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Arquivos do mês de March de 2011

Bruna Surfistinha

Postado por Amanda Jordão Em 28 de March de 2011
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Antes de começar a falar sobre o filme propriamente, é importante dizer que as minhas expectativas para tal eram bem baixas, e admito que isso se deve em grande parte a um certo preconceito, pois achei a escolha de Débora Secco para o papel equivocada. E explico, não acho que ela seja uma atriz ruim, mas achava que para o papel ser crível talvez fosse melhor escolher alguém que tivesse a imagem um pouco menos explorada pela mídia. Depois de assistir ao filme, no entanto, tenho que admitir, errei. Débora, que já está na casa dos 30, consegue convencer na pele de Raquel Pacheco que aos 17 anos saiu de casa e virou a prostituta Bruna Surfistinha.

 

 

 

O filme é baseado no livro  ‘’O doce veneno do Escorpião’’, em que ela relata suas experiências durante os anos em que se prostituiu, dos 17 aos 20. A história já é bem conhecida pelo público, uma vez que Raquel Pacheco um blog com o nome de guerra e chegou a participar de vários programas de auditório na época de lançamento do livro.

 

Como trata-se de uma história muito conhecida pelo público achava difícil que o filme conseguisse acrescentar algo ou dar uma visão diferente sobre o assunto. Contudo, novamente me enganei, a direção do longa-metragem assinada pelo estreante Marcus Baldini, concede uma certa sensibilidade a realidade vivida pela personagem, porém sem torná-la vítima, já que a postura dela nunca é esta também. Ainda que Raquel não tivesse dimensão do que estava fazendo, e nem conhecimeto das marcas que suas escolhas pudessem deixar, ela assume completamente a responsabilidade dos seus atos. Claro que isso a torna um pouco cínica durante uma boa parte do filme, cinismo este que a faz resistir e aguentar as consequências de sua escolhas e não deixa o filme cair no sentimentalismo, comum nos filmes que retratam a prostituição.

 

Algumas pessoas podem reclamar das cenas de sexo ou do excesso delas, mas não há o que contestar, visto que trata-se do ofício da protagonista e, portanto, não há como colocá-las em segundo plano. As cenas são bem cruas e realistas e a quantidade mostra o quão banal torna-se o sexo para aqueles que fazem dele o seu ganhã-pão. E são tantas as cenas que o público, assim como a protagonista acaba-se acostumando.

 


 

 

O elenco todo é bom. Débora Secco está muito bem no papel e faz de Raquel uma sobrevivente, e não uma heroína. A verdade é que ela interpreta duas personagens: Bruna e Raquel. As duas por vezes se confundem. E sim, ela consegue fazer o público esquecer de quem ela é. Além dela, os outros destaques são Drica Moraes, que faz a cafetina Larissa e Fabíula Nascimento que faz uma das amigas de Raquel. Ambas fazem parte de um núcleo mais cômico do filme e deixam a história um pouco mais leve.

 

 

A história começa como um drama, intriga o público, passa pela e comédia e envolve as pessoas, para depois concluir como um drama.  Tudo isso pontuado por uma excelente trilha sonora, ainda que eu não goste muito do momento em que Fake Plastic Trees, do Radiohead aparece. Não acho que a música era pertinente ao momento em que foi inserido, apesar de entender a escolha.

 

 

Contudo, Bruna Surfistinha é um bom filme, com um bom roteiro, uma edição competente, uma trilha sonora eficiente e uma ótima interpretação de Débora Secco.

 

 

Filme: Bruna Surfistinha (2011)

Diretor: Marcus Baldini

Elenco: Deborah Secco, Cássio Gabus Mendes, Drica Moraes, FabÍula Nascimento, Cris Lago, Erika Puga, Simone Illiescu e Brenda Ligia

 

 

 

Não me Abandone Jamais

Postado por Amanda Jordão Em 21 de March de 2011
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 Entre todos os filmes que eu já comentei aqui no blog, esse possivelmente é o mais complexo. Isso porque alguns dos aspectos mais importantes da história não podem ser contados e são essenciais para a compreensão e para entender significado da obra.
 

Trata-se de um daqueles filmes que se você souber ”aquilo” estraga a experiência, então está será uma crítica um tanto quanto superficial, pois eu não pretendo estragar o prazer da descoberta para os meus possíveis leitores. É um segredo que é revelado lá pela metade e que explica a história. Não darei mais detalhes. 

 


 

 

O filme é baseado no livro do autor Kazuo Ishiguro, o mesmo de Vestígios do Dia, que também virou filme em 1993. A história de Não me abandone jamais é sobre 3 jovens que vivem no colégio interno de Hailsham. Desde o início já é possível perceber que há algo de muito estranho com a escola. Os alunos são vigiados e inspecionados o tempo todo. São ensinados a como se comportar. Aos poucos eles descobrem que na verdade a missão deles ali é um tanto quanto infeliz, assim como o destino deles. Em nenhum momento eles se rebelam contra aquilo que lhes espera, mas há uma tristeza pungente que acompanha toda a narrativa que segue a vida dos personagens desde crianças até a vida adulta. É um drama com ficção científica.
   

Além disso, há um triângulo amoroso entre os três jovens vividos por Carey Mulligan,  Keira Knightley e Andrew Garfield. Contudo, se eu contar mais que isso, estraga a surpresa do filme. Basta dizer que o diretor Mark Romanek acertou a mão. O filme é delicado, poético e triste, lento na medida certa, sem ficar chato.

 

 

 É uma história que obriga o espectador a pensar na desumanidade com os avanços tecnológicos e as consequências que isso terá no futuro. O filme faz isso de maneira não explícita ou sentimentalista, é justamente a desumanização dos personagens que nos leva a refletir sobre isso. Tal como a desumanização, a inevitabilidade da morte também é um tema muito forte no filme. Mesmo sabendo que esta chegará para todos, será que só aqueles que têm o seu fim já datado sentem que o tempo aqui não é suficiente?
 

Enfim, são questões que o filme levanta e não responde, pois as respostas dependem da visão que cada um tem do mundo, é suficiente dizer que é uma história contada com muita sensibilidade e originalidade. Vale uma ida ao cinema.

 


 

A Mentira

Postado por Amanda Jordão Em 14 de March de 2011
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 A mentira estreou há um mês aqui no Brasil, mas teve uma estréia um tanto quanto apagada. Não se trata de um filme incrível, mas mesmo assim acredito que entre os filmes que foram lançados esse merecia um destaque.

 

Primeiro é importante dizer que o filme trata de um tema adolescente, e infelizmente essa é uma faixa etária pouco explorada pela indústria cinematográfica, ou mal explorada. Recentemente, alguns filmes conseguiram se destacar como Superbad e o brasileiro As melhores coisas do mundo. Na maioria das vezes, no entanto, há um retrato um tanto quanto deturpado do adolescente. Não é o caso de A mentira.

 


 

 

O filme conta a história de Olive (Emma Stone), uma estudante dedicada do Ensino Médio. Ela não sofre bullying ou nada disso, tem amigos, mas não é popular e nem notada pelas outras pessoas da escola. Tudo isso muda quando ela inventa uma mentira para fugir de um compromisso inconveniente que envolve sua melhor amiga e os pais hippies. Acontece que uma terceira pessoa escuta a mentira, e tudo toma uma proporção maior do que deveria. Olive, que é virgem passa a ser vista como uma garota fácil e depravada. Contudo, ela resolve não desmentir o boato e usá-lo a seu favor.

 

 É justamente nesse processo de usar o boato a seu favor que está a parte mais interessante do filme. Isso se deve em grande parte ao fato de que Olive não é uma heroína tradicional, inocente e púdica. Pelo contrário, ela gosta de provocar, tem um humor um tanto quanto sarcástico, e as soluções que o roteiro propõe não são óbvias. E, claro, Emma Stone consegue achar o equilíbrio ao interpretar uma adolescente que mesmo sendo madura é suscetível a cometer muitos erros. A escolha de Stone para protagonista foi essencial para  que o filme funcionasse, a voz rouca da atriz, o cabelo ruivo, o jeito meio emburrado que ela tem de analisar as situações tudo isso dá um certo charme a personagem que a torna simpática ao público.

 

 

Mas como eu disse antes, não se trata de um filme incrível. É bom, é leve, inteligente, tem boas atuações e é de certa forma uma homenagem aos filmes de John Hughes, diretor que sabia tratar de temas adolescentes sem grandes preocupações existenciais. E esse é provavelmente o maior mérito do filme. Não há uma grande lição de moral, apenas uma adolescente vivendo, tentando acertar e aproveitar ao máximo sua vida escolar. Destaque para a cena memorável em que Olive passa o final de semana todo cantarolando uma música infâme no seu quarto acompanhada apenas pelo seu cachorro. É uma sensação nostálgica de estar assistindo um bom filme de sessão da tarde.
 

 

 Além disso, vale a pena também para acompanhar uma estrela ainda em ascensão: Emma Stone. Ela tem mais 4 filmes a serem lançados esse ano, além de estar filmando o próximo Homem-Aranha com Andrew Garfield. Se você perdeu no cinema, o filme já encontra-se disponível para download.

 

 

 

 

Como Conseguir Bolsa pra Estudar Roteiro nos EUA‏

Postado por Gabriela Egito Em 12 de March de 2011
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Algumas pessoas têm me escrito perguntando se é possível conseguir uma bolsa para estudar cinema ou roteiro na New York Film Academy, onde estudo atualmente, ou em outras instituições americanas. Para dirimir essas dúvidas, resolvi escrever esse pequeno artigo (*).

Curso de Roteiro nos EUA

 

Primeiramente, acredito que bolsas deveriam ser oferecidas pelo país de origem, já que se trata de treinamento de mão-de-obra técnica especializada feito de uma maneira que não encontra equivalente no Brasil — especialmente quando se trata de experiência prática em produção cinematográfica. Mas, cinema não é prioridade no nosso país, com toda razão, devo acrescentar. Há coisas bem mais prementes em nossa sociedade do que aprender a fabricar sonhos, não é verdade? Mas existe, sim, um convênio entre a Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal Nível Superior) e a Comissão Fulbright (Intercâmbio Educacional entre os Estados Unidos da América e o Brasil) que oferece anualmente TRÊS(!) bolsas de Mestrado em Produção Cinematográfica para Formação de Roteiristas nos EUA.

 

É preciso que o candidato tenha nacionalidade brasileira (não cumulada com nacionalidade norte-americana); curso superior; experiência comprovada na área de produção cinematográfica; proficiência em língua inglesa; e não receba nem tenha recebido bolsa de estudos do governo brasileiro ou da Comissão Fulbright para a realização de pós-graduação stricto sensu. Além de apresentar o argumento do longa-metragem que será desenvolvido ao longo do curso, claro. Moleza. rsrsrs No mais, a Nyfa oferece bolsas e sistemas de financiamento através do governo americano para americanos. Nada mais justo, né?

 

A escola tem ainda os preços mais competitivos do mercado, considerando custo-benefício, e proporciona resultados rápidos. No entanto, num bom português, eu diria: "Quem tem boca vai a Roma".

 

Uma das coisas que mais admiro nos EUA é que eles verdadeiramente reconhecem e premiam talentos. A Nyfa tinha (ou tem) um programa patrocinado pelo cineasta Brett Ratner, com descontos de até 40% no curso de 1 ano de filmmaking para alunos excepcionais. Era preciso comprovar a necessidade financeira da bolsa e demonstrar a sua excelência como estudante, através de uma redação (ensaio) e de testemunhos de profissionais renomados em seu apoio. Não sei se isso ainda está vigorando.

 

De qualquer forma, um dos motivos do sucesso da escola seja talvez a ótima receptividade às demandas dos alunos. A Nyfa está sempre investindo, melhorando e crescendo. Ou seja, se você acha que tem um bom potencial e domina o inglês (principalmente na parte escrita), traduza seus melhores roteiros e contate a escola. O mínimo que eles vão fazer é ouvir atenciosamente os seus argumentos e tentar encontrar o melhor denominador comum. O que você tem a perder? (*Publicado na íntegra, com e-mail de leitor, no blog www.brgirlinla.com.)

 

Gabriela Egito é jornalista, mestre em Cinema pela Universidade de São Paulo (Brasil) e atualmente cursa o programa de Filmmaking na New York Film Academy, em Los Angeles. É também autora do blog Brazilian Girl in L.A., onde conta suas aventuras cinematográficas.

 

Blue Valentine

Postado por Amanda Jordão Em 7 de March de 2011
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 Hoje vou falar de um filme que só deve estrear no Brasil em junho e sob o ridículo título de "Namorados pra sempre". Título este que faz o filme parecer uma comédia romântica barata, quando na verdade trata-se de um drama, e dos bons.

 

Não, eu não aguentei esperar até junho para ver um filme que estreou em dezembro do ano passado, baixei em ótima qualidade e valeu a pena.

 

Blue Valentine conta a história do casal Cindy (Michelle Williams) e Dean (Ryan Gosling). Eles vivem uma crise no relacionamento e na ânsia de superar esses problemas resolvem passar uma noite no motel, longe da filha, relembrando o passado e os momentos que fizeram deles um casal. Até aí, todo mundo já viu algo assim, a questão é como o diretor Derek Cianfrance resolveu contar esta história. 

 

 

Dean está feliz em ser pai e marido, porém sem possuir grandes aspirações no campo profissional. Cindy é enfermeira e quer se tornar médica, mas isso só não basta, ela quer que Dean também queira algo mais. E são esses ‘’poréns’’ que desde o início da relação já se fazem presentes, que levam Dean e Cindy a uma encruzilhada na relação.

 

 

O diretor filmou as cenas que se passam no passado com uma super 16mm, com tons quentes e vivos. As cenas do  presente foram feitas com uma câmera digital de última geração, a Red, e as cores são mais escuras, com predominância do azul, mais frio. Além disso, a distinção do tempo também é notável através da maquiagem dos atores. Como a montagem do tempo é paralela, essa diferenciação era muito importante para que o espectador não ficasse perdido no tempo.

 

 

Contudo, o diretor não se apóia só no aspecto estético para mostrar a passagem do tempo, a atuação de Ryan Gosling e Michelle Williams dita o tom de cada momento. Ambos estão muito bem nos seus papéis, o que torna o filme ainda mais doloroso e verossímil. Isso se deve ao fato de que Ryan e Michelle viveram juntos por um mês antes de gravar a segunda parte do filme e além disso tinham muita liberdade para improvisar.

 

 A interpretação deles é visceral e concede ao filme uma profundidade rara em filmes de relacionamento. Talvez por isso seja impossível não se enxergar em alguma situação ou discussão. E provavelmente por isso, é tão triste ver um relacionamento de verdade, sem vilões, ruir.

 

O lançamento do filme foi extremamente prejudicado pela sua alta faixa etária, em virtude de uma cena em que Dean faz sexo oral em Cindy. Mas devo avisar que não há nada de ofensivo nem obsceno na cena, muito pelo contrário, é uma cena bonita do filme num momento triste do casal.

 

Blue Valentine é uma inspirada reflexão sobre relacionamentos, extremamente doloroso de assistir, claro, mas uma forma poética de dizer que só amor definitivamente não basta para que um casamento resista ao tempo. E aquelas pequenas coisas que vamos empurrando para debaixo do tapete e relevando enquanto se vive o ápice da paixão, bom, essas pequenas coisas eventualmente se tornam grandes demais até mesmo para se dividir.

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Rafael Cruz vive em Maricá-RJ, é cineasta, investidor, profissional de marketing, escritor, torce pro Fluminense, adora xadrez e uma boa partida de tênis.

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