Tecnologia e Cinema

Unindo Ciência e Arte

Arquivos do mês de July de 2010

Posters de Capitão América e Thor são divulgados

Postado por Rafael Cruz Em 20 de July de 2010

Os estúdios da Marvel liberaram dois posters especialmente feitos para a COMIC-CON que começa nesta quinta, dia 22. Os posters são dos filmes "Capitão América: O Primeiro Vingador" e "Thor". A estilização dos posters já dá uma dica de como serão os filmes. E convenhamos, estas imagens estão bastante impressionantes. Confira:

 

Capitão America

 

thor

 

As minhas espectativas aumentaram muito depois destes dois posters. E as suas?

 

Esteriótipos e Clichês: Nerds nas Séries de TV

Postado por Rafael Cruz Em 19 de July de 2010

Parece que ser nerd está na moda nos dias atuais. Vemos isso com o crescimento dos sites, rádios e eventos nerds… e também das séries! Sim, as séries estão abordando assuntos e personagens que se interessam por HQs, tecnologia, vídeo-games etc. No entanto, os nerds ainda são retratados de forma superficial, estereotipada e preconceituosa.

 

Nerds na TV

 

É importante introduzir certas “classificações” que são de praxe encontradas na sociedade para definir as categorias de nerds. Estas categorizações, apesar de serem superficiais, vão ajudar na compreensão dos elementos trabalhados nos personagens estudados abaixo. Existem 4 classificações para os nerds:

 

Nerd Clássico – Aquela pessoa de roupa pastel, usando óculos, cabelo repartido e cheio de gel, que gosta de ficção científica, de estudar, detesta assistir e praticar esportes, adora RPGs, vídeo-games e histórias em quadrinhos (HQs). Geralmente é muito tímido e anti-social. Vive sozinho e menosprezado pelos amigos. Tipicamente rotulado de virgem.

 

Nerd CDF – É uma categoria muito próxima a do nerd clássico. Passa o dia estudando, gosta de ser o melhor da classe (é a sua vingança contra aqueles que zombam dele), adora filmes e séries de ficção científica, assim como livros e jogos.

 

Nerd Geek – É a pessoa fanática por tecnologia. Respira todas as novidades que envolvem eletrônicos, computadores, internet, chips, invenções tecnológicas etc. Adora estudar tudo que se relacione a tecnologia, gosta de ser o primeiro a ter a última novidade em celular ou computador e mostrar para os amigos. Geralmente tem poucos amigos e, ainda sim, amigos tão geeks quanto ele.

 

Nerd Descolado – É a pessoa que gosta dos assuntos nerds mas não compartilha da aversão social e do gosto peculiar para vestimenta. É uma espécie de anti-herói dos nerds. Geralmente gosta de festas, tem corte de cabelo moderno, usa roupas mais descoladas e costuma ser mais popular.

 

Neste sentido, vamos analisar alguns personagens nerds e como eles se relacionam com a série.

 

Blossom (Blossom)

BlossomBlossom foi uma série de muito sucesso nos EUA e aqui no Brasil durante os anos 90. A personagem principal,  que levava o nome da série, era uma pré-adolescente norte-americana diferente. Ao contrário dos seus amigos, ela gostava de estudar, de ler bons livros, de ouvir e tocar música clássica. Tinha um gosto peculiar para roupas. Gostava de roupas coloridas e de chapéus espalhafatosos. Esta personagem aglutinava os talentos de seus pais (músicos) com o trauma do divórcio dos mesmos.

 

Talvez por medo (afinal os nerds não estavam tanto na moda como hoje), a personagem de Blossom não se aprofundou nos estereótipos dos nerds cdfs. Seu comportamento ao longo da série mostrou que ela se distanciava desses estereótipos de nerd à medida que ia crescendo. Na verdade ela não se distanciava e sim dava mais atenção as novas situações que surgiam, como namorados e festas. Na essência ela continuava diferente das outras garotas.

 

Podemos observar ao longo da série a repetição frequente de certos comportamentos de Blossom, como as danças em seu quarto, os momentos com o seu diário e as discussões com o seu pai, sempre envolvendo alguma falta de franqueza de uma das partes.

 

A série como um todo era carregada de personagens estereotipados, principalmente na família Russo (a família de Blossom). E este recurso, apesar de banal, foi o grande responsável pelo mega sucesso da série por onde foi exibida.

   
Ross (Friends)

RossO Ross é um personagem muito interessante. Durante os 10 anos de exibição da série de mais sucesso em todo mundo, Friends, ele conseguiu percorrer quase todos os estereótipos dos nerds. Quando adolescente, Ross participou dos grupos de ciências, de computação, de xadrez e era o típico nerd clássico/cdf. Tinha como símbolo sexual a Princesa Léia e sempre adorou assuntos relacionados a ciência e ficção científica. Gostava de uma garota mas não conseguia se declarar. Cresceu, virou paleontólogo e se casou.

 

A série, que retratou mais de perto o seu momento após o divórcio com a sua primeira esposa, ainda mostrava um Ross com características nerds bem estereotipadas e que eram sempre motivo de zombaria de seus amigos. O problema era a relação que se fazia entre o Ross nerd e seus fracassos com relacionamentos. Essa visão estreita se repete, não só em Friends, mas em diversas séries norte-americanas. A imagem que se faz dos nerds no âmbito social é a pior possível na TV e no cinema. E, apesar de Friends ser uma série de humor, esse signo é usado com força no carater de Ross.

 

Ao longo da série podemos observar a tentativa de criar certos clichês para este personagem, como suas mudanças repentinas de humor, a sua frequente falta de sorte  em diversas situações, seu jeito atrapalhado com as mulheres e a sua leve intolerância a pessoas bem menos instruídas que ele, como seus amigos Joey e Phoebe.

 

Spock (Star Trek)

SpockSr. Spock é um dos raros personagens nerds da TV que não apela para símbolos construídos, mas não está livre nos clichês. O famoso volcano da série Star Trek conquistou milhões de fãs pelo mundo com o seu comportamento único e fascinante.

 

E até estranho analisar a priori um personagem estritamente nerd que consegue se colocar e ter grande importância para a trama de uma série sem apelar para os convencionalismos da estigma nerd. Spock foi o responsável por criar um novo perfil de nerd. Um perfil, ficcional, é claro, no entanto com uma ligação entre o preciso volcano e os nerds humanos. 

 

Entretanto, Spock não foge dos clichês quando usa a agora clássica saudação volcana (vista na foto acima) “Vida longa e próspera” e a sua previsível maneira de resolver os problemas da Enterprise. A repetição de frases que marcaram o seu personagem, como “isto é fascinante”, completam este quadro de clichês envolvendo o extraterrestre Spock.

Hurley (Lost)

HurleyHurley foi um dos personagens mais carismáticos da série Lost. E mesmo assim era um nerd. Ele não se vestia como um (até porque estava preso numa ilha), não era tímido e nem possuía as características comuns já vistas anteriormente num personagem nerd. No entanto, quando ocorrem os flashbacks do seu personagem, encontramos elementos típicos dos estereótipos dos nerds, como a afeição por vídeo games e TV, filmes como Star Wars, muita comida e fracasso com mulheres. Além do mais também não tinha amigos e vivia com os pais.

 

Entretanto esta série nos permitiu imergir sem sua vida e comportamento, o que tornou estes estereótipos menos impactantes para as atitudes do personagem. Clichês foram criados para o personagens, como a expressão “Doode” e a sua compulsão por comida. Mas nada muito relacionado com os estereótipos nerds.

 

Leonard, Sheldon e Raj  (The Big Bang Theory)

Trio The Big Bang Theory

The Big Bang Theory talvez seja a série que mais explora o universo nerd no atual cenário mundial. E, como não poderia ser diferente, é repleto de estereótipos e clichês.

 

Separei 3 personagens que eu considero receber mais estereótipos e clichês nerds: Leonard, Raj e Sheldon (respectivamente apresentados na imagem acima). De modo geral, todos eles se vestem de forma bastante incomum, subvertendo a moda vigente, com camisas de super-heróis, camisas de manga longa sob camisas de manga curta, meias quase a altura do joelho etc.

 

Leonard é o tipo de nerd mais sentimental. Tem um ideal de mulher e sofre por não tê-la. É físico, adora tudo que é tipo de nerdices, desde vídeo games à histórias em quadrinhos. Seu hall de amigos limita-se a pessoas com o mesmo grau de intelectualidade dele. Á exceção da vizinha, devido ao seu interesse sexual por ela, que preenche a sua lacuna de mulher ideal.

 

Raj é o estereótipo perfeito de nerd com medo de mulheres. Este estereótipo chega ao exagero quando descobrimos que ele não consegue falar com uma mulher a menos que esteja bêbado. Esta imagem-comum reforça a ideia de que os nerds tem sérios problemas sociais e que somente através de um alucinógeno é que poderiam viver de maneira mais normal. Bobagem! Mas é a mensagem que se passa. Apesar de Raj não conseguir falar com mulheres, seu amigo mais próximo é Howard, justamente aquele que se diz mais descolado e “pegador”. Mas não passa de uma ilusão, pois todos os seus planos de sair com mulheres falham. O que já se configura um forte clichê nesta série.

 

Outro elemento que devemos considerar é que Raj é indiano. E sabemos que a índia é um país de onde saem muitos profissionais na área de tecnologia, principalmente na área de computação. E este fato molda um novo estereótipo ao personagem de Raj. Como este trabalho tem foco nas imagens-comuns dos nerds, não vou entrar no mérito dos estereótipos dos imigrantes.

 

Sheldon é sem dúvida o personagem mais característico do estereótipo nerd. Ele é completo. É “assexuado”, 100% lógico (personagem certamente inspirado em Spock), não é afetado por emoções (parece literalmente um andróide), tem opinião formada para absolutamente todos os assuntos, é arrogante, sistemático, adora vídeo games, computação, física e tecnologia em geral e é intolerante com pessoas com intelecto menor que o seu (praticamente todo mundo). Certamente esta combinação de fatores super nerds com outros exageros de um paranóico deixam o personagem de Sheldon muito divertido, pois ele constantemente entra em choque com os demais personagens para impor a sua vontade. E quase sempre ganha.

 

Entretanto estes mesmos elementos possibilitam a criação de inúmeros clichês do personagem, como a sua obstinação pela organização e lugares cativos no sofá, planejamento de horários para tarefas corriqueiras, necessidade de explicar todas as questões levantadas por todos ao seu redor, a necessidade de competição intelectual com seus amigos e conhecidos, suas inúmeras manias, como sempre bater na porta da vizinha 3 vezes e repetir o seu nome uma vez no intervalo destas 3 batidas etc.

 

A quantidade de situações “clicherizadas” envolvendo os personagens é absurda. É muito engraçado para o público que acompanha, afinal a identificação é muito grande, no entanto estigmatiza com muito exagero a imagem do nerd na sociedade.

 

Hannah (Everwood)
Hannah EverwoodHannah é uma adolescente que chega na cidade interiorana de Everwood para viver com sua tia. Ela  tem o estereótipo perfeito de uma nerd: é muito tímida, introspectiva, estudiosa, usa óculos, roupas discretas e pouco vívidas, fala com as pessoas sempre com a cabeça baixa e tem vida social praticamente nula. Ao longo da série vamos descobrindo sobre o passado do personagem e este aprofundamento vai moldando as atitudes das pessoas em relação a ela, fazendo com que ela, aos poucos, se entrose com a sua nova realidade.

 

Esse personagem bastante estereotipado é conduzido para uma situação clássica do clichê romântico: o patinho feio apaixona-se pelo pomposo cisne branco e vivem felizes para sempre. O cisne branco em questão é o irmão de sua única amiga na cidade. Bright (o irmão) é exatamente o oposto de Hannah: é mulherengo, não gosta de estudar, extrovertido, popular, meio tapado, cobiçado e bonito. Durante o processo, outros “sub-clichês” acontecem, como algumas humilhações para Hannah por tentar a aproximação com Bright, deboches de colegas do colégio etc. O clichê finalmente é consumado e os dois passam a namorar.

 

Estas situações servem para a evolução do personagem Bright na série, haja vista ele ser mais importante na trama central do que a Hannah.

 

Existem muito mais personagens nerds no mundo das séries, no entanto concentrei-me em apenas alguns deles para não deixar o trabalho muito extenso. São personagens emblemáticos, conhecidos e que mostram com clareza os elementos que eu gostaria de trabalhar dentro do assunto de estereótipos e clichês.

CinemaTeC – Vermelho Rubro no Céu da Boca

Postado por Rafael Cruz Em 16 de July de 2010

 

Um velho preso a lembranças do passado Uma jovem cheia de sonhos com o futuro Entre eles um rio. E rosa.

 

 

Ficha Técnica

Gênero  Ficção

Diretor Sofia Federico

Elenco Bertho Filho, Flávia Marco Antonio, Frieda Gutmann, Paulo Cesar Pereio

Ano 2005

Duração 18 min

Cor Colorido

Bitola 35mm

País Brasil

Local de Produção: BA

Como Ganhar o Livro 120 Horas de Luis Eduardo Matta

Postado por Rafael Cruz Em 15 de July de 2010

Você é fã de carteirinha do fantástico escritor Luis Eduardo Matta? Então eis uma oportunidade imperdível para você aumentar a sua preciosa coleção: o blog House of Night irá sortear um exemplar do livro "120 Horas" do escritor.

 

120 Horas no TeC

 

É muito fácil concorrer. Siga estes passos:


1) Siga os seguintes perfis no Twitter: @_houseofnight e @lematta . Hah, você não tem conta no Twitter? Sem problemas, basta então entrar na comunidade do Orkut House of Night;

2) Preencher um pequeno formulário;

3) Deixar o seguinte comentário na página da promoção: "Quero Explodir lendo 120 HORAS".

 

A promoção será encerrada no dia 1º de agosto, às 23h59. Só não foi divulgado quando sairá o resultado. O resultado será divulgado no domingo, dia 8 de agosto. Ficaremos no aguardo.

 

Ah, aproveitando esta dica preciosa que eu estou trazendo pra você, que tal seguir o perfil do nosso site no Twitter também? É esse aqui: @tecinema

 

Estereótipos e Clichês: 6 Personagens Nerds do Cinema

Postado por Rafael Cruz Em 14 de July de 2010

    Parece que ser nerd está na moda nos dias atuais. Vemos isso com o crescimento dos sites, rádios e eventos nerds… e também das séries de TV e filmes. Não é de hoje que filmes estão abordando assuntos e personagens que se interessam por HQs, tecnologia, vídeo-games, estudos etc. No entanto, os nerds ainda são retratados de forma superficial, estereotipada e preconceituosa.

    Com base nisso, discutirei alguns filmes cujos personagens principais são nerds, a sua influência no desenrolar na trama e os estereótipos usados.

 

nerds no cinema

 

    Mas antes, é importante introduzir certas “classificações” que são de praxe encontradas na sociedade para definir as categorias de nerds. Estas categorizações, apesar de serem superficiais, vão ajudar na compreensão dos elementos trabalhados nos personagens estudados abaixo. Existem 4 classificações para os nerds:

 

    Nerd Clássico – Aquela pessoa de roupa pastel, usando óculos, cabelo repartido e cheio de gel, que gosta de ficção científica, de estudar, detesta assistir e praticar esportes, adora RPGs, vídeo-games e histórias em quadrinhos (HQs). Geralmente é muito tímido e anti-social. Vive sozinho e menosprezado pelos amigos. Tipicamente rotulado de virgem.

 

    Nerd CDF – É uma categoria muito próxima a do nerd clássico. Passa o dia estudando, gosta de ser o melhor da classe (é a sua vingança contra aqueles que zombam dele), adora filmes e séries de ficção científica, assim como livros e jogos.

 

    Nerd Geek – É a pessoa fanática por tecnologia. Respira todas as novidades que envolvem eletrônicos, computadores, internet, chips, invenções tecnológicas etc. Adora estudar tudo que se relacione a tecnologia, gosta de ser o primeiro a ter a última novidade em celular ou computador e mostrar para os amigos. Geralmente tem poucos amigos e, ainda sim, amigos tão geeks quanto ele.

 

    Nerd Descolado – É a pessoa que gosta dos assuntos nerds mas não compartilha da aversão social e do gosto peculiar para vestimenta. É uma espécie de anti-herói dos nerds. Geralmente gosta de festas, tem corte de cabelo moderno, usa roupas mais descoladas e costuma ser mais popular.

 

Norman Bates (Psicose)

Norman Bates

 

    Norman Bates é um jovem bonito, tímido e proprietário do motel Norman. Introspectivo, caseiro e dedicado à mãe. Tudo indica ser uma pessoa inofensiva, um típico nerd a lá Hitchcock. No entanto percebemos ao longo do filme uma curiosidade estranha sobre toda esta cumplicidade. Não vemos a mãe que ele tanto protege dos convidados do Motel Bates. Vemos então que nerds também são complexos e percebemos como um diretor consegue manipular os estereótipos de um nerd para despertar o suspense de algo que aparentemente está perfeito e em ordem.

 

Ichabod Crane (A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça)

Lenda do Cavaleiro sem cabeça

 

    O que fazer com um atrapalhado e medroso detetive, nada convencional, que é posto para desvendar os estranhos crimes na cidade de Sleepy Hollow? É inegável a carga de estereótipos nerds que o personagem de Johnny Depp traz para a trama. A começar pelo seu incomum kit de equipamentos de investigações, seu comportamento arredio e muito atrapalhado. No entanto a sua perspicácia e coragem para vencer o medo de encontrar o cavaleiro sem cabeça são determinantes para a solução do caso. Mesmo assim, penso que as imagens prontas do estereótipo nerd, neste caso, serviu como ponto de equilíbrio à pesada e sombria trama, trazendo um pouco mais de humor aos espectadores.

 

Clark Kent (Superman)

Clark Kent

 

    Quem diria que o alter ego de um super herói seria um típico nerd clássico?  Ora, ele era leve e educado, ora, transformava-se no homem de aço. Enquanto Lois está fora da sala, ele tira os óculos e aumenta de estatura, mas quando ela retorna, ele recoloca seus óculos e põe-se a corar como um adolescente tímido na presença de uma linda mulher. O que seria isso? Um nerd não pode ser um super-heroi, e por isso precisa abandonar seus traços esquisitos para trás para ser o salvador do planeta? Outrosim, Clark Kent dava esperança para as gerações de nerds, que apesar das aparências possuía os corações dos leões.

 

Louis Tully (Caça-fantasmas)

Rick Moranis

 

    Lous usa óculos com armação preta, tem uma voz estranha, fala rápido e de forma meio apavorada. Ele é tão patético que os nova-iorquinos o ignoram mesmo quando ele está sendo mastigado por um cachorro-monstro. Rick Moranis foi marcado por papéis nerds e se saiu muito bem neles (“Querida encolhi as crianças” é um bom exemplo).

 

    Mas o que faz o nerd clássico (como é o caso dos papéis de Moranis) ser tão menosprezado pela sociedade? Acredito que na sociedade norte-americana isso seja mais forte por vigorar a ideia do bem sucedido e do fracassado. Como o nerd geralmente não se enquadra no perfil de um bem sucedido (tem uma esposa bonita, é popular e respeitado) ele é colocado na zona dos fracassados. O que é uma grande bobagem. Isso até explica o pensamento de STARFIELD, quando diz que o pensamento estereotipado se define por ser uma imagem ou opinião aceita sem reflexão por uma pessoa ou um grupo e exprime um julgamento simplificado, não verificável e às vezes falso sobre tal grupo ou sobre algum acontecimento. Esta ideia se encaixa com precisão e boa parte dos papéis nerds encontrados no cinema.

 

Seymour Parrish (Retratos de uma Obsessão)

Robin Willians

 

    No drama delicadamente terrível de Mark Romanek, o fotógrafo Seymour Parrish mantém em seu apartamento, as fotos de uma família, para ele desconhecidos. Não sei se Seymour é um maníaco, um pedófilo ou um parasita obcecado. Suas vítimas o vêem como uma piada. Ele trabalha dentro de um shopping com um uniforme azul e não tem amigos. Parrish é frio, solitário, meticuloso, alguém que você sente pena por sua vida miseravelmente solitária. A angústia do personagem, reprimindo todos aqueles sentimentos, se transmite ao espectador. Você fica tenso, sufocado, esperando o momento que ele vai explodir. Cada novo minuto nos leva a suspeitar que aquele é o momento, que agora Seymour vai sair gritando e arrancando os cabelos, mas ele ainda pode “engolir” um pouco mais. Isso drena o espectador.

 

    Este ótimo filme possui um protagonista nerd, no entanto é mais sutil nos clichês. Mas eles estão lá, relacionando uma pessoa anti-social ao perfil nerd. Mas uma vez podemos citar STARFIELD quando diz que algo é sempre estereótipo em relação a outra coisa; existe sempre um parâmetro e uma outra figura a modelar sua existência. O estereótipo existe, finalmente, no campo do comportamento, a nível dos gestos, das manias, das opiniões e das ideias.

 

    Spock (Star Trek)

 

Spock    Sr. Spock é um dos raros personagens nerds do cinema que não apela para símbolos construídos, mas não está livre nos clichês. O famoso volcano da série Star Trek conquistou milhões de fãs pelo mundo com o seu comportamento único e fascinante.

 

    E até estranho analisar a priori um personagem estritamente nerd que consegue se colocar e ter grande importância para a trama de uma série sem apelar para os convencionalismos da estigma nerd. Spock foi o responsável por criar um novo perfil de nerd. Um perfil, ficcional, é claro, no entanto com uma ligação entre o preciso volcano e os nerds humanos. 

 

    Entretanto, Spock não foge dos clichês quando usa a agora clássica saudação volcana (vista na foto acima) “Vida longa e próspera” e a sua previsível maneira de resolver os problemas da Enterprise. A repetição de frases que marcaram o seu personagem, como “isto é fascinante”, completam este quadro de clichês envolvendo o extraterrestre Spock.

 

 

      Existem muito mais personagens nerds no mundo do cinema no entanto concentrei-me em apenas alguns deles para não deixar o trabalho muito extenso. São personagens emblemáticos, conhecidos e que mostram com clareza os elementos que eu gostaria de trabalhar dentro do assunto de estereótipos e clichês.

 

    É interessante observar que, e não foi de propósito, que a maioria dos personagens nerds selecionados para o trabalho tem um perfil de desequilíbrio emocional. O que resume bem a ideia de que os nerds são mostrados como seres dispensáveis, egoístas e traumatizados. Que são apenas um fardo para a sociedade. São ideias bastante preconceituosas e, mesmo quando o filme trabalha estes estereótipos de forma mais sutil, estas ideias estão presentes e são determinantes para o desenrolar da trama de uma obra.

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Rafael Cruz vive em Maricá-RJ, é cineasta, investidor, profissional de marketing, escritor, torce pro Fluminense, adora xadrez e uma boa partida de tênis.

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