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“Era uma vez…” – uma estória para ver e rever, refletir e emocionar

Postado por Rafael Cruz em 12 de Julho de 2008

 Era uma vez

“Era uma vez…” traz um romance platônico entre dois jovens. Um é pobre, morador da comunidade do Cantagalo e vendedor de cachorros-quentes. A outra é rica e vive em um bem dotado apartamento na Vieira Souto. Acrescente a esta trama o tráfico, a vida no morro, violência, vingança, integridade, corrupção e injustiça. Você terá o tempero perfeito para um deleite magnífico dentro da sala de cinema.

Tive o privilégio de assistir ao filme antes de chegar aos cinemas e pude ressaltar alguns pontos deste maravilhoso longa de Breno Silveira.

1°) As atuações de Thiago Martins (Dé), Rocco Pitanga (Carlão) e de Cyria Coentro (Bernadete, a mãe do Dé), são muito boas e merecem destaque. Um detalhe importante é que o Thiago Martins é morador do Cantagalo e foi descoberto pela “Nós do morro”;

2°) A trilha sonora do filme e a edição de som são muito boas, quebrando a imagem que o cinema brasileiro tem de obter fraco desempenho neste quesito;

3°) O roteiro é fantástico. A capacidade de se contar estórias e prender a atenção do espectador, seja ou não com tensão e drama é espantoso no diretor, que já provou do que é capaz em seu primeiro longa, o “Dois filhos de Francisco”, que levou 5 milhões às salas de cinema e marcou época na história do cinema brasileiro. Os diálogos são muito adequados ao ambiente vivido pelos dois nesta cidade partida;

4°) Um objeto de cena que é muito importante para se entender, conceitualmente falando, o que acontece na sociedade carioca atualmente é o livro “Cidade partida” de Zuenir Ventura, que é lido pela jovem Nina e depois, por influência dela, pelo Dé. Uma pista para os mais atentos;

5°) A carga dramática, a exemplo de “Dois filhos de Francisco” é muito intensa, mas sem exageros.

 Era uma vez

No geral, eu adorei o filme e daria 10 pra ele se não fosse pelo final, que não muito me agradou, mas o próprio Breno explica a sua escolha deste final devido a sua intenção de fazer um final para chocar o público, para que este desse atenção as falas finais do próprio Thiago, já fora do papel, que realmente é bastante impactante.

Tenho certeza que vários blogs e outros meios de comunicação farão uma ponte entre o filme “Tropa de Elite” e o “Era uma vez…”. Principalmente se o filme tornar-se popular como o filme do Padilha. Eu não iria tão fundo nestas comparações, pois a trama é bastante diferente, apesar de serem utilizados elementos também pertencentes ao universo de “Tropa de Elite”, acredito que cada um desses longas tenha o seu charme especial e irá, da mesma forma, cativar o público.

Outra coisa que poderá ser comentada é que o diretor aproveitou a onda do “Cidade de Deus”, “Tropa” e Cia para escrever um filme parecido e ganhar a simpatia do público. Isso, se dito, será bobagem pois segundo o próprio Breno, em entrevista coletiva dada no dia 10 de julho de 2008, a sua vontade de fazer um filme que contasse a história de Dé já era antiga. Desde o seu primeiro trabalho no cinema, onde foi fotógrafo de um filme de Eduardo Coutinho (Santa Marta – Duas semanas no morro – 1987), Breno já sinalizava para um filme neste aspecto. O roteiro final do “Era uma vez…” ficou pronto em 1999, mas ninguém queria fazer o filme. Somente após os sucessos dos filmes já citados, foi que Breno conseguiu apoio para esta realização.

Uma de suas preocupações é de fazer filmes que sejam acessíveis ao público.

– Dou uma importância enorme para o roteiro. Acho que ele é a peça mais importante para os meus filmes. Quando o roteiro não é bom, compromete o entendimento do público, tornando um filme sem sentido para este. Disse Breno.

Com relação a escolha dos atores, Breno disse que prefere trabalhar com atores menos conhecidos.

- Eu procuro um ator que tenha alma no filme.

Ao ser perguntado de um futuro projeto, ele não entrou em detalhes, mais comentou sobre a possibilidade de realizar um filme sobre o Gonzaga (pai de Gonzaginha). Mas isso, se acontecer, será por volta de 2010.

Veja o trailler

Visite o site do filme

Rafael Cruz vive em Maricá-RJ, é cineasta pela UFF, doutorando em administração pela UTAD (Portugal), investidor, fundador da Nerd Rico, escritor, torce para o Fluminense, adora xadrez, uma boa partida de tênis, é fã de Einstein, Maurício de Souza, Santos Dumont, Woody Allen e Bach.
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11 Comentários

  • Em 2008.07.12 11:27, Roberto QueirozNo Gravatar disse:

    Até agora ainda estou na dúvida se vou assistir Era uma Vez no cinema ou não. Ele parece – pelo que vi no trailer – mais uma mesmice daquelas tipo novela da Globo. No entanto, algumas pessoas andaram falando superbem dele nos blogs onde passei. Estou na dúvida mesmo. Até porque recentemente fui ver Maré, uma história de amor, com essa opinião também, e saí decepcionado ao final da sessão.

    Discutir a imprensa agora? Acesse
    http://robertoqueiroz.wordpress.com

    • Em 2008.07.12 11:35, RafaelNo Gravatar disse:
      Rafael Cruz

      Roberto,

      com todo respeito à Lúcia Murat, mas esse Maré é pra esquecer…

      Se aceita um empurrãozinho, assista ao “Era uma vez…”. Não escrevi o artigo porque li sobre o filme ou me falaram dele. Eu pude ver e constatar que é bom. Ao ver o trailler, tive a mesma impressão que você: Mais um filme chato de amor, tipo TV Globo. O que posso te dizer: Não é isso! O filme tem realmente qualidade. Veja e comprove. E e esse filme passa (em termos de qualidade) ha anos-luz do Maré…

      • Em 2008.07.12 11:41, FixolaS.com disse:

        “Era uma vez…” – uma estória para ver e rever, refletir e emocionar by Tecnologia & Cinema…

        “Era uma vez…” traz um romance platônico entre dois jovens. Um é pobre, morador da comunidade do Cantagalo e vendedor de cachorros-quentes. A outra é rica e vive em um bem dotado apartamento na Vieira Souto. Acrescente a esta trama o tráfico,…

        • Em 2008.07.12 11:46, domelhor.net disse:

          Era uma vez – uma estria para ver e rever, refletir e emocionar…

          Era uma vez traz um romance platnico entre dois jovens. Um pobre, morador da comunidade do Cantagalo e vendedor de cachorros-quentes. A outra rica e vive em um bem dotado apartamento na Vieira Souto. Acrescente a esta trama o trfico, a vida no morro,…

          • Em 2008.07.18 02:06, carlosNo Gravatar disse:

            O filme não é ruim não, esse filme é péssimo. Clichês do princípio ao fim. História arrastada, longa, totalmente inverossímel. O argumento é paupérrimo e a direção ainda mais lamentável. Fujam!!!

            • Em 2008.07.18 12:34, RafaelNo Gravatar disse:
              Rafael Cruz

              Não concordo com este posicionamento Carlos. Não acho que fazer um filme mais palatável ao grande público é tornar a direção lamentável. Lamentável é ver por aí filmes que são feitos pra agradar somente a três tipos de pessoas: professores, amigos e familiares, mostrando uma total falta de respeito com o público e com o dinheiro do governo que é empregado nestas produções.

              E se é falar de favela, violência e desiqualdade é clichê, vamos falar do quê então? Se esta é a relidade do carioca?

              Acho que o cinema precisa funcionar como denuncia social mesmo, conscientizar pessoas da nossa realidade e mostrar alternativas. De quê adianta fazer um filme completamente elitizado (sem os seus clichês) e somente os intelectuais entenderem? De que vai adiantar a denuncia social se não atingir as massas?

              Acho que o cinema tem espaço pra todos: Filmes artísticos e filmes sociais com linguagem mais simples.

              É assim que penso.

              • Em 2008.07.23 16:50, SkydiverNo Gravatar disse:

                Seguinte, gostei muito do filme. Achei que ia ser uma cópia de Cidade de Deus misturado com BOPE mas não foi nada disso.

                Sou morador de Brasília, mas sempre vou ao Rio nas Férias.

                A fidelidade com a situação do Rio foi perfeito. Até o baile funk que as pessoas costumam mostrar nos filmes de uma forma totalmente irreal, neste filme estava quase 100% fidedigno.

                Me emocionei o filme todo.

                MAS, PORÉM, TODAVIA, o final é uma BOSTA.

                Eu sou um amante de finais bons, e quando o final de um filme é ruim me da vontade de matar alguém, e como eu vi esse filme numa pré-estreia onde tanto o Diretor quanto o Ator principal estavam presentes, digo com todo honestidade que faltou muito pouco pra eu não dar um murro nos 2.

                Ah fala sério, nem a pessoa mais ignorante do MUNDO iria agir como os 2 atores agiram no fim do filme. Entendo que era pra refletir o final de Romeu & Julieta, mas erraram feio no FIM.

                • Em 2008.07.25 10:58, Marcia WeegeNo Gravatar disse:

                  O filme é muito legal. Saí do filme diferente e acho que é isto que o diretor quiz fazer. Não tem nada a ver com os outros filmes sobre favela pois a proposta é diferente. É um Romeu e Julieta no Rio, mas que faz a gente olhar melhor para os outros que estão ao nosso lado diariamente. Hoje me vi dizendo oi! para o porteiro, faxineiro, bombeiro, todo mundo. Como fábula, tem liberdade poética de pôr música (trilha maravilhosa) e colorido numa vida que só é retratada com cores esmaecidas. O final é chocante, como foi o final de Shakespeare. Hoje não existem famílias que se odeiam, mas o ódio que a diferença econômica gera é tão intransponível quanto o de séculos atrás. Não sei se em São Paulo aconteceria esta situação. No Rio a proximidade da favela e o convívio na praia pública tornam tudo mais difícil. Vale pensar e ver este filme com olhos diferentes.

                  • Em 2008.07.28 16:33, AndréNo Gravatar disse:

                    O filme é muito bom. Mostra como a vida honesta de uma família se transforma após uma atitude demoníaca de um bandido da favela.

                    Também é correto em relação ao convívio de classes sociais distintas em uma cidade desnivelada como o Rio de Janeiro.

                    A tensão que ficamos durante o filme (que dá a sensação de um final feliz, mas ao mesmo tempo de um provável obstáculo que poderá acabar com tudo) é angustiante.

                    O único pecado do filme é o final, que realmente mostra uma atitude ridícula por parte do jovem casal. Contudo, acaba apimentando a história. Ótima trilha sonora e roteiro. Bom filme, vale a pena ir ao cinema!

                    • Em 2009.09.01 21:54, samaraNo Gravatar disse:

                      eu vi era uma vez hoje muito legal emocionante no final e muito triste porque eles dois morrem

                      • Em 2009.09.01 22:55, RafaelNo Gravatar disse:
                        Rafael Cruz

                        Pô, Samanta, não precisa contar o final. né? As pessoas não gostam de Spoillers.

                        (Obrigatório)
                        (Obrigatório, mas não será publicado)

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