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Comparação “O Bandido da Luz Vermelha” e “O Cheiro do Ralo”

Postado por Rafael Cruz em 26 de Março de 2008

Bandido da Luz Vermelha

 

O diálogo existente entre os filmes “O bandido da luz vermelha” e “O cheiro do ralo” evoca conceitos concomitantes nos segmentos estilísticos e técnicos, como:

  • da estética, ao confrontar a depreciação de uma sociedade refém do consumismo, decorrente do capitalismo selvagem que está cada vez mais influente, com a visão de progresso, riqueza e desenvolvimento, condições perseguidas há anos pela elite política que, através da mídia hegemônica, vem construindo esta ideologia positivista na memória coletiva da sociedade. Este confronto se dá principalmente pela linguagem visual depreciada, mostrando a boca do lixo, no caso do filme de Sganzerla, e pelo materialismo escrachado, no filme de Dhália;

  • da construção do personagem, onde vemos anti-heróis estilizados, exercendo poderes sobre pessoas comuns, mas sendo vencidos pelos seus próprios complexos internos. A evolução do personagem Lorenço, de “O cheiro do ralo”, é marcada por uma transição de comportamentos, onde temos duas fases: o Lorenço centrado, com um comportamento charmoso, à primeira vista, e um Lourenço grotesco, perdido em seus devaneios. Já o Luz, o processo é diferente. O glamour e o grotesco caminham juntos. Ora temos um bandido grotesco, que ataca de forma mais bizarra suas vítimas e um bandido glamouroso, quando mostra-se como uma pessoa normal;

  • dos recursos de narração, “O cheiro do ralo” e “O bandido da luz vermelha” são semelhantes. Utilizam a linguagem cômica, “O Bandido” usa de forma mais escrachada esta recurso, fazem uso de frases de efeito, como “a vida é dura” e “quando a gente não pode fazer nada, a gente avacalha”, e usam um ritmo bem peculiar em sua tramas, como em “O bandido da luz vermelha” que estiliza a narração com características radiofônicas, de forma bem irônica e o “O cheiro do ralo” com a narração com tom reflexivo, em forma de monólogo e com humor sutil.

Portanto, com estes elementos, temos uma pequena análise comparativa entre estes filmes que são separados pelo tempo em quase 40 anos, mas que, em sua essência estilística, estão bem próximos um do outro.

Rafael Cruz vive em Maricá-RJ, é cineasta pela UFF, doutorando em administração pela UTAD (Portugal), investidor, fundador da Nerd Rico, escritor, torce para o Fluminense, adora xadrez, uma boa partida de tênis, é fã de Einstein, Maurício de Souza, Santos Dumont, Woody Allen e Bach.
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