
É incrível como este filme, que tinha tudo para ser chato, é super envolvente e bem planejado. Toda a trama está centrada em dois personagens, o escritor Jesse Wallace, que baseia a sua obra em um romance relâmpago com uma francesa, chamada Celine, e que depois, eles perdem o contato um do outro, e a própria francesa, personagem principal do livro de Jesse. Eles se reencontram dentro de uma biblioteca, durante uma sessão de entrevista coletiva com o escritor. Ele, assim como ela, pensava que jamais a reencontraria de novo. Pelo menos eles tinham a noção de que esse reencontro era quase impossível, dados os princípios da probabilidade, e que talvez só com um milagre os dois se reencontrariam. Eis que este “milagre” aconteceu. Na verdade, o encontro não foi por acaso. Celine era fã do livro de Jesse e sabia quem ele era.
Quando ela ficou sabendo que ele estaria em Paris para promover o seu livro, pensou em ir até ele. Foi o que aconteceu. Daí em diante, todo o filme é uma gostosa conversa entre os dois, percorrendo as ruas de Paris, passeando em praças, barcos, em cafés. Isso pode parecer chato para quem nunca viu o filme e está lendo sobre ele agora, mas garanto que não é.
Esta abordagem, simples e prática que o diretor Richard Linklater faz neste filme é fantástica. Nós vamos percebendo, ao longo da longa conversa entre os dois a precisa e sutil construção dos personagens. Fico imaginando como foi filmar aquelas longas conversas, como deve ter sido difícil para os atores lembrarem dos textos. Ou será que a atuação contou muito com a naturalidade e improviso dos atores? Fico mais com esta hipótese, pois o filme é bastante solto em sua narrativa e percebemos claramente que os atores estão bem à vontade e seguros de si.
Outro ponto que merece destaque no filme é o tempo. O filme se passa em tempo real, ou seja, não existe passagem de tempo de dias, semanas ou nada disso. Tudo acontece naquele instante, antes do pôr-do-sol. Durante todo o filme, temos o fantasma do relógio marcando a hora que Jesse deve chegar ao aeroporto para voltar aos EUA. Para o espectador, sentimos a apreensão. Quando mais passa o tempo ficamos agoniados, pois sabemos que ele tem hora, senão perde o vôo. E ele segue adiando, adiando, adiando… até que percebemos que na verdade não importa mais para ele pegar ou não o avião. Ele fica preso aos instantes que passa com Celine, e cada segundo para ele é maravilhoso. E para ela? Bom, não posso mais continuar a analisar o filme, senão perde a graça.
O que posso dizer, para concluir este artigo é que a fotografia é exuberante, vemos uma Paris de outro ângulo, a Paris dos parisienses. A narrativa solta, natural e sem frescuras, o que nos deixa envolvidos a cada instante. Fiquei muito surpreso com “Antes do Pôr-do-Sol”, pois esperava um filme muito chato e o que encontrei foi um filme super romântico, agradável, cativante e inteligente.





Smurfet












ADORO este filme! Belo blog, MUITO legal.
Esse filme é um dos meus favoritos da década, a química ente os dois atores é excelente, sem dúvida uma das mais belas e tocantes histórias de amor do cinema contemporâneo. Adoro ambos os filmes, o do encontro e o do reencontro.
Dani e Romeika.
É verdade. O filme me impressionou muito. Bela história romântica, bela química entre os atores. Realmente incrível o que se pode fazer com pouco dinheiro, talento e muita criatividade.
Um filme nota 10.