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Tudo Pelo Poder

Postado por danieligby Em 3 de February de 2012
(The Ides of March – 2011 – EUA)
Direção: George Clooney
Roteiro: George Clooney, Grant Heslov e Beau Willimon (baseado em sua peça)
Elenco: Ryan Gosling, George Clooney, Philip Seymour Hoffman, Paul Giamatti, Evan Rachel Wood, Marisa Tomei, Jeffrey Wright, Max Minghella, Jennifer Ehle, Gregory Itzin, Michael Mantell
O governador democrata Mike Morris é, sem dúvida, a pessoa ideal para assumir a presidência americana. Não se prendendo a religião ou a guerras causadas por seus antecessores, e descontente com a atual administração, o candidato segue uma linha de pensamento completamente diferente da mentalidade contemporânea do país. Interpretado por George Clooney o personagem, porém, é apenas um coadjuvante em uma história que envolve ética, manipulação, traição, morte e, é claro, política.
O verdadeiro protagonista é Stephen Meyers (Ryan Gosling), assessor de campanha de Morris e um de seus homens de confiança na reta final das primarias presidenciais – uma espécie de pré-eleição, que decide qual candidato do partido vai concorrer à presidência. A corrida está acirrada entre Morris e o senador Pullman (Michael Mantell), e é praticamente certo que o vencedor do estado de Ohio será o sairá vitorioso das primarias. Para isso, Paul Zara (Philip Seymour Hoffman), outro assessor de Morris, tenta conseguir o apoio do senador Thompson (Jeffrey Wright) para que esse use sua influencia a seu favor. Enquanto isso, Meyers passa a ser sondado por Tom Duffy (Paul Giamatti), assessor de Pullman, que enxerga o talento do garoto e quer fazê-lo mudar de lado.
Porém o jovem “casado com a campanha” não esconde em nenhum momento a admiração que tem por Morris, o que faz com que seu trabalho não seja uma obrigação, mas uma luta pessoal por um mundo melhor. Como um fã em frente ao seu ídolo, o carismático Ryan Gosling é bem sucedido ao dar um ar inocente e juvenil que o papel requer. Apesar de experiente, o seu Meyers não tem a vivência que seus colegas têm e não parece compreender direito como gira aquele mundo: em certo momento ele questiona uma repórter (Marisa Tomei) que está prestes a publicar uma matéria que pode prejudicá-lo “Eu pensei que nós fossemos amigos”, sem entender a relação de co-dependência estabelecida entre os dois.
E quando um escândalo sexual ameaça vir à tona, as máscaras começam a cair. Curiosamente, a medida que entramos – junto com o protagonista – no submundo da política, o longa toma um ar muito similar aos filmes de máfia. Os assessores se tornam a família e fazem de tudo para se protegerem, enquanto os oponentes (família rival) exploram cada ponto fraco dos seus inimigos. Os figurinos tornam-se mais pesados e o clima mais sombrio. Há inclusive uma referência ao Poderoso Chefão, em uma cena que mostra, perto do final, um banco vazio – substituindo a poltrona de Don Corleone.
Baseado na peça de Beau Willimon, o roteiro – escrito pelo próprio autor, em parceria com George Clooney e Grant Heslov – não tem medo de abordar temas polêmicos ao mostrar o candidato em calmas entrevistas – em que afirma ser contrário à pena de morte, mas também não hesita em dizer que se um membro de sua família fosse assassinato, ele mataria a pessoa responsável; não deixando ao Estado o ato de instituir sua vingança (“o Estado tem que ser melhor que o indivíduo”) –; ou em calorosos debates – “Como acabar com a guerra ao terror? Não precisando mais do produto deles”.
Fazendo uma direção segura e sem grandes arroubos, Clooney investe em criar uma narrativa simples e de fácil compreensão para o público médio, não acostumado com o tema. Tudo Pelo Poder é um excelente exemplo de um cinema adulto, inteligente e de qualidade.

Breve conceito fragmentado do Cinema Francês

Postado por marciafreddy Em 30 de January de 2012
É intrigante que um movimento tão amplo como a própria Nouvelle Vague tenha delegado somente a um único filme (Os Incompreendidos) desde os anos 50, quando diversos diretores  aderiram as novas concepções de ser fazer cinema (Foi em Cannes que o mesmo receberá tal reconhecimento sendo 59  considerado o marco de seu início). Sabemos que a escolha gerou uma importante reflexão por “proporcionar” um repensar do próprio presente artístico, porém sob os olhares do passado a partir das diversas modificações ocorridas posteriormente.
Atualmente são Jean-Luc Godard e Agnes Varda que sustentam uma nova estética, em um outro suporte: o vídeo. Godard, por exemplo, foi tão a fundo em seu próprio trabalho que o mesmo se tornou referência no meio, assim como Varda e seus interessantes vídeos ecléticos, que circulam em diversas mostras e bienais de arte.  O vídeo francês vai muito bem obrigado nas mãos desses dois idealizadores que, por uma estranha razão, expandiram o sentido do cinema autoral presente na própria Nouvelle Vague, elevando-o para uma amplitude sem limites que até o próprio cinema jamais imaginou. De qualquer forma, o assunto em questão é outro e é nele que retrataremos brevemente aqui.
O momento é pertinente se pensarmos na própria situação do cinema francês, que de uns tempos para cá, se configura de tal maneira que o seu foco passa a ser totalmente universal. O mais interessante disso tudo é que os propulsores do movimento, os chamados jovens rebeldes, se opuseram a estética firmada pela própria história do cinema, propondo assim grandes alterações no modelo inicial.
Em termos de nomes, obviamente não mudou muito. Na verdade os então garotos dos anos 60 se tornaram homens maduros de 60 anos. Hoje, por exemplo, são eles que continuaram e continuam a cena do cinema: Claude Leouch, Claude Chabrol, Eric Rohmer, Phillip Garrel, etc.  Existem, claro, diretores que seguem a proposta, porém, apresentando uma estética mais aquém do movimento cinematográfico.
Em tempos de Nouvelle Vague, era regra geral da criação artística que filmes deveriam ser pessoais, semelhantes aos seus idealizadores, expressando nitidamente suas buscas estéticas, garantindo uma grande variedade de filmes e estilos, cujas diferenças se sobressaiam com aquela pregada pela própria indústria cinematográfica.  Por conta disso que os filmes eram feitos em áreas externas, com bastante improvisos, montagem não linear, etc.
Felizmente hoje é possível notar esse conceito em diversos filmes, desses respeitáveis idealizadores, com uma interessante semelhança, assim como uma importante contemporaneidade que surpreendentemente se firmou, fazendo com que o próprio cinema francês se torne o único do meio.

Desaparecidos, o primeiro filme de terror transmídia do Brasil estreia hoje

Postado por Rafael Cruz Em 9 de December de 2011

DesaparecidosEstreia hoje nos cinemas de todo o país o filme Desaparecidos, do diretor David Schurmann, o primeiro filme transmídia do país. O filme conta a história de seis amigos que foram a uma festa VIP em Ilhabela (SP), na qual todos ganharam uma câmera para filmar a festa. Os seis amigos desapareceram e só suas câmeras foram encontradas, com imagens que mostram tudo que aconteceu antes do desaparecimento. O filme é transmídia pois não se restringe apenas ao cinema, ele aconteceu na internet e em outras mídias antes mesmo de ser gravado!

Conheça mais sobre o universo do filme e saiba os cinemas onde você pode assistir “Desaparecidos” no site!

Trailer Oficial:

Só eu achei o filme MUITO parecido com “Bruxa de Blair”???

Reencontrando a Felicidade

Postado por Amanda Jordão Em 5 de April de 2011
reencontrando-a-felicidade

 

Mais uma tradução infeliz de título e que engana o público quanto ao teor da história. Trata-se de um drama em que o casal Becca Corbett (Nicole Kidman) e Howie Corbett  (Aaron Eckhart) estão tentando aprender a lidar com o luto pela morte precoce do filho que não chegou a completar 4 anos.

 

É um tema dificílimo e por vezes banalizado no cinema, mas não aqui, e os personagens não estão tentando reencontrar a felicidade como sugere o título em português, eles estão apenas tentando viver sem serem sucumbidos pela dor e sem destruir a relação de marido e mulher.

 


 

 

O filme se concentra no cotidiano dos personagens e na incessante busca deles pela normalidade. Cada um possui uma maneira diferente de lidar com o luto. Howie encontra conforto em uma nova amizade, e nas pequenas lembranças que o filho deixou espalhadas pela casa. Enquanto isso, Becca encontra-se constantemente no parque com o adolescente Jason, que dirigia o carro que fatidicamente atropelou seu filho enquanto ele corria atrás do cachorro.
 

Na busca pela melhor forma de lidar com o luto, eles entram em conflito. Howie quer que as coisas do filho fiquem na casa, os desenhos, os brinquedos, tudo. Já Becca prefere mudar dali, pois considera doloroso demais ver as digitais do filho pelos móveis da casa. Além disso, o marido insiste para que a esposa busque algum tipo de ajuda já que esta reage com uma certa agressividade quando alguém fala da tragédia.

 


 

 

Tudo isso mostrado com uma estética bem simples, com a fotografia e o figurino em tons pastéis, filme ambientado num típico subúrbio americano, nada deve chamar mais atenção do que a história e tudo é feito para que o espectador se identifique com os personagens e pense: ‘’Sim, eu conheço alguém assim’’. Os diálogos são muito bem construídos e facilitam esta identificação, destaque para as cenas em que Becca conversa com sua mãe, vivida pela atriz Dianne Wiest.
 

 

Todos os atores estão muito bem, principalmente Nicole Kidman, Aaron Eckhart e Dianne Wiest. E mesmo com um tema doloroso como este, o filme consegue ter os seus momentos engraçados e se manter espirituoso até o final. A cena do acidente que matou o filho Danny nunca é mostrada, afinal não importa como ele morreu, e sim que ele morreu. Assim como o fato de que não há a melhor maneira de se lidar com este tipo de dor. Não há um jeito certo ou errado de lidar com o nunca mais, principalmente quando a suposta ordem natural das coisas se altera. E como diz a personagem de Wiest, em algum momento torna-se suportável.

 


 

 

Reencontrando a felicidade – título original Rabbit Hole
Ano: 2010
Diretor: John Cameron Mitchell
Elenco: Nicole Kidman, Aaron Eckhart, Dianne Wiest, Miles Teller, Sandra Oh
Lançamento no Brasil: 06/05

Bruna Surfistinha

Postado por Amanda Jordão Em 28 de March de 2011
bruna-surfistinha

 

 

Antes de começar a falar sobre o filme propriamente, é importante dizer que as minhas expectativas para tal eram bem baixas, e admito que isso se deve em grande parte a um certo preconceito, pois achei a escolha de Débora Secco para o papel equivocada. E explico, não acho que ela seja uma atriz ruim, mas achava que para o papel ser crível talvez fosse melhor escolher alguém que tivesse a imagem um pouco menos explorada pela mídia. Depois de assistir ao filme, no entanto, tenho que admitir, errei. Débora, que já está na casa dos 30, consegue convencer na pele de Raquel Pacheco que aos 17 anos saiu de casa e virou a prostituta Bruna Surfistinha.

 

 

 

O filme é baseado no livro  ‘’O doce veneno do Escorpião’’, em que ela relata suas experiências durante os anos em que se prostituiu, dos 17 aos 20. A história já é bem conhecida pelo público, uma vez que Raquel Pacheco um blog com o nome de guerra e chegou a participar de vários programas de auditório na época de lançamento do livro.

 

Como trata-se de uma história muito conhecida pelo público achava difícil que o filme conseguisse acrescentar algo ou dar uma visão diferente sobre o assunto. Contudo, novamente me enganei, a direção do longa-metragem assinada pelo estreante Marcus Baldini, concede uma certa sensibilidade a realidade vivida pela personagem, porém sem torná-la vítima, já que a postura dela nunca é esta também. Ainda que Raquel não tivesse dimensão do que estava fazendo, e nem conhecimeto das marcas que suas escolhas pudessem deixar, ela assume completamente a responsabilidade dos seus atos. Claro que isso a torna um pouco cínica durante uma boa parte do filme, cinismo este que a faz resistir e aguentar as consequências de sua escolhas e não deixa o filme cair no sentimentalismo, comum nos filmes que retratam a prostituição.

 

Algumas pessoas podem reclamar das cenas de sexo ou do excesso delas, mas não há o que contestar, visto que trata-se do ofício da protagonista e, portanto, não há como colocá-las em segundo plano. As cenas são bem cruas e realistas e a quantidade mostra o quão banal torna-se o sexo para aqueles que fazem dele o seu ganhã-pão. E são tantas as cenas que o público, assim como a protagonista acaba-se acostumando.

 


 

 

O elenco todo é bom. Débora Secco está muito bem no papel e faz de Raquel uma sobrevivente, e não uma heroína. A verdade é que ela interpreta duas personagens: Bruna e Raquel. As duas por vezes se confundem. E sim, ela consegue fazer o público esquecer de quem ela é. Além dela, os outros destaques são Drica Moraes, que faz a cafetina Larissa e Fabíula Nascimento que faz uma das amigas de Raquel. Ambas fazem parte de um núcleo mais cômico do filme e deixam a história um pouco mais leve.

 

 

A história começa como um drama, intriga o público, passa pela e comédia e envolve as pessoas, para depois concluir como um drama.  Tudo isso pontuado por uma excelente trilha sonora, ainda que eu não goste muito do momento em que Fake Plastic Trees, do Radiohead aparece. Não acho que a música era pertinente ao momento em que foi inserido, apesar de entender a escolha.

 

 

Contudo, Bruna Surfistinha é um bom filme, com um bom roteiro, uma edição competente, uma trilha sonora eficiente e uma ótima interpretação de Débora Secco.

 

 

Filme: Bruna Surfistinha (2011)

Diretor: Marcus Baldini

Elenco: Deborah Secco, Cássio Gabus Mendes, Drica Moraes, FabÍula Nascimento, Cris Lago, Erika Puga, Simone Illiescu e Brenda Ligia

 

 

 

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Rafael Cruz vive em Maricá-RJ, é cineasta, investidor, profissional de marketing, escritor, torce pro Fluminense, adora xadrez e uma boa partida de tênis.

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