
A internet vive de memes. Claro, há aquela multitude de portais, sites institucionais, páginas de egolatria, mas há os memes, que são um dos reflexos mais interessantes da nossa cultura contemporânea. A cultura da internet [inserir aqui nomenclatura cunhada pelo doutor francês à sua escolha, algo tipo geração bit, mas com maior carga intelecutal, e menos frugalidade aparente] é, em certa medida um desafio a ser compreendido, ainda num futuro longe dos dias de hoje. Nos maravilhamos com a diversidade da informação que temos acesso – ou mesmo da informação que produzimos, originalmente ou simplesmente adaptando material de qualquer outra fonte ou natureza, convertendo-o em uma obra pós-moderna de irreverência e cinismo gratuito. Ao mesmo tempo, nos chocamos com o limite da nossa própria ignorância, com trolls à solta em toda esquina, destilando verborragia e nonsense. Em alguns aspectos, o ser humano tem se mostrado ao mesmo tempo cada vez mais belo e raro e feio e vulgar. E poucas pessoas entenderam isso como Quentin Jarome (!!!) Tarantino.
Um dos memes mais interessantes é a chamada lei de Godwin. Criada nos primórdios da Usenet por um norte-americano chamado Mike Godwin, a lei propõe que quanto mais tempo qualquer discussão dure, mais provável será que ela chegue a uma conexão com o nazismo, de qualquer forma. Ou seja, em qualquer debate, quanto mais perdure maior serão as chances de alguém fazer uma analogia ao comportamento do adversário a uma prática do nacional-socialismo alemão. Pode parecer bobagem sem fundamento, mas qualquer debatedor na internet sabe que A LEI GODWIN FUNCIONA. É incrível nossa ojeriza (ou seria fascínio) pelo nazismo, ao ponto de precisarmos sempre resgatar seu exemplo, a cada momento, diante de opiniões que julgamos extremamente divergentes das nossas. Nazis são, para a sociedade ocidental, a epítome do mal, o apogeu do nefasto, e tudo aquilo que odiamos e abominamos. Eles são o demónio que nossos avós viram nos olhos, que marcou nosso mundo com seu fogo e empesteou a história com seu cheiro de enxofre. E a sacada genial de Tarantino foi perceber que, contra o demônio, nós estamos alegremente dispostos a usar todas as armas do inferno.





Smurfet











