Tecnologia e Cinema

Unindo Ciência e Arte

Registrando o Imperceptível

Postado por Henrique Kopke em 17 de Agosto de 2010

Por Henrique Köpke – www.kinodinamico.wordpress.com

 

A revolução tecnológica criada pela fotografia tinha congelado o mundo. Foram criados milhares de registros que continham apenas instantes, a maior parte, desconexos entre si. No final do Século XIX, o tempo de exposição necessário para se obter uma foto bem nítida era enorme. Ao que parece, algumas pessoas se interessaram em capturar o movimento das coisas, mas precisaram reformular o sistema de registro das imagens para obter melhores fotografias e com tempo de exposição cada vez menor.

 

Apertando o gatilho do Cinema

 

Coube a Edward James Muybridge (1830 -1904), fotógrafo inglês radicado nos EUA, criar mecanismos para tornar possível a captura instantânea de imagens. As pesquisas óticas utilizando aparelhos fotográficos se multiplicavam em solo americano, Eastman e Edison eram a parte mais científica desse processo, enquanto Muybridge destinava seus experimentos para o campo das artes.

 

Sequencia de movimento por Muybridge

As condições para um salto tecnológico podem ser incríveis e improváveis. Nesse caso específico, foi uma aposta que abriu portas para o reconhecimento do trabalho de Muybridge, e por consequência, determinou processos fundamentais para o desenvolvimento do cinema. Leland Stanford, ex-governador da Califórnia e um amante de cavalos, fez um rebuliço na cidade ao afirmar em 1872 que o cavalo permanece com as quatro patas no ar, durante o galope. Advinha quem foi contratado para solucionar esse problema?

 

Em 1877, Muybridge resolveu a questão. Ele criou um sistema com diversas câmeras equidistantes, que seriam acionadas eletricamente durante o percurso de um cavalo. Dos 24 fotogramas obtidos, apenas um seria necessário para comprovar a afirmação de Leland.

Fotograma do cavalo com as 4 patas no ar

Muybridge dedicou anos ao estudo do movimento e publicou livros importantes que influenciaram áreas como a zoologia, biomecânica e a fisiologia. Em 1878 apresenta seu aparelho Zoopraxinoscope, que tinha a função de projetar sequências de movimento criadas por ele mesmo.

 

 

Zoopraxinoscópio

 

Disco com animação

Quase que paralelamente aos estudos de Muybridge, um inventor francês chamado Étienne-Jules Marey (1830 – 1904), pretendia inovar o campo da ciência mesclando fisiologia com a anatomia. Tinha ficado famoso em sua juventude ao criar um inseto artificial, para provar que as asas deste seres se movimentam em cliclos alternados, semelhante a forma do número 8. Marey continuou seus estudos registrando o vôo das aves, e assim, inventou o Fuzil Cronofotográfico que imprimia uma série de imagens na mesma superfície fotossensível.

 

Seus estudos sobre o movimento dos eixos, articulações e membros humanos e animais, se tornaram referência para alguns campos da ciência e da arte. Após ficar famoso com sua publicação La Machine Animale, Marey realizou pequenos filmes em alta velocidade (60 quadros por segundo), criando a primeira percepção artística para a câmera lenta.

 

 

 

 

 

Esquema funcional do Fuzil Cronofotográfico

 

No final de sua vida, estudou as esteiras de fumaça, criando as bases para a formação dos primeiros túneis aerodinâmicos de vento. A herança do trabalho de Marey pode ser observada com mais evidência no curta-metragem Pas de Deux de 1967 de Norman Mclaren, além de  todo o sistema de Motion Capture, responsável por criar personagens totalmente computadorizados a partir da análise primária do movimento 

 

 

Pesquisas com esteiras de Fumaça

 

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Atualmente…

 

 

Bacharel em Cinema de Animação pela Escola de Artes Visuais da Universidade Federal de Minas Gerais em 2004. Ingressou na animação logo em 2005 quando foi contradado pela produtora Campo 4 para trabalhar Microssérie Hoje é Dia de Maria, exibida pela Rede GLOBO. Em seguida realizou seu primeiro curta-metragem TRIBAL que não recebeu prêmios, mas foi exibido em mais de 13 festivais no Brasil e no exterior. Como realizador, já em 2007 se especializou em criar conteúdo para celulares, como as animações TRIBAL DROPS (2006); DDD (2007); SINFONIA PARA CELULAR (2008); CRIANÇAS (2008); A ESCULTURA (2009); GRÃOS DO MESMO SACO (2009) e DINGBATS (2010). O Festival do Minuto concedeu: Prêmio de Melhor Filme de Humor e Melhor Filme do ano de 2008 para CRIÂNÇAS (2009). O Anima Mundi concedeu o Prêmio de Melhor Animação, categoria WEB&CEL 2010 por Júri Popular ao filme DINGBATS. Realiza constantemente animações institucionais e para publicidade, além de lecionar animação, ministrando cursos e oficinas em Festivais de Cinema, e Projetos Sociais de inclusão da animação nas Escolas.
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2 Comentários

  • Em 2010.08.17 14:54, Rafael CruzNo Gravatar disse:
    Rafael Cruz

    Excelente artigo Henrique! E bem vindo ao Tecnologia e Cinema. Aliás o seu cartão de visitas não poderia ser melhor! rs

    Aceitei a sua inscrição porque vi exatamente o que eu busco para o site: pessoas ligadas de alguma maneira à animação. Você terá grande visibilidade por aqui.

    Abraço

    • Em 2010.08.17 14:57, Bráulio BacamarteNo Gravatar disse:

      Artigo bem detalhado sobre a evolução do cinema animado. Um assunto que muito me interessa. Gostei deste novo colunista do Tecnologia e Cinema!

      Vida longa a ele e aos seus artigos por aqui!

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