Tecnologia e Cinema

Unindo Ciência e Arte

Arquivos do mês de April de 2011

Como Trabalhar Legalmente em Cinema nos EUA

Postado por Gabriela Egito Em 5 de April de 2011
como-trabalhar-legalmente-em-cinema-nos-eua

Várias pessoas têm me perguntado como conseguir um visto de trabalho aqui nos EUA, e se é fácil trabalhar na indústria cinematográfica de LA. Pra começar, eu diria que não é impossível, mas também não é moleza. Então vou contar o que eu levantei sobre o tema nas últimas duas semanas.

Hollywood

 

Nos EUA, o pagamento de salário está associado ao Social Security Card (SSC), um documento semelhante ao nosso Cadastro de Pessoa Física (CPF). Sem ele, não há como trabalhar legalmente aqui. Todo o sistema de crédito financeiro está atrelado a ele, tornando praticamente impossível conseguir financiamentos e até cartões de créditos de lojas se você não tem esse SSC.

 

Tudo bem, é sabido que imigrantes ilegais vêm pra cá trabalhar, mas são subempregos geralmente mal remunerados e a pessoa tem que se sujeitar a qualquer coisa porque não está em posição de exigir seus direitos. Geralmente, executam atividades necessárias à sociedade mas que os americanos não morrem de amores por fazer: faxina, guardar carros, ajudante de cozinha, balconista de mercearia. Até pra ser garçonete, é preciso disputar vaga com os milhares de atores americanos que vêm pra cá atraídos pelo sonho de fama e fortuna. Ou seja, nem preciso dizer que cinema não é uma atividade nem um pouco desvalorizada pelos americanos, preciso?

 

Na indústria cinematográfica, as regras de trabalho, portanto, são bem rígidas. As produções obedecem estritamente a lei e só contratam quem pode receber salário legalmente. Não há jeitinho brasileiro que dê jeito nisso. Ouvi dizer que os grandes canais de tevê só contratam se você tiver, além do SSC, um visto de permanência no país, principalmente quando se trata de atores.

 

Mesmo morando há praticamente um ano nos EUA, sou considerada visitante de intercâmbio (não-residente) pelo governo americano, entende? Um visto de estudante só é válido se atrelado a uma instituição de ensino na qual você está matriculado e não dá permissão para trabalhar, nem por meio expediente — diferentemente de vários países da Europa.

 

Outro fator a ser levado em consideração por estrangeiros que pretendem estudar na Nyfa é que os cursos são intensivos. Há aulas e atividades o dia todo, às vezes até por 10, 12 horas seguidas. Portanto, não consigo conceber como alguém poderia ao mesmo tempo estudar na Nyfa e trabalhar (mesmo que ilegalmente). Esqueça.

 

No entanto, o governo americano mui gentilmente, nos proporciona uma chance de aprimorar nossos conhecimentos no mercado cinematográfico: chama-se Optional Practical Training (OPT). O visto não muda, continua sendo de estudante/visitante atrelado à instituição de ensino de origem. Mas, durante um período de 12 meses após a sua graduação, você recebe um Social Security Card para trabalhar.

 

Atenção: somente cursos com duração de um ano ou mais dão direito a solicitar esse privilégio. Nem pense em vir fazer um curso de um mês e achar que vai poder trabalhar aqui legalmente, não rola.

 

O OPT tem uma lista imensa de regras e papelada, mas resumindo: custa 380 dólares pra solicitar; uma vez no programa você não pode ficar desempregado por mais de três meses ou perde a chance; é preciso trabalhar por pelo menos 20 horas semanais; não precisa ser necessariamente remunerado (participar de curtas estudantis surpreendentemente conta como trabalho); e não é permitido estudar enquanto está no OPT. Outro ponto importante: a escola te ajuda em toda a documentação, mas conseguir o emprego é por sua conta. Se no Brasil é assim — nunca vi faculdade arranjando emprego pra ex-aluno –, não vejo porque aqui seria diferente, certo?

 

Além disso, o OPT só pode ser solicitado uma vez. Ou seja, pros espertinhos de plantão, não dá pra fazer um curso de dois anos, cursando a metade, parando, fazendo OPT e juntando dinheiro, depois fazendo o segundo ano e pedindo outro OPT pra cobrir as despesas.

 

E depois do OPT, o que acontece? Há várias opções, as que consigo pensar de pronto: 1) Uma das empresas que te empregou fica encantada com seu talento e resolve patrocinar a sua permanência nos EUA, contratando advogados e entrando com um extenso e complicado processo pra mudar seu visto para residente e garantir que você continue trabalhando pra ela. 2) Você arruma as malas e volta pro Brasil com uma big experiência e grandes chances de conseguir uma boa colocação na área; 3) Permanece nos EUA em um dos subempregos citados acima, sonhando em se tornar cineasta famoso, sem no entanto poder trabalhar em nenhuma produção promissora porque está ilegal.

 

Bom, é isso. Acho que deu pra ter uma boa idéia do quadro, né?

 

Gabriela Egito é jornalista, mestre em Cinema pela Universidade de São Paulo (Brasil) e atualmente cursa o programa de Filmmaking na New York Film Academy, em Los Angeles. É também autora do blog Brazilian Girl in L.A., onde conta suas aventuras cinematográficas

Reencontrando a Felicidade

Postado por Amanda Jordão Em 5 de April de 2011
reencontrando-a-felicidade

 

Mais uma tradução infeliz de título e que engana o público quanto ao teor da história. Trata-se de um drama em que o casal Becca Corbett (Nicole Kidman) e Howie Corbett  (Aaron Eckhart) estão tentando aprender a lidar com o luto pela morte precoce do filho que não chegou a completar 4 anos.

 

É um tema dificílimo e por vezes banalizado no cinema, mas não aqui, e os personagens não estão tentando reencontrar a felicidade como sugere o título em português, eles estão apenas tentando viver sem serem sucumbidos pela dor e sem destruir a relação de marido e mulher.

 


 

 

O filme se concentra no cotidiano dos personagens e na incessante busca deles pela normalidade. Cada um possui uma maneira diferente de lidar com o luto. Howie encontra conforto em uma nova amizade, e nas pequenas lembranças que o filho deixou espalhadas pela casa. Enquanto isso, Becca encontra-se constantemente no parque com o adolescente Jason, que dirigia o carro que fatidicamente atropelou seu filho enquanto ele corria atrás do cachorro.
 

Na busca pela melhor forma de lidar com o luto, eles entram em conflito. Howie quer que as coisas do filho fiquem na casa, os desenhos, os brinquedos, tudo. Já Becca prefere mudar dali, pois considera doloroso demais ver as digitais do filho pelos móveis da casa. Além disso, o marido insiste para que a esposa busque algum tipo de ajuda já que esta reage com uma certa agressividade quando alguém fala da tragédia.

 


 

 

Tudo isso mostrado com uma estética bem simples, com a fotografia e o figurino em tons pastéis, filme ambientado num típico subúrbio americano, nada deve chamar mais atenção do que a história e tudo é feito para que o espectador se identifique com os personagens e pense: ‘’Sim, eu conheço alguém assim’’. Os diálogos são muito bem construídos e facilitam esta identificação, destaque para as cenas em que Becca conversa com sua mãe, vivida pela atriz Dianne Wiest.
 

 

Todos os atores estão muito bem, principalmente Nicole Kidman, Aaron Eckhart e Dianne Wiest. E mesmo com um tema doloroso como este, o filme consegue ter os seus momentos engraçados e se manter espirituoso até o final. A cena do acidente que matou o filho Danny nunca é mostrada, afinal não importa como ele morreu, e sim que ele morreu. Assim como o fato de que não há a melhor maneira de se lidar com este tipo de dor. Não há um jeito certo ou errado de lidar com o nunca mais, principalmente quando a suposta ordem natural das coisas se altera. E como diz a personagem de Wiest, em algum momento torna-se suportável.

 


 

 

Reencontrando a felicidade – título original Rabbit Hole
Ano: 2010
Diretor: John Cameron Mitchell
Elenco: Nicole Kidman, Aaron Eckhart, Dianne Wiest, Miles Teller, Sandra Oh
Lançamento no Brasil: 06/05

Related Posts with Thumbnails

Assinar Feed Assinantes

Seguir no Twitter Seguidores

Artigos publicados Artigos

Comentários recebidos Comentários

VÍDEO

TAG'S

Socialize

Sobre Mim

Rafael Cruz vive em Maricá-RJ, é cineasta, investidor, profissional de marketing, escritor, torce pro Fluminense, adora xadrez e uma boa partida de tênis.

Twitter

    Fotos

    De Volta para o FuturoA Viagem de ChihiroA Viagem de ChihiroA Viagem de ChihiroUp - Altas AventurasPersepolisMelhor é ImpossívelMelhor é ImpossívelDe Volta para o Futuroo Gordo e o MagroGollumDrácula de 1932 - Bela Lugosi