

** O Velho Oeste Carioca pode ser encontrado nas principais livrarias, como a Travessa, Saraiva, Arlequim, Folha Seca, Leonardo da Vinci, Bangu Shopping, West Shopping, livrarias da Universidade Castelo Branco, UniMSB e, em Campo Grande, no bar Chopp da Villa, banca de jornais do Prezunic, Livraria Edital, Sebo de Campo Grande e bar da Dona Lourdes, no Rio da Prata. Também no Fernando´s Bar, na Pedra de Guaratiba, pertinho do Píer.

 

"A Rebelião dos Sinais" é vendido apenas em Campo Grande, na livraria Edital, no Chopp da Villa e no bar da Dona Lourdes. Ou pelo site da editora (www.editoramultifoco.com.br)

 

*** O Cineclube Moacyr Bastos fica na rua Engenheiro Trindade, 229, no UniMSB, e funciona sempre às sextas-feiras, às 19h, com entrada franca.

 

Tecnologia em Cinema Promete Encontrar uma Poltrona pra Você

Postado por Rafael Cruz Em 4 de June de 2010

Nesta semana eu convidei o Rafael Barros para nos explicar o que é o projeto "Tecnologia em Cinemas". Ele é o criador deste interessante projeto e vai nos explicar do que se trata.

 

Tecnologia e Cinema

 

O Funcionamento
Para cada assento existe uma lâmpada (verde) no teto somente como ponto de referência e não para iluminar o local. O teto é o melhor local para esse tipo de identificação porque é visível a todos em qualquer lugar que se observe e não há interferência de pessoas transitando na frente.

 

Entrando o espectador, ao invés de procurar assentos desocupados, o mesmo olha para o teto e identifica a distância o local para se acomodar sem perda de tempo e frustrações. Acomodado no assento, o sensor de entrada instalado para a poltrona enxerga a presença e contabilizam 10 segundos (tempo programável) de residência do mesmo, passado os segundos, a luz no teto se apagará de modo suave para não ser incomodo para os espectadores.

 

Caso o usuário se arrependa do local escolhido e deseja ir para outro lugar, ao se levantar do assento o sistema enxergará abandono do mesmo e iniciará uma contagem de 10 segundos, após este tempo a lâmpada irá acender favorecendo uma nova acomodação. Este sistema temporizado é muito importante para o bom funcionamento do sistema, pois impedem que as luzes do recinto trabalhem de forma intermitente somente quando o usuário se adapta ao assento.

 

Agora imagine na metade do entretenimento quando uma pessoa deseja fazer uma breve saída, ao retornar terá grande dificuldade em encontrar seu lugar novamente. Com o localizador de assentos no meio do entretenimento levantando o espectador, a mesma luz acenderá com cor diferenciada (vermelha) e no seu retorno não encontrará tal dificuldade.     

 

Rafael BarrosComo surgiu a idéia do Projeto?
Há 5 anos atrás, numa das sessões em uma sala de cinema, percebi em um instante de irritação o quanto era difícil encontrar lugares nesses tipos de ambientes ainda mais se estivessem lotados e analisando a estrutura interna do cinema, observei que esses lugares poderiam ter alguma sinalização para auxiliar a acomodação dos espectadores e comentei com minha namorada (hoje minha esposa) que se existisse uma fonte de luz no teto para sinalizar os assentos disponíveis do ambiente, ajudaria numa acomodação muito mais rápida e eficaz sem incomodar os demais espectadores.

 

Quem apóia o Projeto?
Ainda não há apoio financeiro de terceiros. O projeto é apoiado por pessoas físicas próximas a mim, minha esposa que sempre esteve ao meu lado me orientando e admoestando de forma sutil, alguns familiares e amigos que acreditam em meu trabalho acompanham de perto cada passo dado, a leitura da Bíblia é o meu apoio, a vontade de vencer me faz acumular energias para manter as pernas firmes frente aos obstáculos burocráticos e financeiros encontrados.

  
Planejamento para obtenção de Investidores/Patrocinadores?
A divulgação é a incógnita da questão, onde é necessário conhecer e saber aplicar os termos que multiplicam, os que somam, aqueles que subtraem e não esquecer dos que dividem totalizando uma igualdade com o X da questão.

 

A multiplicação dos contatos sempre me leva a algum lugar onde posso publicar e aperfeiçoar a dinâmica do projeto, somando os valores conquistados por meio de pesquisas, enquetes, imagens, vídeo para apresentar às entidades relacionadas ao projeto um plano de negócios atraente, sempre trabalhando com a preocupação de servir bem e persuadir de forma saudável o quanto essa idéia é viável para ser investida e aplicada.  


O que espera deste Projeto após a sua Implantação?

Espero que faça parte da atração do local implantado, assim como existe para cinemas imagens em 3D/4D, surround, poltronas largas reclináveis em várias posições, telas IMAX e outros que propiciam a comodidade do ambiente. O localizador de assentos fará um bom papel na acomodação de quem esta chegando no local quanto para quem faz uma breve saída durante o entretenimento, sendo mais uma opção de conforto.

 

Em termos de valores, para toda ação há uma reação de igual intensidade, mesma direção e em sentido contrário (terceira lei de Newton). Para esta ação aplicada quero que o retorno seja suficientemente compensador para que eu possa crescer e desenvolver as idéias que estão na fila de espera (risos).  

 

Em quanto tempo você imagina que ele esteja disponível nos Cinemas?
Fica difícil prever quando ainda não existe a presença de uma empresa representando essa novidade porque a credibilidade e status que a mesma alcançou durante o curso de sua existência pesam muito quando se apresenta somente o projeto de forma individual.

Pela fé vejo este projeto em plena marcha em 2011, é claro, depois de bastante trabalho, dedicação e busca de negociações que agregam no desenvolvimento deste propósito.       

 

Assista ao Vídeo
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O Marido Perfeito Mora ao Lado, de Felipe Pena

Postado por Rafael Cruz Em 17 de April de 2010

 Felipe Pena

Nesta semana o Tecnologia e Cinema teve a honra de entrevistar o autor do livro "O Marido Perfeito Mora ao Lado",  Felipe Pena, que lançou a sua obra no mês de março e já conta com um enorme público leitor. Conheça um pouco sobre este autor e a sua obra:

TeC – Felipe Pena, você é Doutor em Letras, Jornalista, Professor e autor de 8 livros acadêmicos na área de comunicação. No entanto já está em seu segundo romance. Estas formações e a sua experiência no ambiente universitário de alguma forma influência o seu estilo de pensar e escrever seus romances?

Felipe Pena – A passagem pela academia, com doutorado e pós-doutorado, ajuda e atrapalha. A formação como jornalista, por exemplo, me ajudou muito. Do jornalismo, trago as técnicas de apuração e síntese, o gosto pelo detalhe e a pressão do deadline, que é minha principal fonte de inspiração (risos). Mas não sigo a orientação canônica do doutorado em literatura. Os ditames da academia atrapalham o escritor. Hoje, há muita gente escrevendo apenas para agradar a uma parcela da crítica, cujos parâmetros de análise ainda seguem um modelo obsoleto de análise da linguagem. Sou professor, oriento teses de mestrado e doutorado, mas tento evitar essa má influência (risos).

O marido perfeito mora ao lado é uma história de amor. Fala da incomunicabilidade entre os casais, da dificuldade de entender o outro, das armadilhas da paixão. Eu só podia falar sobre isso em uma linguagem simples, direta, pois são problemas pelos quais todos nós já passamos. Mas é claro que eu escolhi uma estratégia narrativa com a pretensão de prender o leitor, de não deixá-lo largar o livro. Há muitas viradas no enredo, muitas surpresas. E eu espero que o final seja surpreendente.

TeC – Quais são os autores que te inspiram em suas investidas literárias?

FP – Meus clássicos são Balzac, Hemingway, Poe, Freud, García Márquez e Rubem Fonseca. Mas também sou influenciado pela poesia, pela música popular e até pela internet. Escrevo misturando técnicas do folhetim e do policial, mas sempre penso no ritmo e na melodia das frases. Tenho a pretensão de seduzir o leitor, de fazê-lo virar a página. Esse é meu único objetivo. Se você disser que não conseguiu largar o livro, terá feito o melhor elogio que posso receber. Esse será meu maior prêmio.

 

TeC – Outro dia estava ouvindo um podcast (programa de rádio feito pra internet) com a presença do escritor Eduardo Spohr (A Batalha do Apocalipse, Nerdbooks) e foi questionado a seleção de livros indicados na escola para leitura dos alunos. Enquanto na Europa indicam Tolkien, Adams etc, no Brasil forçam o aluno a ler e gostar de Machado de Assis, Aluisio Azevedo etc. A grande maioria se sente desestimulada a ler e começam a falar que ler livros é uma tarefa chata. O que você pensa sobre isso?

FP – Recentemente, o Zuenir Ventura tocou nesse assunto em sua coluna no Globo ao falar sobre os romances que são obrigatórios para os adolescentes na escola. Se não houver prazer na leitura como vamos formar leitores? Concordo com ele.

 

TeC – Numa entrevista recente ao Tecnologia e Cinema, o escritor Luis Eduardo Matta comentou que hoje está mais fácil de discutir a literatura do entretenimento do que antes, por exemplo no inicio dos anos 90, em grande parte favorecido pela grande expressão popular que tem a internet. O que você pensa sobre a literatura de entretenimento e sobre essa afirmação do Matta?

FP – Toda literatura é entretenimento. Entretenimento não é passatempo, é sedução pela palavra. Entretanto, é fácil verificar que boa parte dos escritores contemporâneos não estão preocupados com os leitores, mas apenas com a satisfação da vaidade intelectual. Escrevem para si mesmos e para um ínfimo público letrado, baseando as narrativas em jogos de linguagem que têm como único objetivo demonstrar uma suposta genialidade literária. Acreditam que são a reencarnação de James Joyce e fazem parte de uma estirpe iluminada. Por isso, consideram um desrespeito ao próprio currículo elaborar enredos ágeis, escritos com simplicidade e fluência. E depois reclamam que não são lidos.

Não quero dizer que esse tipo de literatura não deva ser produzida. É o contrário. Respeito e admiro muitos destes escritores. Cada um escreve como pode. Apenas defendo que também exista espaço nos suplementos literários para escritores que estão preocupados em formar leitores, com enredos lúdicos e bem articulados, que resgatem o prazer da leitura.

TeC – De onde surgiu a ideia de escrever “O marido perfeito mora ao lado”? Você teve alguma referência ou inspiração para tal?

FP – Sou jornalista, faço pesquisa de campo, mas todos os personagens são ficcionais. Posso misturar observações sobre personagens reais, mas nunca os transporto para o enredo. Cada personagem é uma mistura de diversas características de diferentes pessoas com invenções sobre essas características. Nenhum personagem é baseado numa pessoa, muito menos emite qualquer tipo de juízo. Em alguns casos, fica clara a preocupação com uma determinada ética, mas nunca com uma moral. Isso seria um erro.

O marido perfeito mora ao ladoTeC – Qual foi a sua maior dificuldade ao escrever este romance?

FP – Escrever é sempre difícil. Pode ser uma carta ou um romance. Em “o marido perfeito mora ao lado” tive a intenção de brincar um pouco com o excesso de psicologismo de alguns romances contemporâneos. Daí a nota descrevendo o livro como uma caricatura psicoliterária. Ao mesmo tempo, acho que os conceitos podem ajudar no enredo, trazer alguma informação para o leitor. O livro fala de casais, da incomunicabilidade entre homens e mulheres, das dificuldades inerentes à paixão. Então, a psicologia passa a ter um papel na trama, para pontuar essas dificuldades.

Mas a verdade mesmo é que eu quis apenas escrever uma história de amor. Só isso.

TeC – Nossos leitores, ávidos por cinema, devem estar querendo saber se o seu livro poderá ser adaptado para as telas cinematográficas no futuro. Você tem interesse que isso aconteça? Existe algum planejamento para isso?

FP – Algumas produtoras já fizeram contato e eu estou estudando o assunto. Mas o estranho é que eu não penso no romance em termos de imagem ou como o roteiro de um filme. Se isso acontece deve ser por influência estética mesmo, não por opção consciente. Mas confesso que, às vezes, utilizo as vozes de alguns atores que gosto para pensar nos personagens. Para visualizar a Nicole, por exemplo, que está nos dois romances, às vezes imaginava a Mariana Ximenes ou a Maria Fernanda Cândido, tentando pensar na sensualidade, no carisma da personagem. Mas isso é apenas um truque. Não é determinante na escrita.

 

TeC – Você tem algum recado a dar aos futuros leitores do “O marido perfeito mora ao lado”?

FP – Pensem em contar uma boa história. A literatura brasileira contemporânea tem poucos autores dispostos a contar uma boa história, sem a preocupação de produzir experimentalismos e jogos de linguagem, mas eles convivem com o receio de serem arbitrariamente rotulados como superficiais. Só que a realidade é inversa. Escrever fácil é muito difícil. Em literatura, entretenimento, não é passatempo, é sedução pela palavra. E se for apenas passatempo, qual é o problema?

Apesar da tão apregoada diversidade da prosa nacional, uma parte da crítica acadêmica (sou professor universitário e isso é um mea culpa) dividiu-a em pólos antagônicos. Quem não é moderninho, é superficial. E ponto final. Essa é a generalização leviana da nossa literatura. É ela que produz distorções, afasta leitores e joga sua névoa sobre o mundo literário.

O livro "O Marido Perfeito Mora ao Lado" pode ser encontrado na livraria Saraiva e na livraria da Travessa

[entrevista] A Literatura de Luis Eduardo Matta

Postado por Rafael Cruz Em 10 de October de 2009

Luis Eduardo Matta

Caros leitores, tenho a honra de publicar uma entrevista realizada com o autor de thrillers não-policiais Luis Eduardo Matta, que é um dos pioneiros e principais nomes deste gênero na literatura brasileira.
 

Cucamonga – Luis Eduardo, primeiramente gostaria de agradecer à sua boa vontade em atender a esta entrevista. Prometo que não tomarei muito do seu tempo :)

Luis Eduardo (L.E.) – Se tomar, não tem problema. Tempo é para ser bem gasto.

 

Conexão Beirute-Terran1. Você publicou o seu primeiro livro aos 18 anos. Pode nos explicar como foi o caminho desde o dia em que você pensou em escrever até o dia da publicação?

L. E. – Eu publiquei aos 18 anos, mas tinha 17 quando o escrevi. Comecei em janeiro de 1992, após assistir a uma entrevista de Jorge Amado e Zélia Gattai na televisão, terminei em abril e fechei com uma editora em setembro. Do instante em que decidi seguir a carreira literária até o dia da assinatura do contrato de publicação transcorreram exatamente oito meses. Foi um período intenso e vertiginoso, de um otimismo fora de controle. As coisas comigo não costumam ser fáceis, por isso acho que, naquele ano em especial, houve uma espécie de intervenção divina. Uma intervenção estratégica. Isto porque, se eu não houvesse publicado o livro naquele momento, talvez não tivesse tido o estímulo necessário para seguir adiante.

 

 2. Quem (ou O que) foi a sua maior motivação para dar este importante passo em sua carreira?

L.E. – Muitas coisas. Eu sempre gostei de literatura. E sempre gostei da ficção de mistério. Além disso, por alguma razão que não sei explicar, conservei muito forte dentro de mim o lado da fantasia. É uma característica da infância, que os rigores da idade adulta tentam nos tirar. No meu caso, isso não aconteceu. Em dado momento, senti que precisava dar vida à imaginação e a literatura se apresentou como o caminho ideal.

 

 3. Você passou grande parte da sua infância e adolescência entre o Rio de Janeiro e uma chácara em Maricá. Você acredita que passar parte de sua vida num local mais tranquilo e longe da agitação da grande metrópole favoreceu a sua imaginação para a criação de narrativas baseadas em seus estudos sobre política internacional?

Ira ImplacávelL.E. – Com relação à política internacional, não sei exatamente. É possível, pois em Maricá eu tinha tempo para ler bastante e lia a seção internacional dos jornais e livros sobre geopolítica. O que posso afirmar com segurança é que a experiência de viver no campo contribuiu decisivamente para a minha formação. Me fez descobrir a existência de outros mundos, de outras formas de interagir com o cotidiano. A Maricá dos anos 80 era incomparavelmente menor e menos populosa do que é hoje. Era um município mais arcaico, ainda atrasado sob inúmeros aspectos, mas comovente na sua bucólica atmosfera rural, que servia como uma espécie de refúgio mágico do meu dia-dia no Rio.

Na minha infância tive a oportunidade, por exemplo, de conviver com pessoas muito humildes, que dedicaram toda uma vida à lavoura. Muitas não sabiam ler ou escrever, mas tinham um conhecimento empírico da realidade, um tipo de sabedoria existencial que a correria da metrópole e as demandas sociais da modernidade não nos estimulam a desenvolver hoje em dia. Isso foi importantíssimo na minha vida, pois pude conhecer desde cedo e muito de perto a realidade do povo, o que me ensinou a cultivar e valorizar a simplicidade, e impediu que eu me encastelasse.

É com assombro que noto como muitas pessoas supostamente cultas e esclarecidas pouco sabem da realidade brasileira. São intelectuais cheios de teorias para a melhoria da qualidade de vida do povo, mas que não conhecem verdadeiramente o povo.

 

4. Seus livros carregam bastante mistério e suspense em suas tramas, verdadeiros thrillers não-policiais. Você recebeu influência de algum mestre do suspense, como o diretor de cinema Alfred Hitchcock ou a escritora Agatha Christie?

L.E. – Se eu tive alguma influência literária, foi Agatha Christie, sem dúvida. Com o tempo, venho percebendo o quão marcante foram para mim os livros dela. Embora, como você bem assinalou na sua pergunta, meus thrillers não sejam policiais.

 

 5. Dentre as suas sete obras já publicadas, por qual ou quais você tem um amor especial?

L.E. – Tenho um carinho especial pelo meu primeiro livro, Conexão Beirute-Teeran. É um romance cru, escrito sem muito acabamento, com a linguagem e a visão de mundo canhestras do jovem imaturo de 17 anos que eu era. Mas foi um livro muito importante para mim, que me serviu como passaporte para a carreira literária. Jamais o renegarei.

 

6. Qual obra foi a mais complexa em termos de pesquisa histórica e cultural?

O VéuL.E. – Foi O Véu, meu novo thriller, que sai agora no final de 2009. Da concepção do enredo até o seu término passaram-se dez anos. Reescrevi este livro três vezes e fiz uma pesquisa descomunal. Para você ter uma idéia, todo o material usado para essa pesquisa ocupa duas ou três caixas grandes nos meus arquivos, isso sem contar o arquivo digital. O Véu aborda dois mundos bastante distintos que se cruzam ao longo da trama: o das artes plásticas e o da política iraniana contemporânea. São temas espinhosos e cheios de pormenores. O Irã é um país de uma complexidade incrível, com contradições desconcertantes. Acompanhar o que se passa lá, e, ainda mais, à distância, e descrevê-lo fugindo da visão estereotipada que a mídia ocidental insiste em nos apresentar, chega a ser quase um ato de bravura. Acho que, dentro das minhas possibilidades, consegui fazer isso neste thriller.

 

 

 7. Você tem origem libanesa, por parte de pai. De alguma forma, seu pai o incentivou a criar narrativas onde o pano de fundo seriam os países do Oriente Médio e suas culturas?

120 HorasL.E. – Meu pai já tinha morrido quando comecei a escrever livros. Ele nunca deu grande atenção à situação do Oriente Médio. Eu é que comecei a me interessar pela região depois de ler uma reportagem na revista Veja sobre a guerra civil no Líbano, que ocupava a capa e não sei quantas páginas de uma edição de outubro de 1989. Vinte anos atrás, portanto. Tenho essa revista comigo até hoje. A matéria me impressionou muito, pois alguns dos libaneses entrevistados, cujas fotos estavam estampadas na revista, se pareciam bastante com pessoas da minha família: tios, primos, meu próprio pai… Graças à reportagem, estabeleceu-se uma empatia imediata entre mim e o Líbano. E, a partir de então, as pesquisas prosseguiram de forma espontânea, estendendo-se, com o tempo, a outros países do Oriente Médio, sobretudo depois da invasão do Kuwait pelo Iraque e do fim da guerra civil libanesa, no ano seguinte. Quando comecei a escrever livros, em 1992, eu estava tão mergulhado nessas pesquisas, que o Oriente Médio acabou sendo uma escolha natural de cenário. Além do que é uma região tensa, conflagrada, perfeita para ambientar um thriller.

 

 8. A literatura de entretenimento ou Literatura Popular Brasileira, como você diz, sofre uma espécie de preconceito da elite intelectual brasileira. Qual é a sua opinião sobre esta situação?

L.E. – Nenhuma. Cada um que ache o que bem entender. Se formos nos preocupar com o que pensam de nós, acabaremos não fazendo nada. As pessoas têm todo o direito de se expressar e, sinceramente, não acho que todo mundo deva concordar comigo ou gostar do que eu escrevo. Encaro essa situação com muita naturalidade. O dissenso faz parte da vida.

 

 9. Você, que já está neste mundo produtivo da literatura deste o início dos anos 90, enxerga algum avanço daquela época até os dias atuais, com relação ao pensamento da mídia e da sociedade em geral sobre a Literatura Popular Brasileira?

L.E. – Ah, sim. Muitos avanços. A sociedade, hoje, é muito mais aberta do que no início dos 90 e as oportunidades de externar opiniões, bem maiores. A internet, por exemplo, abriu canais preciosos de debates. Um contingente enorme de pessoas com coisas importantes a dizer e que não tinha como se expressar, hoje está visível. Numa circunstância assim, é mais fácil abordar com franqueza temas polêmicos, como é o caso da literatura de entretenimento, pois os interessados vão se manifestar e o debate se instalar de forma mais democrática, coisa que era difícil em 1993, quando eu estreei na literatura.

 

 10. Você tem vontade de ver algum dos seus livros adaptados para o cinema? Já recebeu alguma proposta do gênero?

L.E. – Juro que ainda não pensei nisso a sério. Mas quem sabe um dia? Não fecho as portas para nada.

 

11. Você tem algum conselho a dar para aos aspirantes a escritor que tenham suas estórias guardadas na gaveta, mas que ainda não tiveram coragem ou oportunidade para publicá-las?

Morte no ColégioL.E. – Não sou a pessoa mais indicada para dar conselhos. Mas eu diria: tenham paixão pela escrita, sejam autocríticos, saibam que escrever é trabalhar duro, persistam, ignorem as vozes que se levantarão para fazê-los desistir e domem a vaidade. Quando se tornarem conhecidos, sejam humildes. Reconheçam que existem e existiram milhões de escritores mundo afora, muitos com obras de altíssima qualidade. E respeitem seus colegas, ainda que não gostem de seus livros. Respeito nunca é demais e é algo que anda em falta nos dias de hoje, inclusive no mundo literário. Essa dica vale, também, para alguns autores renomados – jovens ou veteranos –, que se deixaram embriagar pelo ego e que, sem se dar conta, se transformaram em caricaturas patéticas de si mesmos.

 

Site oficial de Luis Eduardo Matta

Conheça melhor os livros do autor.

Fernando Meirelles discute a dificuldade de adaptar obras literárias

Postado por Rafael Cruz Em 11 de January de 2009

 Fernando Meirelles discute a dificuldade de adaptar obras literárias
difíceis de traduzir em imagens

Marcelo Lyra

Fernando MeirellesO diretor Fernando Meirelles firma-se no mercado internacional como
um grande adaptador de livros para o cinema, a difícil arte de
traduzir em imagens as idéias que foram elaboradas para ter sentido
por meio de palavras. Seu primeiro filme de repercussão mundial,
Cidade de Deus (2002), foi baseado no livro homônimo de Paulo Lins,
enquanto sua primeira produção internacional, o inglês O Jardineiro
Fiel (2005), foi baseado num best-seller de John Le Carré. Seu
trabalho recente, Ensaio Sobre a Cegueira, vem da obra homônima do
Nobel português José Saramago.

Nos três casos, as adaptações foram elogiadas, tanto pelos críticos
quanto pelos próprios autores. Meirelles não se considera um
adaptador de livros, mas sim um leitor voraz, que acaba se
apaixonando por muita coisa que lê.
- Quando gosto muito de um livro, fico com vontade de filmar.

Curiosamente, Ensaio Sobre a Cegueira foi o primeiro livro que
despertou seu interesse em filmar. Em 1997, bem antes de Cidade de
Deus, tentou comprar os direitos, mas a idéia foi barrada pelo
próprio Saramago, que considerava o livro impossível de filmar.
Assim, ele desistiu da idéia, fez Cidade de Deus e sua carreira
começou uma ascensão vertiginosa. Anos depois, na época das filmagens
de Jardineiro Fiel, foi procurado por um produtor canadense, que
havia adquirido os direitos do livro de Saramago e queria que ele
dirigisse a adaptação.

Nesta entrevista, Meirelles fala da arte de traduzir texto literário
em imagens e do prazer em adaptar um bom livro para o cinema,
destacando que sempre encontra enorme dificuldade no roteiro,
chegando a fazer mudanças no filme mesmo depois de encerradas as
filmagens.

Língua Portuguesa – Você está consagrado como um grande adaptador de
livros para o cinema. O que o leva a querer transformar um texto
escrito em imagens?
Fernando Meirelles – Eu não quero ser apenas um adaptador de livros.
Tenho alguns roteiros originais, mas ainda não estão prontos.
Acontece que eu leio muito e acabo me empolgando com certos livros.
Nos três últimos filmes foi assim. Em Ensaio Sobre a Cegueira, fui
convidado pelos produtores. Foi uma coincidência enorme, pois eu
gostava muito do livro e sonhava em adaptá-lo. Em 1997 eu havia
tentado comprar os direitos para o cinema, mas o Saramago nem quis
conversar. Adaptar um livro é sempre um desafio, pois, no livro, o
escritor conta a história, descreve cenários, coloca os pensamentos
na cabeça dos personagens… No cinema é tudo muito visual, a
história é contada pela ação dos personagens. Mas pretendo dirigir
roteiros originais, é só uma questão de tempo.

Cidade de Deus impressionava pelo verossímil retrato das favelas. Foi
um livro difícil de adaptar?
Cidade de Deus foi a adaptação mais tranqüila de todos os meus
trabalhos. O livro do Paulo Lins era puro acontecimento. Se
acontecimentos e cenas de ação geralmente já estão descritos nos
livros, a adaptação é relativamente simples. O que me atraiu no livro
foi descobrir aquela sociedade paralela, com suas regras, leis e
códigos éticos próprios. Em Ensaio Sobre a Cegueira, a sociedade
precisa recriar suas regras, diante de uma outra realidade.

No set de Ensaio sobre a Cegueira: insatisfação com narração que
tirava possibilidades de interpretação da história
Quais foram as mudanças do roteiro, comparando com o livro de Lins?
O roteiro do Bráulio Mantovani é bem livre em relação ao livro. O
Paulo Lins retrata muitos episódios, enquanto o roteiro do filme tem
uma estrutura mais coesa, com personagens centrais conduzindo a
trama. Mas o filme mantém a questão de colocar o ponto de vista da
favela, nos colocar na pele do morador, que o Lins mostrou. Em todos
os filmes que fiz, sempre fico às voltas com o roteiro, é difícil
ficar totalmente satisfeito. Cinema e literatura são linguagens muito
diferentes, cada uma com suas características próprias.

Em manuais de roteiro, uma página escrita equivale a 1 minuto de
ação. Como foi adaptar 600 páginas de O Jardineiro Fiel, de John Le
Carré, para um filme de 2 horas, que em tese usaria só 120 páginas?
A adaptação em si foi simples, já que, a exemplo de Cidade de Deus,
também é uma história totalmente apoiada em acontecimentos. De fato,
o livro é grande e tivemos de cortar muita coisa. Talvez o maior
problema aqui tenha sido como passar tanta informação, às vezes
técnica, sobre a indústria farmacêutica. Neste item, o livro é bem
melhor que o filme. Ensaio Sobre a Cegueira é um livro bem mais
curto, o que permitiu fazer uma trama bem mais fiel ao original.

Como foi a relação com o John Le Carré?
Ele acompanhou todo o processo. Tempos depois, já no lançamento do
filme, ele declarou que gostou muito do filme. Achava diferente de
sua obra, mas preservava o espírito e isso era bom.

Quais diferenças?
Na verdade elas existem mais em função dessa questão de ter de
cortar. O livro faz muitas críticas ao governo do Quênia, entra na
questão da corrupção. Nós preferimos centrar mais na questão da
indústria farmacêutica e nos acertos com o governo inglês.

Qual a dificuldade maior que você encontrou para traduzir em imagens
um livro que o próprio autor considerava difícil, com muitas
digressões e discussões filosóficas?
Apesar de o livro ser apoiado em muitas idéias abstratas, como é mais
comum em livros, ele possui uma trama muito interessante e foi a ela
que nos apegamos. As idéias abstratas e pensamentos são mais
complicados de ser traduzidos em imagens. As passagens onde há mais
história e ação são as mais tranqüilas para virar filme.

O filme parece tratar do individualismo, da prioridade do próprio
interesse (ou de seu grupo), na hora de sobreviver. Você concorda com
essa visão?
É uma história muito aberta e certamente essa é uma das leituras
possíveis. O filme fala como se reorganiza uma sociedade a partir do
princípio. Quanto o individual deve ceder ao coletivo. Tenho certeza
de que este é um tema que interessa a Saramago.

Quando o filme teve sua primeira exibição, no Festival de Cannes,
havia muito mais trechos de narração do Danny Glover. Consta que você
não ficou satisfeito e acabou cortando parte da narração. O que o
estava incomodando?
Desde a primeira montagem eu não estava satisfeito com a narração. O
problema é que fomos convidados para o festival de Cannes meio em
cima da hora e não houve tempo de dar uma última mexida. A narração
tinha muitos trechos textuais do livro, mas ao assistir na tela,
achei que ela estava conduzindo muito o espectador. O livro é tão
aberto a interpretações, e a narração tirava isso. Na última hora,
antes do lançamento mundial, resolvi tirar boa parte da narração. O
mais engraçado é que pouco antes de Cannes eu havia apresentado o
filme ao Saramago. Estava em dúvida quanto à narração e perguntei a
ele se deveria tirar. Ele me disse que o filme estava perfeito e eu
não deveria mudar nada. Mas depois não resisti e tirei parte da
narração. Nem contei a ele!

Para você, qual é o eixo central da narrativa de Ensaio sobre a
Cegueira, o motivo que o impulsionou a querer filmar?
Não há um eixo só. Meu interesse no livro foi mudando durante o
correr do processo. Comecei interessado em ver como uma sociedade tão
organizada como a nossa pode ruir de uma hora para outra. Com o
tempo, lendo o roteiro e já preparando as filmagens, fui ficando mais
interessado na psicologia dos personagens, em suas relações, em como
o sofrimento ajudou cada um a abrir os olhos. Eles não são heróis. A
mulher do médico, por exemplo, não é uma super-heroína de filme de
ação. Ela é uma pessoa que vai amadurecendo diante das circunstâncias.

O que um livro precisa ter para virar uma boa adaptação
cinematográfica?
Um livro tem de ter alguma idéia por trás, evidentemente. Boas cenas.
Boas imagens.

Existe algum livro que seria impossível de encenar?
Nada é impossível, em princípio, mas eu não me aventuraria a adaptar
um livro em que não haja uma trama a que me apegar.

Você mostrou facilidade ao traduzir em imagens coisas do Saramago
difíceis de filmar, como a longa questão do livro, em que Saramago
discute se a moça de óculos escuros é ou não prostituta. Você resolve
isso numa cena simples: o sujeito passa a mão nela, e ela o agride.
Intuimos que uma prostituta não se sentiria tão ofendida. Há mais
exemplos desse tipo de solução visual?
Gosto da imagem do casal de japoneses diante do muro, "olhando" para
a parede como se olhassem uma paisagem distante. Gosto do banho das
três mulheres no final do filme e como se conectam. Da mistura de
tristeza e felicidade quando todos ouvem a música no rádio.

O que considera inovador no cinema atual em se tratando de roteiro?
Honestamente, acho que desde o começo do século passado, com aqueles
russos como o Eisenstein,quase tudo já estava inventado no cinema. Só
ficamos recontando as mesmas histórias com um pouco mais de
tecnologia.

Se tem idéias para roteiros, como prefere expressá-las: por palavras
ou imagens, como o storyboard (quadrinhos seqüenciais)?
Não faço storyboards, mas uso referências de fotos, pinturas, outros
filmes e, claro, palavras.

Seus filmes se caracterizam por excelentes diálogos, em perfeita
sintonia com o meio que retratam, destacadamente Domésticas e Cidade
de Deus. O que caracteriza um bom diálogo?
Diálogos têm de parecer orgânicos na maneira como são escritos e na
maneira como são falados. Detesto diálogos em que se sente a presença
de um roteirista "inteligente" por trás ou da presença do ator.
Diálogos expositivos são o que há de pior num roteiro.

O que faz um bom roteiro?
Há muitos detalhes que fazem um bom roteiro. Idéias ou imagens que se
espelham em várias cenas dão corpo a um roteiro. Gosto quando um
roteiro me leva para um lado para onde não esperava ser levado.

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Rafael Cruz vive em Maricá-RJ, é cineasta, investidor, profissional de marketing, escritor, torce pro Fluminense, adora xadrez e uma boa partida de tênis.

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