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Cinema Brasileiro – Uma revisão estética (até 1990)

Postado por Rafael Cruz em 20 de Julho de 2007

1898-1911

Neste período, também conhecido como primórdios ou como primeiro cinema, o que eu chamaria de fase do descobrimento e de ajustes, pois, como o cinema era uma novidade no Brasil, assim como no mundo, tivemos diversos conceitos sendo experimentados, para uma nascente indústria do entretenimento e da informação. Nestas experimentações, diversos empresários, que procuravam uma forma de rentabilizar com as exibições públicas, procuravam formulas de atrair o público para os seus salões. Dentre elas, tivemos os filmes de atualidades, que retratavam temas diversos da sociedade, experimentações de inserção de sons nos filmes, reconstituições de crimes famosos etc. Também é importante citar que foi nesta época que o Brasil conheceu a sua fase mais vigorosa no cinema, chamada de Bela Época (1907-1911). Devido a escassez de material fílmico desta época, pouco pode se afirmar em absoluto sobre os recursos estéticos dos filmes, mas já sabemos que era tendência o uso de planos fixos, devido à dificuldade de mobilidade do equipamento de filmagem, a ausência de sons, a velocidade de 14 quadros por segundo, o que resultava em sequências mais aceleradas do que a realidade e o aparecimento dos melodramas, como forma de atrair mais espectadores e promover artistas (star system).


1911-1930

Após a quase paralisação da produção do cinema brasileiro, datada de 1913-1914, vemos um tímido retorno desta produção, mas desta vez encontrando diversas dificuldades. A principal delas é a dura concorrência com o mercado norte-americano. Neste período há o surgimento de diversas publicações sobre cultura e cinema e estas são um fator decisivo para as mudanças ocorridas em nosso cinema. Fica crescente a valorização dos filmes de enredo e a pressão por uma organização de uma indústria com padrões internacionais. Fica evidenciado que os filmes começam a ter conotações conscienciais e prepara-se terreno para o surgimento de indústrias de peso no país.


1930-1954

Neste período temos o inicio das produções de filmes sonoros, juntamente com o início da intervenção Estatal na indústria cinematográfica. É montada a Cinédia e com ela são produzidos alguns filmes nos padrões norte-americanos. A sensualidade e erotismo se faz presente nos primeiros filmes com a participação de Humberto Mauro pela Cinédia. Destaque para filmes experimentais na linguagem, seja através da fotografia, seja na montagem e narrativa não-linear, como Limite e São Paulo, Sinfonia da Metrópole. Vemos uma enxurrada de filmes com conotação educativa, produzidos pelo INCE, através da direção de Humberto Mauro e orientação de Roquette-Pinto, com linguagem simples, fotografia impecável e trilha sonora tupiniquim. O surgimento da chanchada, onde vemos a união entre cinema e música brasileira. O humor e o deboche inocente marca este movimento, onde o tema recorrente é o carnaval e o modo de vida do carioca, além das piadas enfatizando a industria norte-americana. A Vera Cruz surge e rivaliza com a Atlântida. A primeira realiza cinema com “expressão cultural”, para a elite da sociedade brasileira e a segunda produz filmes de comédia, as chanchadas, que tinha mais sentido popular.


1954-1970

Este período é marcado pelo surgimento do Cinema Novo, que foi um movimento influenciado pela Nouvelle Vague francesa e pelo Neo-realismo italiano. Foram produzidos filmes que eram contrários a lógica vigente do mercado cinematográfico, onde eram produzidos caríssimos filmes e com pouca ou quase nenhuma preocupação social. As características desses filmes eram de possuir imagens com poucos movimentos, cenários simplórios e falas mais longas do que o habitual. Muitos ainda eram rodados em preto e branco. Além disso, os temas mais abordados estavam fortemente ligados ao subdesenvolvimento do país.


1970-1990

Neste período tivemos o movimento conhecido por Cinema Marginal, que chegara para trazer oposição do Cinema Novo, que neste período, perdia suas forças. Era característico desde movimento o intenso uso do deboche, de um experimentalismo de caráter profanador, um radicalismo ao extremo e muita ousadia. A pornochanchada era um elemento deste movimento. Por outro lado, também vimos florescer o cinema naturalista, que visaram atingir o público, como os filmes policiais ligados ao tema da repressão e os de “sexo em cena”, além de filmes explorando o tema da abertura política, através, principalmente, de documentários, a fim de pressionar o fim da ditadura. Vemos o florescimento de filmes que preocupam-se em referir-se à atualidade.

Rafael Cruz vive em Maricá-RJ, é cineasta pela UFF, doutorando em administração pela UTAD (Portugal), investidor, fundador da Nerd Rico, escritor, torce para o Fluminense, adora xadrez, uma boa partida de tênis, é fã de Einstein, Maurício de Souza, Santos Dumont, Woody Allen e Bach.
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