Por Henrique Köpke – www.kinodinamico.wordpress.com
A revolução tecnológica criada pela fotografia tinha congelado o mundo. Foram criados milhares de registros que continham apenas instantes, a maior parte, desconexos entre si. No final do Século XIX, o tempo de exposição necessário para se obter uma foto bem nítida era enorme. Ao que parece, algumas pessoas se interessaram em capturar o movimento das coisas, mas precisaram reformular o sistema de registro das imagens para obter melhores fotografias e com tempo de exposição cada vez menor.
Coube a Edward James Muybridge (1830 -1904), fotógrafo inglês radicado nos EUA, criar mecanismos para tornar possível a captura instantânea de imagens. As pesquisas óticas utilizando aparelhos fotográficos se multiplicavam em solo americano, Eastman e Edison eram a parte mais científica desse processo, enquanto Muybridge destinava seus experimentos para o campo das artes.
As condições para um salto tecnológico podem ser incríveis e improváveis. Nesse caso específico, foi uma aposta que abriu portas para o reconhecimento do trabalho de Muybridge, e por consequência, determinou processos fundamentais para o desenvolvimento do cinema. Leland Stanford, ex-governador da Califórnia e um amante de cavalos, fez um rebuliço na cidade ao afirmar em 1872 que o cavalo permanece com as quatro patas no ar, durante o galope. Advinha quem foi contratado para solucionar esse problema?
Em 1877, Muybridge resolveu a questão. Ele criou um sistema com diversas câmeras equidistantes, que seriam acionadas eletricamente durante o percurso de um cavalo. Dos 24 fotogramas obtidos, apenas um seria necessário para comprovar a afirmação de Leland.
Muybridge dedicou anos ao estudo do movimento e publicou livros importantes que influenciaram áreas como a zoologia, biomecânica e a fisiologia. Em 1878 apresenta seu aparelho Zoopraxinoscope, que tinha a função de projetar sequências de movimento criadas por ele mesmo.
Quase que paralelamente aos estudos de Muybridge, um inventor francês chamado Étienne-Jules Marey (1830 – 1904), pretendia inovar o campo da ciência mesclando fisiologia com a anatomia. Tinha ficado famoso em sua juventude ao criar um inseto artificial, para provar que as asas deste seres se movimentam em cliclos alternados, semelhante a forma do número 8. Marey continuou seus estudos registrando o vôo das aves, e assim, inventou o Fuzil Cronofotográfico que imprimia uma série de imagens na mesma superfície fotossensível.
Seus estudos sobre o movimento dos eixos, articulações e membros humanos e animais, se tornaram referência para alguns campos da ciência e da arte. Após ficar famoso com sua publicação La Machine Animale, Marey realizou pequenos filmes em alta velocidade (60 quadros por segundo), criando a primeira percepção artística para a câmera lenta.
No final de sua vida, estudou as esteiras de fumaça, criando as bases para a formação dos primeiros túneis aerodinâmicos de vento. A herança do trabalho de Marey pode ser observada com mais evidência no curta-metragem Pas de Deux de 1967 de Norman Mclaren, além de todo o sistema de Motion Capture, responsável por criar personagens totalmente computadorizados a partir da análise primária do movimento
- Pesquisas com esteiras de Fumaça
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Smurfet












Excelente artigo Henrique! E bem vindo ao Tecnologia e Cinema. Aliás o seu cartão de visitas não poderia ser melhor! rs
Aceitei a sua inscrição porque vi exatamente o que eu busco para o site: pessoas ligadas de alguma maneira à animação. Você terá grande visibilidade por aqui.
Abraço
Artigo bem detalhado sobre a evolução do cinema animado. Um assunto que muito me interessa. Gostei deste novo colunista do Tecnologia e Cinema!
Vida longa a ele e aos seus artigos por aqui!