Antes de começar a falar sobre o filme propriamente, é importante dizer que as minhas expectativas para tal eram bem baixas, e admito que isso se deve em grande parte a um certo preconceito, pois achei a escolha de Débora Secco para o papel equivocada. E explico, não acho que ela seja uma atriz ruim, mas achava que para o papel ser crível talvez fosse melhor escolher alguém que tivesse a imagem um pouco menos explorada pela mídia. Depois de assistir ao filme, no entanto, tenho que admitir, errei. Débora, que já está na casa dos 30, consegue convencer na pele de Raquel Pacheco que aos 17 anos saiu de casa e virou a prostituta Bruna Surfistinha.
.jpg)
O filme é baseado no livro ‘’O doce veneno do Escorpião’’, em que ela relata suas experiências durante os anos em que se prostituiu, dos 17 aos 20. A história já é bem conhecida pelo público, uma vez que Raquel Pacheco um blog com o nome de guerra e chegou a participar de vários programas de auditório na época de lançamento do livro.
Como trata-se de uma história muito conhecida pelo público achava difícil que o filme conseguisse acrescentar algo ou dar uma visão diferente sobre o assunto. Contudo, novamente me enganei, a direção do longa-metragem assinada pelo estreante Marcus Baldini, concede uma certa sensibilidade a realidade vivida pela personagem, porém sem torná-la vítima, já que a postura dela nunca é esta também. Ainda que Raquel não tivesse dimensão do que estava fazendo, e nem conhecimeto das marcas que suas escolhas pudessem deixar, ela assume completamente a responsabilidade dos seus atos. Claro que isso a torna um pouco cínica durante uma boa parte do filme, cinismo este que a faz resistir e aguentar as consequências de sua escolhas e não deixa o filme cair no sentimentalismo, comum nos filmes que retratam a prostituição.
Algumas pessoas podem reclamar das cenas de sexo ou do excesso delas, mas não há o que contestar, visto que trata-se do ofício da protagonista e, portanto, não há como colocá-las em segundo plano. As cenas são bem cruas e realistas e a quantidade mostra o quão banal torna-se o sexo para aqueles que fazem dele o seu ganhã-pão. E são tantas as cenas que o público, assim como a protagonista acaba-se acostumando.
.jpg)
O elenco todo é bom. Débora Secco está muito bem no papel e faz de Raquel uma sobrevivente, e não uma heroína. A verdade é que ela interpreta duas personagens: Bruna e Raquel. As duas por vezes se confundem. E sim, ela consegue fazer o público esquecer de quem ela é. Além dela, os outros destaques são Drica Moraes, que faz a cafetina Larissa e Fabíula Nascimento que faz uma das amigas de Raquel. Ambas fazem parte de um núcleo mais cômico do filme e deixam a história um pouco mais leve.

A história começa como um drama, intriga o público, passa pela e comédia e envolve as pessoas, para depois concluir como um drama. Tudo isso pontuado por uma excelente trilha sonora, ainda que eu não goste muito do momento em que Fake Plastic Trees, do Radiohead aparece. Não acho que a música era pertinente ao momento em que foi inserido, apesar de entender a escolha.
Contudo, Bruna Surfistinha é um bom filme, com um bom roteiro, uma edição competente, uma trilha sonora eficiente e uma ótima interpretação de Débora Secco.
Filme: Bruna Surfistinha (2011)
Diretor: Marcus Baldini
Elenco: Deborah Secco, Cássio Gabus Mendes, Drica Moraes, FabÍula Nascimento, Cris Lago, Erika Puga, Simone Illiescu e Brenda Ligia