
O filme A Banda, do diretor e roteirista israelense Eran Korilin, que vem acumulando prêmios em diversos festivais de cinema, é uma grata surpresa e não só pela inusitada temática.
Embalado por uma bela trilha sonora ao estilo jazzístico e pela adoção de tempos estendidos, ao estilo do mestre Antonioni, e também com claras referências ao cinema de Wim Wenders, A Banda ambienta-se em uma cidade perdida no deserto israelense. O tempo parece ali parar. E é nesse estado de suspensão da ação que somos mergulhados no universo de solidão não só do lugar em si, mas muito mais dos personagens, tanto dos que chegam, os músicos, quanto dos que ali permanecem para sempre.
Ao longo do filme, quase nos esquecemos de que tais personagens pertencem a dois grupos tradicionalmente conflituosos entre si: egípcios e israelenses. E esse é o grande atrativo de A Banda, a exposição do mundo interior desses personagens, mostrados apenas como pessoas comuns, exposição esta conduzida com extrema sensibilidade, como todo o bom cinema é capaz de realizar. Um filme que consegue tocar espectadores de culturas tão diversas e distantes, como eu e meu amigo Paulo, que assistíamos ao filme mergulhados naquela atmosfera contemplativa em uma sala de cinema do Rio de Janeiro, Brasil, América do Sul.
Estão ali personagens universais, facilmente identificáveis e verossímeis, outro aspecto basilar que o bom cinema procura retratar. Diante da tela, encontram-se pessoas iguais a nós, independente de qualquer nacionalidade. Simplesmente pessoas. É disso que trata A Banda, filme que recomendo especialmente àqueles que apreciam um cinema que se permite dar-se à contemplação. (Em cartaz no Rio e em São Paulo).
Para ouvir a bela música-tema do filme, basta acessar seu site oficial: http://www.thebandsvisit.com/intro.html
Os músicos de uma pequena banda militar egípcia chegam a Israel para se apresentar num grande evento, mas em razão da burocracia – ou da total falta de sorte mesmo – acabam esquecidos no aeroporto. Ao tentar seguir viagem por conta própria, sendo que apenas o jovem Haled fala inglês, e nenhum deles entende uma única palavra em hebraico, acabam numa pequena cidade em algum lugar no coração do deserto israelense. Uma banda perdida numa cidade perdida. Logo são acolhidos pelos amigáveis moradores que, apesar das diferenças culturais, abrem seus corações aos forasteiros. Durante 24 horas, a música e o amor criam entre eles uma conexão inesquecível.
O Diretor
O diretor e roteirista ERAN KOLIRIN nasceu em 1973 em Israel. Seu primeiro trabalho para cinema foi o roteiro de “Zur – Hadassim”, pelo qual recebeu o prêmio Lipper de melhor roteiro no Jerusalem International Film Festival de 1999. Em 2004, ERAN KORILIN escreveu e dirigiiu “The Long Journey”, um filme feito para a TV. A BANDA é seu primeiro longa-metragem e, atualmente, ele trabalha no roteiro de seu próximo fillme, “Pathways in the Desert”.
TÍTULO ORIGINAL: “BIKUR HATIZMORET”
ANO DE PRODUÇÃO: 2007






Smurfet












Estou querendo ver esse filme desde que assisti ao trailer dele na época em que fui assistir A Última Amante (um filmaço, que recomendo aqui), mas ele entrou em circuito muito reduzido aqui no RJ e até agora não consegui assistir. Vou acabar tendo de me contentar com o DVD. O que é uma pena!
Discutir a imprensa?
http://robertoqueiroz.wordpress.com
É filme para ser visto com o coração e se deixar levar por ele. A música é linda e colabora para essa percepção de que a correria da vida pode parar por instantes para ver ou rever sentimentos.
Lindíssimo, atrilha é perfeita, um tema universal _ a boa música.
olá, gostaria muito de saber qual o nome das musicas que passam no filme, em especial estou atrás da musica que o regente canta no palco, no trailer aparece um pedacinho dessa música, quem poder me ajudar ficarei muito grato!!
um Abraço!
jeffersonsoul@gmail.com – olha o e-mail quem poder me ajudar ficarei muito feliz”"
valeu!
Alguém pode me dizer se esse filme já está disponível em DVD?
Se tiverem noticias por favor me ajudem.
Grato.
Humberto.
É o seguinte, o filme para ser bom não precisa trazer grandes nomes no elenco, ser assinado por um diretor icônico desses que faturam milhões a cada produção, ser rodado em ambientes ou paisagens que, pela beleza ou grandiosidade, enriqueçam a história, ou ter sido produzido num grande estúdio de Hollywood. Quem assistir “A Banda” (2007) vai entender exatamente o que digo. O filme, de orçamento baixo, é produção e direção de israelenses, atores árabes e judeus, filmado numa região desértica de Israel sem qualquer atrativo especial.
Uma banda egípcia com pomposo nome de Orquestra Cerimonial de Alexandria, desembarca no aeroporto de Telaviv para se dirigir a uma cidade do interior onde tocará na inauguração do Centro Cultural Árabe. Por algum mal entendido, o ônibus que devia estar esperando-os no aeroporto não está lá, e aí os músicos cometem um engano com o nome da cidade. São egípcios e não fluentes em hebreu, acabam tomando um ônibus que vai parar no meio do nada numa cidadezinha minúscula com nome parecido com aquela que eles queriam ir.
Ao desembarcarem o espectador percebe que na Banda, cujo efetivo é de oito músicos incluindo o maestro, existe certa tensão e a disciplina é mantida por Tewfiq, (Sasson Gabai) coronel da polícia de Alexandria e maestro. Os músicos paramentados com suas fardas azuis, encontram primeiro um pequeno bar onde são acolhidos com certa surpresa pela proprietária Dina (Ronit Elkabetz) que, despachada, trata o maestro como general na falta de saber como chamá-lo. Já que o ônibus que levará os músicos para a cidade certa só sairá no dia seguinte, Dina, com pena deles, convida-os para alojarem-se na sua casa, no bar e na casa de um amigo.
O coronel é extremamente formal devido sua formação castrense, Dina é liberada e está feliz em ter alguém para conversar. Aí o diretor (Eran Korilin) consegue manter um equilíbrio sutil entre a comédia de riso fácil e o drama de vidas com passado que as incomodam, entre o inusitado de árabes hóspedes de cidadãos judeus e a curiosidade de uns a respeito de outros. Dina acaba saindo passear com Tewfiq e vão a uma lanchonete onde também chega seu amante com a família. Falaz, Dina se abre com Tewfiq e faz perguntas um pouco embaraçosas sobre sua vida. Os demais integrantes da banda também se vêem envolvidos em pequenos dramas nos quais revelam suas expectativas e frustrações. O clima do filme mostra uma relação entre árabes e judeus que nada tem a ver com o conflito de seus países, literalmente sãos pessoas comuns colocadas em uma situação que não exige delas posicionamento político algum, apenas a solidão os incomoda.
A única distração dos moradores da cidade é um rinque de patinação onde uns dos músicos vai com um morador local. Lá a música e os atores nos brindam com as melhores cenas do filme. Na verdade, baseado numa estória leve, sem conseqüências maiores, o filme revela a possibilidade de comunicação entre pessoas de idiomas e culturas diferentes que, afinal, são apenas isso, pessoas comuns gregárias, sem nenhum grande obstáculo que as impeça de interagir e conviver pacificamente, vale a pena assisti-lo. JAIR, Floripa, 16/09/10.
Bela análise, Jair. E sobre as perguntas dos demais, sim, A Banda saiu em dvd no Brasil, mas me parece ter esgotado. Acredito que no Amazon.com seja possivel compra-lo. Várias locadoras, incluindo aquelas mais populares, como a Blockbuster, têm o dvd para locação.
eu comprei o DVD depois de ver o trailer, e não me arrependi! um filme muito bom mesmo!