Balázs reconhecia que o cinema detinha numerosas funções, porém a arte do próprio, só se alimentava, do potencial revolucionário do rejuvenescimento cultural que encarecia de certas atenções.
A consciência do teórico quanto à origem do uso estético do cinema só se tornara possível por conta da elaboração rápida de sua teoria na forma linguística do meio e das previsões, ou melhor, sugestões feitas para com o futuro. O processo cinemático, por exemplo, era utilizado somente por teóricos formativos que se envolviam na criação da arte cinematográfica. Ou seja, fora das coisas consideradas deste mundo. A matéria-prima – especificamente – não era exatamente a realidade, e sim, o ”assunto fílmico” que na maioria das vezes se apresentava como uma forma de experimentação, onde oferecia ao cinema uma grande transformação.

Essa noção do “tema fílmico” é tanta que curiosamente se tornara única. Ou seja, como marxista, Balázs acreditava firmemente na realidade e independência do mundo externo em diversos sentidos. A arte jamais capturou a realidade em si mesma, uma vez que sempre trouxera para este mundo seus próprios padrões e significados humanos. A realidade, porém, é bastante multifacetada e aberta a muitos usos. Cada arte trata a realidade a seu modo e escolhe como temas apenas aspectos da realidade que poderiam ser transformados em meios especiais.
A concepção de Balázs sobre isso é claramente revelada por suas observações em relação as adaptações. O cineasta, por exemplo, que perscruta outro trabalho artístico busca seu tema, porém não faz nada de errado desde que tente reformulá-lo através da forma linguística do cinema. (Neste ponto o teórico não poderia estar tão distante da posição defendida por Bazin, que instigava os diretores a esquecerem sua preciosa forma linguística e se colocarem a serviço das obras de arte que queriam levar para o cinema.)
O respeito por Balázs se torna grande justamente por conta da seleção apropriada aos temas cinematográficos a qual ele confere ao roteiro como o status de trabalho da arte independente. Ou seja, a matéria-prima cinemática existe apenas para aqueles que tem o talento e a energia para procurá-la e por fim aprofundar-se em suas próprias e particulares experiências.





Smurfet












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