Está sendo difícil encontrar alguém aqui no Rio de Janeiro quem ainda não tenha assistido ao filme “Tropa de Elite”.
O filme virou verdadeira febre entre as pessoas. Crianças e adultos comentam, assistem e assistem novamente etc. Tudo isso poderia ser apenas mais uma demonstração de sucesso de um filme nacional se não fosse por um detalhe: O filme nem chegou aos cinemas! Isso mesmo, “Tropa de Elite” foi mais um dentre os diversos filmes de lançamento que caiu nas mãos dos pirateadores. Mas esta história é peculiar, pois ele nem ao menos foi lançado! Quando vemos no camelô o Shrek terceiro, ou O Homem Aranha 3, sabemos que este filme só começa a ser comercializado no Brasil (através dos camelôs) após o lançamento do filme no cinema, pois o pirata vai à exibição, grava toda a obra e põe na internet. Por isso chega tão rápido ao Brasil. O caso de “Tropa de Elite” é que não foi assim que aconteceu. Dizem as más línguas que uma cópia do filme vazou da empresa de legendagem que trabalhou nele e estas mesmas línguas afirmam que a versão que está sendo vendida nos camelôs não é a versão final.
Mas a questão que quero abordar não é essa. Existe o argumento da indústria cinematográfica que a pirataria está destruíndo-a. É um argumento interessante. O mesmo argumento foi usado pela indústria fonográfica meses depois da popularização dos mp3. E põe uns 7 anos nisso. Pensando na indústria fonográfica, não vimos a destruição da indústria, mas sim uma quebra de paradigmas, ou seja, vimos uma reformulação do modelo de negócios dos envolvidos com o comércio de música. Hoje, é mais negócio vender uma faixa do que vender todo o CD. Um dos cases mais famosos e bem sucedidos é a Apple Music Store, a loja musical da Apple com cerca de 600 milhões de títulos. Hoje, alguns artistas falam que o mp3 e a troca de arquivos via web possibilitou em uma maior divulgação de novas bandas, de novas músicas e isso foi positivo. Podemos dizer isso também pode acontecer na indústria de filmes. Aliás já está acontecendo, menos no Brasil.
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