
Le Grand Silence, de Philip Gröning, é um filme que narra de maneira bastante peculiar a vida em um monastério milenar perto de Grenoble, França. A peculiaridade reside no fato do filme praticamente não ter diálogos. Na verdade só aparece um rápido diálogo numa cena curta. Todo o filme é extremamente lento em sua narrativa de quase 3 horas.
Muitos tentam encontrar significados e explicações lógicas para o que ocorre no filme. O que ele quer dizer? Qual é a mensagem? Na verdade, Le Grand Silence é um filme muito mais de percepção do que de explicação. Você sente o filme, mas não precisa explicá-lo. Os planos muito bem fotografados, a sintonia dos ruídos de cena, o movimento suave dos monges: tudo isso faz-nos apreciar o filme como se aprecia um pintura abstrata, ou uma fotografia de uma paisagem deslumbrante. Nós sentimos o filme em sua essência mais humana. Não vemos máquinas, não vemos discórdias. Tudo ao olhar do observador parece funcionar perfeitamente. Aí, para quebrar esta sensação, o diretor põe os monges (distribuídos pelo filme de forma temporal) encarando a câmera, quase que pedindo ao espectador: “vamos, leia a minha mente. Entenda o que estou sentindo.”
Podemos observar neste filme um farto repertório de linguagens técnicas muito bem executadas. Um dos recursos mais evidentes é o uso do espaço fora de tela. Sabemos que algo acontece fora daquela imagem que está sendo exibida, por conta dos ruídos que ouvimos, porém não vemos naquele instante onde acontece a ação. Daí tentamos entender o que está acontecendo e associar ao que estamos vendo. Nem sempre a associação é lógica, porém, ao olharmos o filme de forma holística, podemos perceber um tipo de conexão.
Para quem mora no Brasil, será difícil encontrar o DVD à venda. O que eu tenho ganhei de um casal amigo que mora na França. No entanto acredito que vale a pena conhecer este trabalho, dado o seu apuro técnico e peculiaridade temática.





Smurfet












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