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Arquivos da Categoria ‘Semana dos Autores’

O Menino do Pijama Listrado

É um grande erro desprezar-se o senso crítico do espectador de cinema. Porque, mesmo que não seja cinéfilo ou desconheça a linguagem cinematográfica, ele sabe muito bem quando um filme vai bem ou não.

O Menino do Pijama Listrado (The Boy in the Striped Pajamas), 2008, uma adaptação para o cinema do livro homônimo de John Boyne, que também assina o roteiro juntamente com o diretor Mark Herman, pode ser citado como exemplo. No início da exibição, ouvi alguém sussurrar com incredulidade atrás de minha poltrona algo que também havia me impactado, como uma ducha de água fria, logo no primeiro diálogo: “O filme é falado em inglês?”. A frustração da platéia era compreensível. O idioma alemão traria mais realismo ao filme. Juntamente com os cenários, figurinos e outros elementos, seria uma importante ponte para a verossimilhança, princípio basilar da linguagem do cinema e fundamental para a identificação das platéias.

Porém, essa não foi a única decepção. Uma breve análise revela personagens vazios e inverossímeis. A mãe, apesar de alemã e esposa de um alto integrante dos comandos nazistas, não somente chora pelos judeus como também se coloca contra o marido, entrando em depressão ao descobrir que ele é chefe de um campo de extermínio. Ele, o pai, é um personagem igualmente mal construído, fraco em demasia diante das relações familiares, mas não só ali. A relação com a mulher é extremamente frágil, sem a profundidade que o roteiro poderia ter explorado. Bruno, o filho, personagem central da trama, é o único entre os aqui citados, que apresenta uma construção aprofundada e progressiva. Ele tem um claro objetivo: ter um amigo naquele lugar para onde a família se muda. Porém, sua ingenuidade frente à questão dos judeus também soa duvidosa ao público, dado o contexto em que estava inserido. O menino acredita que o local que vê de sua janela na nova morada é uma fazenda que abriga fazendeiros de pijama listrado. Ali, encontra, sem que a família saiba, o pequeno Shmuel, um menino judeu com quem estabelece amizade entre as cercas eletrificadas do campo.

É interessante voltar a um ponto aqui exposto: o filme analisado é uma adaptação literária. No livro, tais licenças são aceitas, quando bem desenvolvidas, por fazerem parte da linguagem literária. Em cinema, além da verossimilhança pura, o princípio primeiro da identificação com o espectador, existe ainda a questão da verossimilhança intrínseca à própria linguagem de cinema. Por isso, entre outros, nos parece tão natural Indiana Jones correr de uma pedra imensa muito próxima a ele, sair intacto e ainda com seu eterno chapéu enterrado à cabeça. No caso de O Menino do Pijama Listrado, esperava-se mais intensidade de uma família alemã pertencente ao partido nazista e cujo patriarca é chefe de um campo de extermínio. Ou seja, literatura e cinema são duas artes distintas. O que bem funciona em uma delas, pode não funcionar na outra.

Porque o espectador aguarda o mergulho na tela, quer sentir-se inserido na história como se ela fora real, deseja estar em outros lugares, desligar-se de si ou reconectar-se por meio do lúdico e da impressão de realidade que só o cinema é capaz de fazê-lo.
 

Denise DuarteDenise Duarte é roteirista, professora de cinema e roteiro, tem especialização em roteiro para cinema e mestrado em teatro, editora do site Roteiros On Line e do blog Cinèma. Tem experiência em roteiros para tvs públicas, cinema e rádio.

Mas é de Verdade?! Mesmo?! – Antônio Machado

Postado por Rafael Cruz Em 5 de February de 2009

The Office

Em 2005, estreou na TV americana uma série bastante peculiar: tratava-se de “The Office”, versão homônima da série inglesa de 2001, sobre uma equipe de TV que acompanha o cotidiano dos funcionários de uma empresa de papéis onde trabalhar é uma atividade secundária. Apesar de algumas situações cômicas propositalmente caricaturais, a série apresentava personagens e situações bastante familiares: o chefe abobalhado Michael Scott; seu capacho Dwight Schrute; o irônico e competente vendedor Jim; a sub-aproveitada secretária Pam; a contadora seca e fria Angela, além de vários outros.

Como um de seus trunfos, “The Office” tem uma característica bastante incomum: diferentemente da ostensiva qualidade técnica apresentada no “Primetime” americano, a série é filmada de uma forma visualmente suja, com imagens eventualmente fora de foco, movimentos de câmera rápidos que nem sempre conseguem capturar a situação central da cena, câmeras invasivas, atores com falas improvisadas e personagens visivelmente incomodados com as filmagens. O tom naturalístico da atração chegou ao ponto em que diversos personagens foram batizados com os nomes de seus intérpretes: são assim os funcionários Oscar, Phyllis, Creed e Angela.

Em “The Office”, o tom documental evidencia ainda mais o cotidiano prosaico e entediado de seus personagens. Várias das situações são muito próximas da comicidade burocrática de um escritório: o conflito de egos entre subordinados, o funcionário bode expiatório, as piadas corporativas, o vai-e-vem amoroso de alguns colegas de trabalho… Já os momentos dramáticos ocorrem de uma maneira bastante sutil, em que geralmente o personagem se esconde para não mostrar seu lado mais frágil. É como se a câmera flagrasse um descuido, da mesma forma como geralmente descobrimos alguns segredos da moça da recepção ou do rapaz da xerox…

A série explora um gênero não muito experimentado pela TV, mas que vem ganhando bastante espaço nos últimos anos: o pseudo-documentário, ou “mockumentary”. Para dar maior veracidade à história, a narrativa constrói a ficção numa linguagem documental. Na telinha, além de “The Office”, exemplos mais recentes são os seriados “Arrested Development”, sitcom sobre as confusões de uma família, e “The Comeback”, filmada em forma de reality show, mostrando o cotidiano de uma atriz de TV tentando sair do ostracismo. No cinema, obras como “Zelig”, de Woody Allen, o fenômeno “A Bruxa de Blair” e até o cômico “Borat” se valeram de tal recurso.

Neste último, muitos dos entrevistados do jornalista do Cazaquistão não sabiam que aquilo se tratava de um filme.

Certa vez, o grande diretor Alfred Hitchcock disse: “Em filmes de ficção, o diretor é Deus. Nos documentários, Deus é o diretor”. E nos pseudo-documentários, quem seria quem?!

Antônio MachadoAntonio Machado se formou em Cinema na UFF e dirigiu o pseudo-documentário “Quem é Cézar?!
 

Sistema Educativo VS Atitude dos Alunos – Rui Madureira

Postado por Rafael Cruz Em 4 de February de 2009

Sistema Educativo

 

Já há algum tempo que vivo com a impressão de que algo vai mal com a juventude dos dias de hoje. Não me interpretem mal. Não pretendo aqui criticar a nova geração nem denegrir a sua imagem. Mas penso que algo vai mal, essencialmente no que concerne a educação. Cada vez mais assistimos a casos de rebeldia dos alunos nas escolas. Cada vez mais se tornam públicas as queixas de inúmeros professores, criticando a atitude dos alunos nas salas de aula e assumindo a falência do sistema de ensino. O filme “Entre les Murs”, actualmente nas salas de cinema portuguesas, vem mais uma vez realçar estes problemas e confirmar o meu pressentimento.


“Entre les Murs” é uma obra que reflecte sobre o sistema educativo em geral, e põe a nu a incapacidade e dificuldade dos professores na simples execução do seu trabalho. Esta obra passa-se numa escola francesa, mas acaba por ser um reflexo das escolas de todos os países designados como “desenvolvidos”. A ignorância dos alunos; a sua apatia e desinteresse pela escola; a sua necessidade de rebelião como forma de serem aceites pelo grupo de pares; tudo isto está presente neste filme e tudo isto é pertinente, sendo um reflexo da realidade.


Tendo isto como um facto consumado, de quem será a culpa? Do sistema educativo que simplesmente não funciona? Dos alunos que se demonstram cada vez mais desinteressados e mal-educados? Talvez a resposta correcta vá no sentido de ambas as partes assumirem a sua quota-parte da responsabilidade.
Por um lado, nunca me pareceu que a melhor forma de avaliar um aluno fosse a realização de inúmeros exames ao longo do ano, pois os alunos apenas estudam naquela semana e passado um mês já se esqueceram de tudo (comigo também era assim). Isto só prova que a avaliação de pessoas e capacidades humanas não pode ser medida através de números e médias. Mas também haverá outra forma de os avaliar?


Por outro lado, não podemos ignorar que na sociedade actual a atitude dos jovens face às regras e aos adultos (aos professores, portanto) deixa muito a desejar. Há cada vez mais desrespeito, apatia e rebeldia – tenhamos em conta que a série preferida dos jovens se chama “Geração Rebelde” e promove o estatuto dos bad-boys, enquanto os bons alunos são sempre os marrões com óculos e que não conquistam as miúdas… Talvez este seja o fruto de uma geração que tem uma liberdade excessiva, algo que nunca outra geração experimentou no passado.


“Entre les Murs” é um filme impressionante e é uma obra que reflecte sobre o estado da sociedade actual, e se preocupa com o seu futuro. Na minha opinião, temos razões para estar preocupados. E é por isso que “Entre les Murs” é um filme de visionamento OBRIGATÓRIO para alunos, professores, jovens, adultos, enfim – toda a gente. Deixo mesmo a sugestão de os professores realizarem visitas de estudo ao cinema com os seus alunos, no sentido de debaterem os temas presentes no filme. Pois acredito que, reflectindo em conjunto, a sociedade pode melhorar.

 

Rui Madureira é articulista do site Portal Cinema

 

Sangue, Pipoca e Amor – Daniel Matos

Postado por Rafael Cruz Em 3 de February de 2009

   Filosofia

   Desdos temos em que nos encontrávamos a comer insetos em cima de árvores, ou quanto fomos para os lagos tentar ser peixes, e por fim quando acabamos a correr desesperadamente pelos campos pintados de sangue a exterminar da face da terra qualquer coisa que aparentasse ser uma ameaça, o homem para atingir seu potencial necessitou de rituais imagéticos. Talvez ainda não tivéssemos desenvolvido a capacidade de reproduzir imagens em nossa cabeça, talvez só um ou outro indivíduo o tivesse, e o resto devesse ser domesticado dessa forma, mas a reprodução das imagens em movimento sempre foi necessária. Se você quisesse matar um grande animal, ou atravessar um rio infinito cheio de mistérios, você não o faria sem antes ter experienciado o evento através de imagens numa caverna, ou na areia da praia.

   Com o tempo, muito mais potencial foi encontrado nesse mecanismo. Templos, igrejas, o que hoje conhecemos meramente como instrumentos de mentes ilusórias para a adoração de deuses falsos, foram um dia muito mais: eram máquinas. Máquinas a serem usadas pelos melhores indivíduos da sociedade para alcançar em suas mentes, através de símbolos, imagens em seqüências a brilharem com luzes artificiais no meio de arquiteturas grandiosas, lugares, idéias, que nunca poderiam tocar em seu cotidiano entre os homens comuns numa existência abstrata a fingir-se de concreta.

    Chegamos então aos dias atuais, e a essa porta ainda aberta através do cinema, talvez ainda alguns anos antes dela ser por sua vez aberta por um fio diretamente em nosso córtex cerebral. Vivemos numa sociedade globalizada há mais ou menos uns dez mil anos, mas só agora as imagens em movimento começam a fluir de forma a criar uma chave, a dar a possibilidade da liberdade a qualquer indivíduo, que por acidente possa receber o fluxo de informação certo em sua cabeça. Não mais a liberdade está limitada a uma terceira geração de filhos de comerciantes e guerreiros, agora até aquela garoto sujo de sangue das entranhas de um porco, escondido em um porão, pode ter a chance de receber a informação certa que o colocará a caminho do infinito.

   Numa nação de escravos, infestada de subserviência, comportamento de vítima, de fracasso, o filme certo, para a pessoa certa, no momento certo, pode mudar tudo. Livros, quadros, músicas, não tem esse potencial. Talvez só histórias em quadrinhos tenham um potencial maior, porém talvez por isso mesmo acabem marginalizadas. E é claro, nem tudo tem um único lado, para cada novo indivíduo salvo, milhares são condenados a só servirem como veículo das fluxos inúteis de informação. Mas talvez esse seja o pagamento para alguns, em quantidade cada vez maior, não mais terem de abaixar a cabeça a reis, a ladrões de excelência, que só deveriam receber uma lamina em suas jugulares.

     É claro, porém que deve ser lembrado que o cinema é só uma chave. Uma chave que deve ser deixada na porta, após esta ter sido atravessada. A vida não foi feita para ser assistida. Após o ritual imagético inicial de nascimento, ela deve ser vivida. A existência só é entediante para o indivíduo entediante. Pois, qualquer um, em qualquer lugar, com a pessoa certa ao seu lado, com a motivação épica certa em seu interior, pode produzir uma verdade que nunca poderia ser tocada por uma imagem. 

Daniel Matos e dono do blog de cinema e música Epicentro Nervoso. Escritor e cineasta. Autor do livro Um Grito no Vazio para o Nada. E apresentador do programa Bossa-Rock Playmobil.
 

Fitas Passadas – António Martins Neves

Postado por Rafael Cruz Em 2 de February de 2009

 

Ambientalista Fernando,

 

 

Fitas Passadaso título da tua carta de ontem recordou-me o cinema que frequentei na infância e na adolescência, onde muitos filmes, que não via, nem podia, eram precisamente destinados a maiores de 18. Não seriam matanças de tartarugas, obviamente, mas uma das frases publicitárias do engenhoso gerente da sala era, lembro-me de ler, junto aos cartazes que anunciavam as fitas, “Não espere que lhe contem, venha ver com os seus próprios olhos”…

 


Mas a sala não exibia só filmes para adultos. Cobria toda a população, apesar de não passar películas todos os dias. Lembro que o primeiro filme que vi lá tinha um título cheio de actualidade. Cumprira seis anos quando me estrei a ver cinema com “O Ladrão de Bagdad”, que, ao contrário do que possa sugerir o título, se destinava a quem tivesse acima daquela idade e não era um relato de violência nem uma trama de terror ou drama violentos. Muitos épicos se seguiram, sempre às matinées de domingos ou feriados. Depois andava dias e semanas a reviver as aventuras do Bem-Hur ou a pensar como é que teria sido possível abrir-se assim o mar como mostrava “Os Dez Mandamentos”.

 


Ao contrário do que se possa imaginar de um cinema inaugurado, salvo erro, no inícios dos anos 70, era uma boa sala. Apenas meia dúzia de filas com cadeiras de pau, à frente, e todas as outras estofadas. As últimas duas, as mais caras, obviamente, até se designavam poltrona.
Num período áureo recordo-me que chegou a haver exibições às terças, quintas, sextas, sábados e domingos, neste casos duas sessões. A televisão estava longe de se impôr e o cinema impunha-se como um divertimento acessível. O preço mínimo eram 7,5 escudos. A selecção era exclusivamente comercial, mas era o que havia e “cinéfilos” não faltavam.

 


As fitas chegavam nas bobines, despachadas de Lisboa, nos autocarros da empresa então conhecida por “Belos”. Cheguei a ver várias vezes António P., o gestor da sala, ir buscá-las na sua motorizada velhinha com um pequeno reboque atrás. Parece que o estou a ver: entrava pela estação de camionagem dentro, como faziam os comerciantes com as viaturas que iam buscar as suas mercadorias, rátá, rátá, rátá, colocava a “máquina” no “descanso” e esperava que o empregado lhe passasse por cima do pequeno balcão as caixas metálicas circulares que acomodavam as fitas. Logo ali António P., um publicitário nato, aproveitava para ir arregimentando espectadores, anunciando as “maravilhas” que iam nas latas.

 


Depois, tinhao hábito que nunca vi em mais nenhuma sala, de nos intervalos de um filme aproveitar para a anunciar o programa da semana seguinte: “Sábado, um grande filme de kung-fu e karaté…”, dizia ele com a maior convicção do mundo. Películas que exibisse tinham sempre a “sua” classificação paralela à da comissão de espectáculos. “Domingo, mais um magnífico filme com os irmãos trinitás”, ouvi-o anunciar muitas vezes.

 


Quando, muitas vezes no melhor da acção, a exibição parava e caía um slide vermelho a dizer “segue imediatamente” era certo e sabido que a fita se partira e era preciso remendá-la. Umas vezes mais rápidas, outras mais lentas, o projeccionista lá soldava o celulose e o filme arrancava de novo.

 


Podia-te contar-te dezenas de histórias que presenciei e algumas em que fui protagonista, mas como isto é uma singela carta, vou relatar-te apenas uma, mas daquelas que, costumamos dizer, levarei para a cova, porque nunca esquecerei.
Seria seguramente pelo menos adolescente (para ter podido entrar), quando subiu a cartaz o célebre “Cristiane F.”, um filme-choque para a altura – eu incluído – que abordava um fenómeno pouco conhecido da plateia: a droga. Muito menos as suas consequências mais nefastas.

 


Acontece que por esses anos a comunidade nómada cigana que regularmente passava na terra tinha quase o “vício” de ir ao cinema. Viam tudo o que passasse. Coisa estranha porque a grande maioria deles era analfabeta. Praticamente só os filhos dos que se haviam sedentarizado frequentavam a escola. Mas eles lá iam. Não liam as legendas, mas deviam tirar umas pelas outras e conseguiam entender o essencial da história, quando havia. Claro que os mais apetecidos eram os de pancaria de cabo a rabo. Até as mulheres da comunidade, tradicionalmente pouco dadas a espectáculos públicos, eram frequentadoras da sala aos domingos à tarde para ver os dramas indianos, aquelas histórias de amor que as encantavam até à exaustão e que estavam por essa época do apogeu em Portugal.

 


Voltando ao “Cristiane F.”, que também deves ter visto pela mesma altura, a sala, confortável e sempre a temperatura agradável, nesse dia parecia estar gélida. Tudo aquilo que os olhos absorviam do largo écran era um pesadelo. Não se ouvia uma mosca, um comentário, uma tossidela, nada! Cumpria-se esse silêncio quase fúnebre – porque não se ouvia choro – quando surge a cena em que o namorado da protagonista, que se prostituía para arranjar dinheiro para a droga, vai para a cama com outro homem. Tenho ideia que as cenas eram muito dissimuladas mas a situação não escapou a ninguém. E um dos habituais frequentadores da sala quando armavam barraca na vila quebrou o tal silêncio arrepiante com uma tirada que, acho eu, pelo inesperado e pelo tom alto, fez toda a plateia dar um salto na cadeira: “Hããiiiii. Ê nã te dizia?? Todo o homem que toma drogas é panelero!!!!”

 


“Schiu”, “cala-te”, “pouco barulho”, a confusão instalada, acende-se a lanterna de António P., atentíssimo de cada vez que alguém fazia algum barulho mais a despropósito, restabelece-se a normalidade e o silêncio. Passados poucos minutos, intervalo. O cinema tinha vários espaços de fumo, incluía até a possibilidade de sair para a rua (com um cartão) e até um bar, a meias com um dos cafés mais chiques da localidade. Dispunha de um “hall” junto das amplas casas de banho, onde a necessidade me chamou naquela noite, e ainda bem, para ouvir o desenrolar da história iniciada com o desabafo do espectador em pleno filme. Dizia um amigo do incontido comentador, em tom crítico: “Olha láaa, mas tu quando experimentaste [droga] não disseste nada disso”. Resposta pronta do outro: “Poi não! Porque disseram-me que aquilo era doce…”

 

Um cinéfilo abraço.

António Martins Neves, autor do Atlântico Expresso, 43 anos, jornalista profissional desde 1990. Trabalhou do Diário Popular, Agência Lusa, Portugal Diário e voltou à agência noticiosa portuguesa, onde permanece. Gosta das palavras, das histórias que constroem e está convicto que só se vive mesmo uma vez. Mas o mundo perdurará e será aquilo que as pessoas quiserem. 

 

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Rafael Cruz vive em Maricá-RJ, é cineasta, investidor, profissional de marketing, escritor, torce pro Fluminense, adora xadrez e uma boa partida de tênis.

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