Por estes dias andei assistindo alguns filmes. Escrevi sobre alguns deles. Abaixo segue uma rápida análise sobre a direção de atores de dois filmes belíssimos:
Crash – No Limite (Crash, dir.: Paul Haggis – EUA, 2004). ) e Amor à flor da pele (In The Mood For Love, dir.: Wong Kar Wai – China, 2000 )
Em Amor à flor da pele, observamos uma direção de atores mais disciplinada, rígida, em relação à narrativa. Para Kar Wai, é fundamental a movimentação perfeita dos personagens, seus encontros e desencontros, seu jogo de olhares e gestos. Tudo isso dentro de planos quase sempre estáticos. É importante passar a impressão ao espectador que tudo é feito às escondidas, afinal eles são casados. Uma forma bem curiosa, senão oportuna, é a filmagem distanciada, através de portas, em ambientes apertados etc. O improviso tem pouco espaço em obras como esta de Kar Wai, por isso a necessidade de um controle rígido da marcação de espaços, movimentação e expressões dos protagonistas. Outra coisa interessante reside no fato de que, em nenhum momento, vemos os rostos dos respectivos personagens que estão tendo um caso e que são os cônjuges dos protagonistas. No máximo uma voz e alguém de costas, mas sempre em pequena escala. Eles são “personagens fantasmas” no filme e isso obriga ao espectador construir mentalmente estes “fantasmas”. Nisso entra mais uma vez o ótimo trabalho do casal protagonista, que precisa ajudar o espectador a construir esta imagem, seja através de informações referentes a eles seja através de simulações de situações que poderiam acontecer.
Já em Crash – No limite, temos algo um pouco diferente. Podemos notar uma maior liberdade de ação para o elenco. Ao contrário de Amor à flor da pele, onde a trama volta-se basicamente para dois personagens e seus respectivos cônjuges, Crash possui vários personagens elementares para a história e que, ao longo do filme, serão trabalhados de forma a criarmos fortes identificações. Essa construção dos personagens se dará de forma intensa e bastante clara, em oposição às sutilezas do filme chinês. O uso de muitos exteriores, interiores amplos, a carga excessiva de dramaticidade entre outros, abrem espaço para atuações de improviso, mas intensas.
Portanto, Crash e Amor à flor da pele, apesar de tratar de temas completamente diferentes e trazer certas diferenças em estilo narrativo, possuem uma coisa em comum: a direção de atores como elemento base para uma boa construção narrativa.
Se quiser saber mais sobre Crash, veja o DVD aqui
Se quiser saber mais sobre Amor à flor da pele, veja o DVD aqui





Smurfet












Gostei do vizu do blog e muito seu texto, mas senti falta de que você falasse da música hipnotizante, e também, sutil rígida, onipresente no Amor à flor-da-pele… o que vc acha? pensou no filme sem ela? não seria messssssssmo o filme…. já em Crash, ela não atua….bj.
Obs: o aviso sobre comentários se refere à conteúdo “ofencivo”, melhor não torturar nosso português mútuo…. ou é diferente?!
Regina!
És a primeira a estrear no meu blog!! Obrigado!!
Sobre a sua colocação: não falei da trilha porque fiquei focado na direção de atores. A crítica não foi completa de propósito. Aliás, que belo filme, não é? Nossa!
Sobre o “ofencivo” realmente não sei se em Portugal isto está certo. Este blog tem a sua interface (textos) voltado para o vernáculo de Portugal. Tirando os meus artigos, o resto está em Português PT. Mas cá pra nós, “ofencivo” pega mal para nós brasileiros. Vou ver se tenho poder para alterar isso.
Valeu pelo toque, Regina! Volte sempre! Seus comentários são sempre muito produtivos!