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Crepúsculo dos Deuses e seu Roteiro

Postado por Rafael Cruz em 23 de Abril de 2008

Este artigo foi originalmente escrito para a disciplina "Argumento e Roteiro" da Faculdade de Cinema da UFF.

Nome original: Sunset Boulevard

Crepúsculo dos DeusesA sutileza criada no roteiro e transposta para a película dá o toque especial ao filme. De forma clara e direta, com a ajuda da narração off, vários complexos humanos são trabalhados no filme, de forma a aglutinar-se em uma história metalinguística do cinema. Podemos citar como exemplos destes complexos a vaidade, o estrelismo, a ascensão e decadência de astros, o mercado cinematográfico, insanidade, ambição, inconsequência, materialismo, devoção entre outras coisas.

 

O modo como é conduzida a história, através da narração de um morto, dá o toque de veracidade que talvez Wilder buscasse, pois quem melhor do que um morto para contar uma história e ser imparcial? Um morto não faz mais parte da realidade onde se passa a sua narrativa, logo não haveria motivos para não ser imparcial.

 

Existem elementos-chave na trama que nos guiam e reforçam a idéia que está em formação. Um desses elementos é a piscina. É interessante como ela aparece exatamente no início, no meio e no final do filme, sendo importante em todas essas aparições. No início, a piscina retrata a decadência afetiva de Desmond. Está abandonada, vazia, com ratos e triste. Na segunda vez que ela surge, está em seu auge, limpa, cheia, brilhante e alegre. Assim como o estado de espírito de sua dona. Em sua última aparição, ela serve de cenário para o grand finale, onde serve de “cova” para Joe. A piscina funciona como um elo entre Joe e Norma. Enquanto ela representa o estado de espírito de Norma, ela também simboliza um grande desejo de Joe, que é ter uma piscina. Acaba tendo seu último momento dentro dela. Dentro de Norma.

 

De certa forma, Max, o mordomo, também funciona de elo. Um elo entre o passado e o futuro de Norma. Tudo começou com ele e deveria terminar, ou pelo menos ser conduzido para um final, com ele também. O papel de mordomo não poderia vir melhor a calhar.

 

Portanto, como nota-se, o roteiro teve fundamental importância para o profundo entendimento do filme, em sua realidade mais crua e sem dúvida trouxe para o grande público, sem firulas e de forma clara, os mais profundos complexos artístico-psicológicos que o cinema já viu.

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Rafael Cruz vive em Maricá-RJ, é cineasta pela UFF, doutorando em administração pela UTAD (Portugal), investidor, fundador da Nerd Rico, escritor, torce para o Fluminense, adora xadrez, uma boa partida de tênis, é fã de Einstein, Maurício de Souza, Santos Dumont, Woody Allen e Bach.
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