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Desaparecidos, o primeiro filme de terror transmídia do Brasil estreia hoje

Postado por Rafael Cruz Em 9 de December de 2011

DesaparecidosEstreia hoje nos cinemas de todo o país o filme Desaparecidos, do diretor David Schurmann, o primeiro filme transmídia do país. O filme conta a história de seis amigos que foram a uma festa VIP em Ilhabela (SP), na qual todos ganharam uma câmera para filmar a festa. Os seis amigos desapareceram e só suas câmeras foram encontradas, com imagens que mostram tudo que aconteceu antes do desaparecimento. O filme é transmídia pois não se restringe apenas ao cinema, ele aconteceu na internet e em outras mídias antes mesmo de ser gravado!

Conheça mais sobre o universo do filme e saiba os cinemas onde você pode assistir “Desaparecidos” no site!

Trailer Oficial:

Só eu achei o filme MUITO parecido com “Bruxa de Blair”???

Reencontrando a Felicidade

Postado por Amanda Jordão Em 5 de April de 2011
reencontrando-a-felicidade

 

Mais uma tradução infeliz de título e que engana o público quanto ao teor da história. Trata-se de um drama em que o casal Becca Corbett (Nicole Kidman) e Howie Corbett  (Aaron Eckhart) estão tentando aprender a lidar com o luto pela morte precoce do filho que não chegou a completar 4 anos.

 

É um tema dificílimo e por vezes banalizado no cinema, mas não aqui, e os personagens não estão tentando reencontrar a felicidade como sugere o título em português, eles estão apenas tentando viver sem serem sucumbidos pela dor e sem destruir a relação de marido e mulher.

 


 

 

O filme se concentra no cotidiano dos personagens e na incessante busca deles pela normalidade. Cada um possui uma maneira diferente de lidar com o luto. Howie encontra conforto em uma nova amizade, e nas pequenas lembranças que o filho deixou espalhadas pela casa. Enquanto isso, Becca encontra-se constantemente no parque com o adolescente Jason, que dirigia o carro que fatidicamente atropelou seu filho enquanto ele corria atrás do cachorro.
 

Na busca pela melhor forma de lidar com o luto, eles entram em conflito. Howie quer que as coisas do filho fiquem na casa, os desenhos, os brinquedos, tudo. Já Becca prefere mudar dali, pois considera doloroso demais ver as digitais do filho pelos móveis da casa. Além disso, o marido insiste para que a esposa busque algum tipo de ajuda já que esta reage com uma certa agressividade quando alguém fala da tragédia.

 


 

 

Tudo isso mostrado com uma estética bem simples, com a fotografia e o figurino em tons pastéis, filme ambientado num típico subúrbio americano, nada deve chamar mais atenção do que a história e tudo é feito para que o espectador se identifique com os personagens e pense: ‘’Sim, eu conheço alguém assim’’. Os diálogos são muito bem construídos e facilitam esta identificação, destaque para as cenas em que Becca conversa com sua mãe, vivida pela atriz Dianne Wiest.
 

 

Todos os atores estão muito bem, principalmente Nicole Kidman, Aaron Eckhart e Dianne Wiest. E mesmo com um tema doloroso como este, o filme consegue ter os seus momentos engraçados e se manter espirituoso até o final. A cena do acidente que matou o filho Danny nunca é mostrada, afinal não importa como ele morreu, e sim que ele morreu. Assim como o fato de que não há a melhor maneira de se lidar com este tipo de dor. Não há um jeito certo ou errado de lidar com o nunca mais, principalmente quando a suposta ordem natural das coisas se altera. E como diz a personagem de Wiest, em algum momento torna-se suportável.

 


 

 

Reencontrando a felicidade – título original Rabbit Hole
Ano: 2010
Diretor: John Cameron Mitchell
Elenco: Nicole Kidman, Aaron Eckhart, Dianne Wiest, Miles Teller, Sandra Oh
Lançamento no Brasil: 06/05

Bruna Surfistinha

Postado por Amanda Jordão Em 28 de March de 2011
bruna-surfistinha

 

 

Antes de começar a falar sobre o filme propriamente, é importante dizer que as minhas expectativas para tal eram bem baixas, e admito que isso se deve em grande parte a um certo preconceito, pois achei a escolha de Débora Secco para o papel equivocada. E explico, não acho que ela seja uma atriz ruim, mas achava que para o papel ser crível talvez fosse melhor escolher alguém que tivesse a imagem um pouco menos explorada pela mídia. Depois de assistir ao filme, no entanto, tenho que admitir, errei. Débora, que já está na casa dos 30, consegue convencer na pele de Raquel Pacheco que aos 17 anos saiu de casa e virou a prostituta Bruna Surfistinha.

 

 

 

O filme é baseado no livro  ‘’O doce veneno do Escorpião’’, em que ela relata suas experiências durante os anos em que se prostituiu, dos 17 aos 20. A história já é bem conhecida pelo público, uma vez que Raquel Pacheco um blog com o nome de guerra e chegou a participar de vários programas de auditório na época de lançamento do livro.

 

Como trata-se de uma história muito conhecida pelo público achava difícil que o filme conseguisse acrescentar algo ou dar uma visão diferente sobre o assunto. Contudo, novamente me enganei, a direção do longa-metragem assinada pelo estreante Marcus Baldini, concede uma certa sensibilidade a realidade vivida pela personagem, porém sem torná-la vítima, já que a postura dela nunca é esta também. Ainda que Raquel não tivesse dimensão do que estava fazendo, e nem conhecimeto das marcas que suas escolhas pudessem deixar, ela assume completamente a responsabilidade dos seus atos. Claro que isso a torna um pouco cínica durante uma boa parte do filme, cinismo este que a faz resistir e aguentar as consequências de sua escolhas e não deixa o filme cair no sentimentalismo, comum nos filmes que retratam a prostituição.

 

Algumas pessoas podem reclamar das cenas de sexo ou do excesso delas, mas não há o que contestar, visto que trata-se do ofício da protagonista e, portanto, não há como colocá-las em segundo plano. As cenas são bem cruas e realistas e a quantidade mostra o quão banal torna-se o sexo para aqueles que fazem dele o seu ganhã-pão. E são tantas as cenas que o público, assim como a protagonista acaba-se acostumando.

 


 

 

O elenco todo é bom. Débora Secco está muito bem no papel e faz de Raquel uma sobrevivente, e não uma heroína. A verdade é que ela interpreta duas personagens: Bruna e Raquel. As duas por vezes se confundem. E sim, ela consegue fazer o público esquecer de quem ela é. Além dela, os outros destaques são Drica Moraes, que faz a cafetina Larissa e Fabíula Nascimento que faz uma das amigas de Raquel. Ambas fazem parte de um núcleo mais cômico do filme e deixam a história um pouco mais leve.

 

 

A história começa como um drama, intriga o público, passa pela e comédia e envolve as pessoas, para depois concluir como um drama.  Tudo isso pontuado por uma excelente trilha sonora, ainda que eu não goste muito do momento em que Fake Plastic Trees, do Radiohead aparece. Não acho que a música era pertinente ao momento em que foi inserido, apesar de entender a escolha.

 

 

Contudo, Bruna Surfistinha é um bom filme, com um bom roteiro, uma edição competente, uma trilha sonora eficiente e uma ótima interpretação de Débora Secco.

 

 

Filme: Bruna Surfistinha (2011)

Diretor: Marcus Baldini

Elenco: Deborah Secco, Cássio Gabus Mendes, Drica Moraes, FabÍula Nascimento, Cris Lago, Erika Puga, Simone Illiescu e Brenda Ligia

 

 

 

Não me Abandone Jamais

Postado por Amanda Jordão Em 21 de March de 2011
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 Entre todos os filmes que eu já comentei aqui no blog, esse possivelmente é o mais complexo. Isso porque alguns dos aspectos mais importantes da história não podem ser contados e são essenciais para a compreensão e para entender significado da obra.
 

Trata-se de um daqueles filmes que se você souber ”aquilo” estraga a experiência, então está será uma crítica um tanto quanto superficial, pois eu não pretendo estragar o prazer da descoberta para os meus possíveis leitores. É um segredo que é revelado lá pela metade e que explica a história. Não darei mais detalhes. 

 


 

 

O filme é baseado no livro do autor Kazuo Ishiguro, o mesmo de Vestígios do Dia, que também virou filme em 1993. A história de Não me abandone jamais é sobre 3 jovens que vivem no colégio interno de Hailsham. Desde o início já é possível perceber que há algo de muito estranho com a escola. Os alunos são vigiados e inspecionados o tempo todo. São ensinados a como se comportar. Aos poucos eles descobrem que na verdade a missão deles ali é um tanto quanto infeliz, assim como o destino deles. Em nenhum momento eles se rebelam contra aquilo que lhes espera, mas há uma tristeza pungente que acompanha toda a narrativa que segue a vida dos personagens desde crianças até a vida adulta. É um drama com ficção científica.
   

Além disso, há um triângulo amoroso entre os três jovens vividos por Carey Mulligan,  Keira Knightley e Andrew Garfield. Contudo, se eu contar mais que isso, estraga a surpresa do filme. Basta dizer que o diretor Mark Romanek acertou a mão. O filme é delicado, poético e triste, lento na medida certa, sem ficar chato.

 

 

 É uma história que obriga o espectador a pensar na desumanidade com os avanços tecnológicos e as consequências que isso terá no futuro. O filme faz isso de maneira não explícita ou sentimentalista, é justamente a desumanização dos personagens que nos leva a refletir sobre isso. Tal como a desumanização, a inevitabilidade da morte também é um tema muito forte no filme. Mesmo sabendo que esta chegará para todos, será que só aqueles que têm o seu fim já datado sentem que o tempo aqui não é suficiente?
 

Enfim, são questões que o filme levanta e não responde, pois as respostas dependem da visão que cada um tem do mundo, é suficiente dizer que é uma história contada com muita sensibilidade e originalidade. Vale uma ida ao cinema.

 


 

Aurora, uma Sinfonia para Duas Pessoas

Postado por Rafael Cruz Em 29 de October de 2010

Tudo começa num triângulo amoroso. O corrompimento da moral, através de um pedido maquiavélico da amante, faz o personagem principal (Anses) entrar num profundo conflito interno. Será que seus valores pessoais falarão mais alto do que o seu desejo pecaminoso?
 

 

É importante ressaltar a atuação magnífica dos personagens centrais. Na verdade não só eles, mas de todo o elenco que soube se posicionar, obedecendo o feeling de cada momento do filme, sem os tradicionais exageros caricatos dos filmes mudos. A densidade das interpretações me impressionou muito, a ponto de, por vezes, eu entrar de cabeça nas cenas e sentir o que o personagem sentia, ou pensava.

 

Aurora, de Murnau

 

Aurora, de Friedrich Wilhelm Murnau é um daqueles filmes que marcam. Que é difícil esquecer depois de tê-lo visto. E não me refiro apenas a maravilhosa fotografia, com planos minuciosamente bem imaginados, mas sim a toda a emoção presente do início ao fim. Quando falo em emoção, digo no mais amplo sentido da palavra. Mesmo nos momentos de grande irreverência e leveza, passando pelos densos conflitos psicológicos de Anses e culminando em maravilhosas sequências de grande tensão e expectativa.

 

Apesar do filme ter ultrapassado as minhas expectativas, em se tratando de Murnau não podemos esperar qualquer filme, afinal não é à toa que este diretor foi considerado com Fritz Lang e Ernst Lubitsch um dos maiores realizadores alemães de todos os tempos. 

 

Ainda é possível encontrar o filme Aurora, de Murnau no Submarino. Não vi em outros lugares. Então, se deseja um exemplar desta obra de arte, corra e garanta já o seu enquanto dá.
 

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Rafael Cruz vive em Maricá-RJ, é cineasta, investidor, profissional de marketing, escritor, torce pro Fluminense, adora xadrez e uma boa partida de tênis.

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