Tecnologia e Cinema
30 Jun
Escrito por Rafael Cruz em Artigos e Ensaios

O show de “realidade” na TV. Até que ponto essa realidade é natural? Existe manipulação atuando de alguma forma para favorecer algo ou alguma situação? Essas são apenas algumas perguntas que todos nós fazemos ao falar de Big Brother Brasil.
Irei pegar a última edição desse programa (2008) para levantar algumas questões à respeito da ética atuante nele.
1° Observação:
O Big Brother é um show que tem como objetivo aquisição de dinheiro para quem o produz. Assim como em qualquer programa televisivo, a publicidade é uma fonte de recursos, mas no BBB não é a única. É isso que diferencia este show dos demais. O principal personagem do Big Brother é o espectador. Sem ele não existem eliminados e o programa perde a sua graça. Essa interação com o espectador é a chave-mestra do show. Para participar, o espectador precisa votar, e esse voto custa dinheiro. Quanto mais interação, mais dinheiro. Até aí tudo bem. O problema começa quando o canal de informação show-espectador começa a ser distorcido em favorecimento a um dos lados (no caso a produção do show). Temos uma ruptura da ética em consolidação.
2° Observação:
Como isso ocorre? Existe uma área no cinema e no audiovisual que o público não conhece/valoriza muito, mas que tem grande importância no produto final de um projeto audiovisual: A montagem. Com ela podemos mudar um discurso apenas alterando a ordem dos planos ou inserindo efeitos de som ou visual. Apesar da massiça propaganda “câmeras 24h no ar: Veja tudo!”, pouquíssimas tem acesso a isso e a grande parte dos espectadores (esmagadora parte…) assiste pela TV aberta um resumo diário de 40 minutos o que aconteceu em 24h naquele dia. É aí que entra a montagem. Sim, a magia da montagem, que tem o poder de escolher o que deve ou não ir para o ar e de que forma (!!!) isso irá para o ar.
Ora, já disse que existem interesses ($$$) por trás do show. Por que não usar esta montagem para induzir o espectador a ter maior ou menor simpatia por alguém ou por um grupo? Isso é ético? Por que uma manipulação a favor de algo às custas de outro alguém não seria ético? Por estar interferindo no livre-julgamento de quem decide? Não. Não é ético. Citei a versão 2008, mas também percebi esta manipulação na versão 2007. Vamos exemplificar: Na versão 2008 existia o personagem Marcelo, que era polêmico e causava certa antipatia. No início, o público começou a rejeitá-lo, mas para o show não perder a sua dramaticidade, era interessante que este personagem continuasse na casa o máximo de tempo possível. O que fazer? Montagem, é claro! Percebeu-se uma série de montagens onde se ocultava certos comportamentos negativos do sujeito e maximizava os de outros personagens, colocando-o na situação de vítima. O que aconteceu? Espectadores com pena dele. Resultado: Sempre que Marcelo ia para o paredão, sempre vencia, pois sempre o seu adversário era “mais sujo” que ele e merecia sair. Méritos para a montagem mágica!
Poderia citar inúmeros exemplos, mas isso não é necessário, pois o problema será sempre o mesmo: o comprometimento da ética nos realities shows.
Sinceramente não vejo solução para isso, haja vista que vivemos em um sistema capitalista aonde o dinheiro sempre vem em primeiro lugar. Os valores éticos, as pessoas e a natureza sempre são menosprezadas. É claro que toda regra tem a sua exceção, mas para a exceção virar regra, somente mediante uma revolução.
Um Comentário
domelhor.net
July 10th, 2008 at 12:13 am
1A questo da tica nos Realities Shows…
Um artigo sobre a tica nos realities shows, mas precisamente falando sobre o Big Brother Brasil 8….
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