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O Atalante – Minha ultima sessão de cinema no Paissandu

Postado por Denise Duarte em 5 de September de 2008

Atalante

Minha última sessão de cinema no Paissandu foi às 19h15 de sexta, 29 de agosto de 2008. O filme escolhido foi o francês O Atalante (L’ Atalante), de Jean Vigo, de 1934.

As belas imagens da história de amor passada a bordo do barco Atalante, o último filme de Vigo, não deixam transparecer seus conturbados bastidores: o diretor filmava já bastante doente, morreria poucos meses depois das filmagens, e o filme passaria por sérias dificuldades de finalização.

O que o breve documentário exibido antes do filme contextualizava, coincidia com o sentimento de tristeza na platéia pelo fechamento, dali a dois dias, do Cine Paissandu, no Flamengo, um dos poucos cinemas de bairro da cidade do Rio de Janeiro, reduto de cinéfilos e amantes da sétima arte. Os motivos para o fechamento foram amplamente divulgados pela mídia local, relativos a problemas financeiros para a manutenção da sala. O que ocasionou protestos desesperados na tentativa de reverter o fechamento ou ao menos mobilizar as pessoas em torno de seu não fechamento.

Um dos primeiros a tomar iniciativa foi Fabio Coutinho, integrante de meu grupo de discussão, Roteiros On Line, que disponibilizou um abaixo-assinado, ainda disponível no link http://www.petitiononline.com/15121960/petition.html . Até o momento (são 20h30 de segunda, 01/09/2008), constam 5.719 assinaturas.

O Atalante narra a lua-de-mel de um casal a bordo do navio homônimo, pelos canais de Paris. O dono do barco é Jean, o marido, e a bordo estão mais duas figuras. Uma delas, o tio, impõe à imagem um tom humano e sincero e, ao mesmo tempo, grotesco, seja por sua imagem tatuada, seja pelas atitudes, ou pela quantidade de gatos que convivem no espaço exíguo da embarcação, em cima da mesa, dentro dos armários e em cima das camas. Em contraste, Juliette, a recém esposa, surge sobre o barco em seu traje de noiva, uma das mais belas cenas do filme e da história do cinema, ou mergulha seu rosto numa tina onde diz ver o rosto de seu amado. O marido, ao contrário, não consegue o mesmo feito, o que frustra a jovem. Ela sonha conhecer Paris e em uma das atracagens do Atalante na cidade, conhece um vendedor ambulante que lhe atiça ainda mais a curiosidade. Juliette acaba fugindo, ao mesmo tempo em que Jean decide esquecê-la. Vendo seu sofrimento, o tio decide procurar a moça.

É um filme de constrates entre momentos de intenso lirismo e imagens quase documentais.

E é plenamente visível na imagem as influências de dois movimentos surgidos na França e quase contemporâneos ao filme: o impressionismo francês e o surrealismo.

O Atalante será lançado no Brasil em breve em dvd, juntamente com demais filmes de Jean Vigo.

Um filme que guardarei na lembrança não só pela beleza, mas também por ter sido minha última sessão de cinema no Paissandu.

Atalante

Denise Duarte, para Tecnologia & Cinema, em 01/09/2008.

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Rafael Cruz vive em Maricá-RJ, é cineasta, investidor, profissional de marketing, escritor, torce pro Fluminense, adora xadrez e uma boa partida de tênis.

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